UOL Notícias Internacional
 

13/06/2007

Gaza fica mais próxima da guerra civil

The New York Times
Steven Erlanger e Isabel Kershner*

Em Jerusalém
Homens armados das facções rivais palestinas do Hamas e Fatah aumentaram acentuadamente sua disputa pela supremacia na última terça-feira (12/6), com o Hamas tomando grande parte do norte da Faixa de Gaza, no que está começando a parecer uma guerra civil.

Cinco dias de ataques por vingança contra indivíduos - incluindo execuções, disparos contra os joelhos e mesmo o empurrar de prisioneiros algemados do alto de prédios de apartamentos - transformaram-se em algo maior e mais organizado: ataques contra símbolos de poder e o envio de unidades militares. Cerca de 25 palestinos foram mortos e mais de 100 ficaram feridos, disseram médicos palestinos.

Em um ataque do Hamas contra um quartel-general de segurança do Fatah no norte de Gaza, perto do Campo Jubaliya, pelo menos 21 palestinos teriam sido mortos e outros 60 teriam ficado feridos, segundo Moaweya Hassanein, do Ministério da Saúde palestino.

Após um alto líder do Fatah no norte de Gaza, Jamal Abu al-Jediyan, ter sido morto na segunda-feira, a Guarda Presidencial de elite do Fatah, que é treinada pelos Estados Unidos e seus aliados, disparou granadas propelidas por foguete contra a casa do primeiro-ministro Ismail Haniya, do Hamas, no Campo de Refugiados Shati, perto da Cidade de Gaza.

Uma hora depois, a ala militar do Hamas disparou quatro morteiros contra o complexo presidencial de Mahmoud Abbas, do Fatah, que está na Cisjordânia, disse Tawfiq Abu Khoussa, um porta-voz do Fatah, em uma entrevista por telefone. "O Hamas está buscando um golpe militar contra a Autoridade Palestina", disse.

O Hamas fez uma acusação semelhante contra o Fatah. O Hamas, que tem uma ideologia islamita, exigiu que as forças de segurança leais ao Fatah, um movimento mais nacionalista e secular, abandonassem suas posições nas regiões norte e central de Gaza.

Os líderes do Fatah disseram na noite de terça-feira que suspenderiam sua participação no governo de unidade com o Hamas, que teve início em março, até o fim dos combates.

Tal acordo de governo conjunto, negociado sob os auspícios sauditas, colocou os ministros do Fatah no governo liderado pelo Hamas em um esforço para garantir uma nova ajuda e reconhecimento internacional, assim como para colocar um fim às lutas já sérias entre as duas facções.

Mas o novo governo fracassou em atingir ambas as metas, parecendo para muitos em Gaza que os homens armados não estavam dando ouvidos aos seus líderes políticos. Abbas está sob crescente pressão para abandonar o governo de unidade que defendeu e tentar novamente ordenar novas eleições, que o Hamas disse que se oporá por todos os meios necessários.

O chefe da equipe de mediação egípcia, o tenente-coronel Burhan Hamad, disse que nenhum dos lados respondeu ao seu pedido na terça-feira para uma trégua para negociações. "Parece que eles não querem vir", disse Hamad, que mediou vários breves cessar-fogos entre as duas facções. "Nós temos que fazê-los se envergonhar de si mesmos. Eles mataram toda a esperança. Eles mataram o futuro." Ele disse ainda que nenhum lado conta com o armamento necessário para obter "uma vitória decisiva".

Talal Okal, um cientista político de Gaza, descreveu o que poderá ocorrer. "Nesta noite, nós podemos nos ver no início de uma guerra civil", ele disse. "Se Abbas decidir mobilizar suas forças de segurança para o ataque, e não apenas para a defesa, nós nos veremos em um ciclo bem mais amplo."

As forças do Fatah foram ordenadas na noite de terça-feira a defender suas posições e a se opor ao "golpe contra o presidente, contra a Autoridade Palestina e contra o governo de unidade nacional".

As ruas das cidades de Gaza novamente ficaram vazias de pedestres e carros. As pessoas saíam para comprar comida, mas apenas no prédio vizinho, e os pais impediram seus filhos de irem à escola.

*Taghreed El-Khodary, na Cidade de Gaza, contribuiu com reportagem George El Khouri Andolfato

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