UOL Notícias Internacional
 

10/06/2007

Eleitores latinos desfrutam de nova força junto aos democratas

The New York Times
Raymond Hernandez*
Em Washington
Auxiliados pela luta em torno da imigração, os democratas em busca da indicação presidencial do partido estão buscando cortejar os eleitores latinos como nunca antes, já que uma série de Estados onde ocorrerão as primeiras eleições primárias possui um número considerável de eleitores latinos, levando os candidatos a contratarem consultores, lançarem sites em espanhol e a fazerem uma forte campanha perante platéias latinas.

 AFP - 20.ago.2006 
Imigrantes protestam em Riverside contra a lei de contratação de imigrantes ilegais


A disputa pelos eleitores latinos é resultado da decisão de vários Estados com grande população latina de transferir suas primárias presidenciais para o início de 2008, incluindo Califórnia, Flórida e Nova York. Cerca de dois terços dos moradores latinos do país moram em nove dos Estados que realizarão primárias ou convenções democratas em 5 de fevereiro ou antes.

Estrategistas dizem que a influência dos eleitores latinos provavelmente será amplificada no próximo ano por causa da resposta incomumente intensa de muitas comunidades latinas à política de imigração. Os republicanos conservadores, com a ajuda de alguns democratas de inclinação esquerdista, se uniram para derrubar um projeto de lei de imigração no Senado na quinta-feira, que abriria o caminho para a cidadania para os imigrantes ilegais.

É nas novas primárias iniciais onde os democratas esperam que os esforços para atrair os latinos darão frutos. Na eleição presidencial de 2004, os eleitores latinos foram responsáveis por uma parte significativa do eleitorado geral dos democratas nas primárias na Califórnia (16%), Nova York (11%), Arizona (17%) e Flórida (9%), todos estes Estados que realizarão primárias em 5 de fevereiro.

Sergio Bendixen, um analista de pesquisa contratado pela campanha da senadora Hillary Rodham Clinton para estudar as tendências eleitorais dos latinos, disse: "O voto latino nunca foi muito importante nas eleições primárias presidenciais nos Estados Unidos. Mas isto mudará em 2008".

Neste estágio inicial, Hillary Clinton, uma democrata de Nova York, parece estar melhor posicionada para se beneficiar do maior papel latino nas primárias. Ele já obteve um cobiçado apoio, o do prefeito Antonio R. Villaraigosa de Los Angeles, um dos políticos latinos mais proeminentes do país.

Hillary também é bem conhecida e conta com o apreço de muitos latinos, com várias pesquisas nacionais New York Times/CBS News dos últimos meses indicando que cerca de 60% dos eleitores latinos registrados que se identificaram como democratas a vêem de forma favorável, enquanto um quarto não.

Enquanto isso, o senador Barack Obama, democrata de Illinois, continua uma lacuna para muitos eleitores latinos, segundo as pesquisas, com 40% não tendo uma opinião sobre ele. Mas sua biografia poderá se tornar um atrativo à medida que mais eleitores latinos venham a conhecê-lo.

O ex-senador John Edwards é ainda menos conhecido entre os eleitores latinos democratas. Apesar de um terço deles ter uma visão positiva de Edwards e menos de 10% o verem de forma desfavorável, 6 entre 10 foram incapazes de apresentar uma opinião a respeito dele.

O único latino na disputa, o governador Bill Richardson, democrata do Novo México, está trabalhando para formar uma base e estabelecer uma identidade política além do Sudoeste.

Projeto de lei

Muitos democratas ficaram tão incomodados com o projeto de lei de imigração no Senado quanto os republicanos, mas por motivos bem diferentes. Hillary Clinton expressou preocupação com a legislação, particularmente um artigo que dificulta para os imigrantes legais nos Estados Unidos trazerem parentes do exterior. Obama disse que teria apoiado o projeto, mas ele também nutria preocupações semelhantes com o artigo, segundo seus assessores.

No lado republicano, dois dos principais candidatos, o ex-prefeito de Nova York, Rudolph W. Giuliani, e o ex-governador de Massachusetts, Mitt Romney, eram contrários à lei de imigração, apesar do senador John McCain ter tido um importante papel na sua elaboração, apenas para enfrentar uma imensa reação contrária de republicanos conservadores, alarmados com o que chamam de enxurrada de imigrantes.

O revés do projeto de lei -uma grande derrota para o presidente Bush- poderá complicar os esforços republicanos para conquistar o número crescente de eleitores latinos e ajudar os democratas a conquistarem este eleitorado, um prêmio que deverá crescer em importância nas próximas décadas. As pesquisas mostram que os latinos representaram uma parte pequena dos votos republicanos nas primárias de 2000, com sua maior influência ocorrendo na Califórnia, onde representaram 9% dos votos.

O debate em torno da imigração levou eleitores e líderes latinos a se mobilizarem como poucas questões foram capazes em recente memória. A Associação Nacional das Autoridades Latinas Eleitas se uniu à rede de televisão latina Univision em uma campanha nacional para ajudar os residentes latinos a preencherem os pedidos de cidadania e para ajudar aqueles que já são cidadãos a se registrarem para votar.

Stephanie Pillersdorf, uma porta-voz da Univision, disse que o número de latinos que pediram cidadania apenas no condado de Los Angeles aumentou em 146% desde que a campanha teve início há vários meses.

A disputa pelo apoio latino é evidente dentro e fora das campanhas

Na sexta-feira, Hillary Clinton falou aos líderes latinos no Bronx, onde acusou os republicanos de minarem o projeto de imigração no Senado. "O projeto de lei quase foi morto por pessoas que não desejam nenhuma reforma da imigração e não desejam um caminho para a legalização", ela disse. "Há um grande sentimento antiimigração que está influenciando o problema no momento, particularmente no lado republicana."

No início deste mês, Obama viajou a Nevada, um Estado altamente latino que transferiu sua convenção para 19 de janeiro, e deu entrevistas para repórteres de jornal e televisão de língua espanhola.

Edwards, que espera que seu apelo populista atraia o apoio dos latinos, está enviando seu diretor político, David Medina, para se encontrar com membros do Grupo Latino Democrata da Flórida. Richardson alterna entre o inglês e o espanhol em suas paradas de campanha. O senador Christopher J. Dodd, democrata de Connecticut, também gosta com freqüência de exibir sua fluência em espanhol, como quando anunciou sua candidatura na "CNN en Español".

Os republicanos estão fazendo esforços semelhantes. Na sexta-feira, por exemplo, a campanha de Romney anunciou a formação de um comitê para atrair o voto latino.

Estrategistas de várias campanhas democratas disseram que o novo calendário fez com que os eleitores latinos tivessem uma influência ainda maior na escolha dos candidatos presidenciais do que quando Estados como Iowa e New Hampshire estavam basicamente sozinhos entre os primeiros Estados no processo de indicação.

De fato, na disputa de 2004, o senador John Kerry só formou um grupo e operação de mídia voltados aos latinos cerca de cinco meses antes da eleição geral.

Em comparação, a campanha de Hillary Clinton já colocou em operação uma equipe voltada aos latinos que, entre outras coisas, emite regularmente comunicados de imprensa em espanhol e conta com vários representantes que falam inglês, que substituem Hillary em eventos voltados aos latinos. Também designou um papel proeminente para sua diretora de campanha, Patti Solis Doyle, uma descendente de mexicanos que é uma das conselheiras de maior confiança de Hillary e amiga desde seus dias como primeira-dama de Arkansas.

Doyle, que teve um papel crucial na obtenção do apoio recente de Villaraigosa, se disponibiliza para entrevistas para organizações latinas de todo tipo.

Os democratas estão otimistas em relação às suas perspectivas de grandes ganhos entre os eleitores latinos, cientes do progresso que conseguiram nas eleições de 2006 ao Congresso, quando apenas 26% dos latinos votaram nos republicanos. Isto representou uma queda em comparação aos 44% em 2004, quando Bush estava no topo da chapa, segundo as pesquisas nacionais de boca-de-urna conduzidas pela Edison/Mitofsky.

Apesar da popularidade de Bush entre os latinos ter sido um fator para atrair um grande número deles para o Partido Republicano, muitos latinos parecem estar voltando ao campo democrata à medida que os esforços conservadores ganharam força no ano passado para restringir a imigração e construir um muro ao longo da fronteira mexicana.

Os democratas estão fazendo o que podem encorajar tal retorno. Obama viajou várias vezes para Nevada para se encontrar com membros e líderes de um sindicato de funcionários de cozinha, muitos deles mulheres latinas que trabalham nos hotéis e cassinos de Las Vegas. A campanha de Obama disse que o sindicato poderá ter um papel decisivo no comparecimento dos eleitores quando o Estado realizar sua convenção em janeiro.

A campanha também está enviando dezenas de voluntários neste fim de semana para distribuir material de leitura em espanhol em cidades com grande número de latinos, como Los Angeles, San Diego, Las Vegas, Phoenix, Houston e San Antonio, assim como está disponibilizando vídeos em seu site na Internet com opção de legendas em espanhol.

Edwards está apostando que sua campanha antipobreza dos últimos anos, incluindo a ajuda para organização de sindicatos em setores com grande número de trabalhadores latinos, lhe dará uma vantagem.

No início deste ano, ele se encontrou com Arturo Rodriguez, presidente do sindicato dos trabalhadores rurais, e várias centenas de membros do sindicato em Fresno, Califórnia. A campanha de Edwards também enviou proeminentes simpatizantes latinos para atuarem como seus representantes nas paradas de campanha, incluindo a ex-secretária de Justiça do Novo México, Patricia Madrid, que recentemente esteve em Nevada para se encontrar com políticos e ativistas latinos.

Raízes

Se algum candidato pode apelar ao orgulho étnico dos eleitores latinos, este é Richardson, o governador do Novo México, que freqüentemente aponta suas raízes mexicanas (sua mãe é natural do México) quando aparece diante de platéias latinas.

O principal problema para Richardson é que ele é relativamente desconhecido entre os eleitores latinos, assim como para o eleitorado em geral. Para aumentar seu perfil entre os latinos, Richardson se voltou para latinos proeminentes, incluindo Gloria Molina, uma supervisora do condado de Los Angeles, que o apresentou no comício no qual recentemente anunciou sua candidatura.

David Contarino, o diretor de campanha de Richardson, previu que a candidatura deste se tornará uma questão de "interesse e orgulho" entre os eleitores latinos assim que tomarem conhecimento de seu retrospecto e raízes.

"Seu nome é Bill Richardson; isto não necessariamente transmite suas raízes", disse Contarino de forma seca.

*Patrick Healy, em Nova York, contribuiu com reportagem Com a discussão acirrada sobre a imigração e a forte presença de latinos em Estados dos EUA, os democratas em busca da indicação presidencial do partido estão investindo na conquista deste eleitores George El Khouri Andolfato

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