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12/06/2007

Depressão masculina associada a maus relacionamentos entre irmãos

The New York Times
Nicholas Bakalar
Homens que tiveram maus relacionamentos com irmãos durante a infância têm risco significativamente superior de depressão na idade adulta do que os se deram melhor, segundo um novo estudo.

Os pesquisadores enfatizaram que suas conclusões não significam que um relacionamento ruim com um irmão na infância causa depressão, mas dizem que os dois estão fortemente associados. Se os pais foram bons ou maus pais parece ter pouco efeito em seu risco de depressão.

"Pais ruins podem se refletir em maus relacionamentos entre irmãos", disse Robert J. Waldinger, principal autor do estudo e professor de psiquiatria de Harvard. "Mas uma vez que você leva em conta a qualidade dos relacionamentos entre irmãos, saber a qualidade dos pais não acrescenta muito."

As descobertas, publicadas na edição de junho da revista The American Journal of Psychiatry, baseiam-se na análise de dados de 229 homens que foram acompanhados por mais de 30 anos, a partir dos 18 ou 19 anos. Eles foram primeiramente avaliados no período entre 1939 e 1942 por psiquiatras, médicos, psicólogos e antropólogos, e depois preencheram questionários a cada dois anos. Os pesquisadores também entrevistaram seus pais.

Os homens foram novamente entrevistados quando tinham cerca de 25, 30 e 50 anos, e os questionários bianuais continuam até hoje. O formato da pesquisa e o longo acompanhamento são os pontos fortes do estudo.

Com as informações desses questionários e entrevistas, os especialistas classificaram os relacionamentos dos homens com seus irmãos durante a infância e a adolescência e como foram criados por cada pai. Eles também registraram se um pai havia morrido antes da criança ter 18 anos e se havia histórico de depressão na família. Os 26 filhos únicos na amostragem foram excluídos da classificação de relacionamento com irmãos.

Nenhum dos 21 homens que perderam um pai na infância ficou deprimido. Os 15% que tinham maus relacionamentos com a mãe e 16% com histórico de depressão na família sofreram de depressão mais tarde na vida. No entanto, entre os que tinham relacionamentos ruins ou destrutivos com irmãos, 26% tiveram episódios de grande depressão na idade adulta.

O índice significativamente maior para depressão neste grupo continuou mesmo após se levar em conta o histórico familiar da doença, o que sugere que o mau relacionamento com irmãos e irmãs não nasceu de uma tendência genética para a depressão, mas foi um fator de indicação independente.

"Este é um estudo realmente importante", disse Myrna M. Weissman, professora de psiquiatria da Universidade Columbia que não participou do trabalho. "A única advertência é que eram todos homens, e os relacionamentos com irmãos podem ser mais relacionados aos homens do que às mulheres."

Os pesquisadores deram alguns outros exemplos de como os riscos interagem. Um homem cujos pais foram medianos e que não tinha histórico de depressão na família, mas um mau relacionamento com um irmão, teria 9,9% de chance de desenvolver depressão. Um homem similar com um relacionamento bom com ao menos um irmão teria apenas 2,3% de chance de ficar deprimido.

Em um homem com uma experiência de pais média, um histórico familiar de depressão e mau relacionamento com irmãos, o risco de depressão aumenta para 30%.

Os autores admitiram ter colecionado os diagnósticos de depressão antes do surgimento do Manual Estatístico de Diagnóstico de Distúrbios Mentais, que estabeleceu critérios estritos de diagnósticos psiquiátricos. Admitiram também que a amostra pequena consistia apenas de estudantes homens brancos que chegaram à idade adulta na Segunda Guerra Mundial e que foram selecionados especificamente por sua excelente saúde mental.

O estudo não oferece conclusões se a depressão causa interações destrutivas entre irmãos, se os relacionamentos destrutivos são uma indicação da depressão ou se os dois fatores agem um sobre o outro para aumentar os riscos. "Este é apenas um estudo. Precisamos de outros para ver se essa descoberta será confirmada", disse Waldinger. "Os relacionamentos entre irmãos foram subestimados nas pesquisas de desenvolvimento infantil." Deborah Weinberg

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