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16/06/2007

Suspeito de envenenamento leva Rússia a investigar a espionagem britânica

The New York Times
Steven Lee Myers

Em Moscou
O serviço de inteligência russo informou nesta sexta-feira (15/6) que deu início a uma investigação criminal da espionagem britânica aqui na Rússia, com base nas declarações e evidências não reveladas fornecidas pelo homem de negócios que é acusado de envenenar Alexander V. Litvinenko, um ex-agente da KGB e um crítico do Kremlin.

O anúncio feito pelo Serviço Federal de Segurança, o sucessor doméstico da KGB soviética, aumenta ainda mais a confusão em torno da investigação de assassinato que azedou as relações entre a Rússia e o Reino Unido. Os países estabeleceram posições radicalmente diferentes sobre o assassinato de Litvinenko e os motivos por trás dele.

Litvinenko morreu em Londres em novembro, após a ingestão de um isótopo radioativo, polônio 210. No mês passado, promotores britânicos acusaram um associado de negócios dele, Andrei K. Lugovoi, de ter executado o envenenamento e exigiram sua extradição.

Lugovoi nega as acusações. Há duas semanas, ele realizou uma coletiva teatral de imprensa na qual acusou o serviço de inteligência estrangeira britânico, o MI6, de ter recrutado Litvinenko e um proeminente magnata russo auto-exilado, Boris A. Berezovsky, e orquestrar o caso todo. Ele disse que eles conspiraram com agentes da inteligência britânica para fornecer informação comprometedora sobre o presidente da Rússia, Vladimir V. Putin.

As afirmações de Lugovoi serviram como base para a nova investigação, disse o Serviço Federal de Segurança por meio de sua breve declaração de sexta-feira, que não menciona quem seria o foco de qualquer acusação potencial de espionagem.

Um porta-voz, Sergei N. Ignatchenko, disse em uma entrevista por telefone que o serviço de segurança está investigando informação que Lugovoi "não divulgou na coletiva de imprensa", apesar de Lugovoi ter sugerido naquela ocasião que tinha evidência incriminadora contra Berezovsky e Litvinenko.

Ignatchenko acrescentou que a investigação se concentra no "trabalho de reconhecimento do serviço de inteligência britânico no território da Federação Russa". Seus comentários sugeriram que a investigação poderá se concentrar em russos que podem ter cooperado com agentes britânicos aqui.

A Rússia já acusou antes o Reino Unido de espionagem. Em 2006, o Serviço Federal de Segurança acusou quatro diplomatas britânicos de se comunicarem com agentes russos usando um dispositivo disfarçado como uma pedra, apesar da Rússia ter optado por não expulsá-los, como é a prática padrão em casos de suspeita de espionagem.

No ano passado, um tribunal russo condenou um oficial aposentado, identificado como sendo o coronel Sergei V. Skripal, de ter passado informação confidencial para o MI6 por uma década. O tribunal o sentenciou a 13 anos de prisão.

A nova investigação parece dar um endosso oficial às afirmações de Lugovoi. Apesar dos investigadores daqui terem dito que estão investigando as circunstâncias da morte de Litvinenko, eles deixaram claro que Lugovoi não é um suspeito. Isto levou a acusações de parentes de Litvinenko e simpatizantes de que a Rússia estava protegendo um suspeito de homicídio.

A Rússia tem se recusado a considerar o pedido britânico de extradição para enfrentar as acusações, já que a Constituição do país a proíbe. As autoridades e imprensa locais continuam zombando das acusações de que Lugovoi possa estar envolvido no assassinato. O procurador-geral da Rússia, Yuri Y. Chaika, disse na quinta-feira que o Reino Unido apresentou o material que levou à decisão de acusar Lugovoi. Mas Chaika o desmereceu como "uma análise de evidência, não mais que isto".

Em Londres, um funcionário britânico, que falou sob a condição de anonimato segundo as regras do funcionalismo público, disse que os promotores "ainda aguardam por uma resposta formal russa" ao pedido de extradição. O funcionário descreveu o caso Litvinenko como um "assunto criminal, não uma questão de inteligência".

*Alan Cowell, em Londres, contribuiu com reportagem George El Khouri Andolfato

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