UOL Notícias Internacional
 

16/06/2007

Após vitória do Hamas em Gaza, sonhos de Estado independente são adiados

The New York Times
Taghreed El-Khodary, em Gaza

e Ian Fisher, em Jerusalém
Esta faixa costeira lotada e empobrecida exibia um clima pós-revolucionário na sexta-feira (15/6): a bandeira verde do Hamas, vitorioso sobre o Fatah no que representou uma guerra civil de cinco dias, tremulava em prédios públicos onde antes havia a bandeira palestina multicolorida.

Apesar de a violência ter praticamente acabado, as pessoas comuns se preocupam não apenas com sua sobrevivência diária, mas em como a rodada de combates internos mortais -que teriam causado 116 mortes- adiou a esperança de um Estado palestino independente e unificado. "Estes são os dias mais sombrios da minha vida", disse Ahmad Sawafiri, um motorista de táxi de 47 anos. "Qual é o resultado de tudo isto? Nós retrocedemos 100 anos."

Sawafiri estava em meio a uma multidão desgostosa na Cidade de Gaza, assistindo a saqueadores pilharem a suntuosa quinta de Muhammad Dahlan, um ex-chefe de segurança do Fatah e rival amargo do Hamas, que não estava em Gaza.

Foi, para muitos palestinos, uma visão confusa e estranha: os combatentes com capuzes pretos e normalmente disciplinados do Hamas, aparentemente movidos pela devoção à Deus, levando candelabros, tapetes, uma banheira - bens terrenos, mas também símbolos do que muitos consideram a corrupção e excessos do Fatah. Após a partida dos combatentes, chegaram os pobres com carroças puxadas por mulas, que levaram pedaços de madeira, metal e até mesmo arrancaram pela raiz as belas plantas do jardim de Dahlan.

"Eu vou explicar para você", disse um saqueador, Mazen Qasas, um vendedor. "Eu tenho 34 anos. Sou casado. Tenho seis filhos. Estou à procura de uma lâmpada, qualquer coisa que possa vender ou usar em minha casa pobre. Somos muito pobres. Isto é propriedade pública. Estas são pessoas muito corruptas", ele disse, se referindo aos líderes do Fatah. "Eles tomam tudo."

Abu Muhammad Ashor, um policial de 33 anos que até recentemente apoiava o Fatah, parecia surpreso e enfurecido com o piso lajota bege fino na sala de estar de Dahlan. "Veja só estas lajotas", ele disse. "Com estas lajotas todos nós poderíamos ter pão diariamente."

Os saqueadores também seguiram para a sede presidencial de Mahmoud Abbas e uma instalação em uma praia de classe alta usada pelos principais membros do Fatah. O Hamas, que construiu seu apoio em parte pela reputação de estar acima da corrupção, condenou os saques, tanto na televisão quanto nos púlpitos no dia de oração muçulmano, como "ilegítimos e contra a religião", exigindo que os saqueadores devolvessem tudo o que pegaram.

Na Cisjordânia, Abbas empossou um novo primeiro-ministro em lugar de Ismail Haniya, do Hamas, que foi afastado por Abbas na noite de quinta-feira. O novo primeiro-ministro é Salam Fayyad, um legislador independente e um ex-economista do Banco Mundial que é respeitado no Ocidente, mas os porta-vozes do Hamas em Gaza dizem que Haniya permanece no cargo.

Apesar de Abbas ter enfrentado muitas críticas dos palestinos por não ter conseguido manter o controle, a nomeação parecia visar escorar uma possível fonte de força: a ajuda externa. Fayyad, que serviu como ministro da Economia no governo de unidade nacional abandonado por Abbas, tem tentado obter apoio para que a ajuda internacional seja enviada por meio de uma conta bancária especial da Organização para a Libertação da Palestina, para contornar o Hamas.

Agora isto pode nem ser necessário, com Israel e o Ocidente abraçando a idéia de um governo sem o Hamas, mesmo se seus poderes ficarem limitados à Cisjordânia.

Como é altamente improvável que os israelenses e países ocidentais comecem a dar dinheiro ao Hamas, que os Estados Unidos e a União Européia classificam como um grupo terrorista, o governo Bush e outros governos deixaram claro na sexta-feira que continuariam a trabalhar com Abbas.

Ao longo do último dia, Israel também sugeriu novamente que poderia transferir gradualmente o restante da receita de impostos palestina, cerca de US$ 562 milhões, retida desde que o Hamas assumiu o poder no ano passado. George El Khouri Andolfato

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