UOL Notícias Internacional
 

19/06/2007

No horizonte, medicamentos personalizados para a depressão

The New York Times
Dr. Richard A. Friedman
Imagine que você esteja com depressão e procure um psiquiatra que explique que você tem depressão clínica e que se beneficiará de um antidepressivo. Até aqui, tudo bem. Mas então o médico diz que há 60% de chance de que você se sentirá melhor com este antidepressivo e que isto poderá levar entre quatro a seis semanas para ocorrer, período no qual você provavelmente sofrerá alguns efeitos colaterais do medicamento.

Photo Illustration by David Vogin/The New York Times 

Eu acabei de descrever o tratamento farmacológico mais avançado para depressão aguda em 2007. Não me entenda mal; nós temos tratamentos muito eficazes e seguros para uma grande variedade de desordens psiquiátricas. Mas na prática clínica diária, nós temos pouca capacidade para prever que tratamento específico funcionará melhor em você.

Laura é um exemplo. Uma consultora administrativa bem-sucedida com trinta e tantos anos, ela procurou ajuda para uma depressão que a acompanha por toda a vida. Seu tratamento teve início com quatro semanas do antidepressivo Laxapro, um inibidor seletivo de recaptação da serotonina, ISRS, sem qualquer efeito. Em seguida, eu troquei a medicação dela para o Zoloft, outro ISRS, já que a chance de resposta a outro membro da mesma família de medicamentos é de cerca de 60%. Novamente, sem resposta. Então passamos para o Wellbutrin, um tipo totalmente diferente de antidepressivo, mas este também não funcionou. Laura já estava pronta para desistir, e quem poderia culpá-la?

Após quase três meses, eu ainda não tinha encontrado um tratamento eficaz para ela. Então ela veio certo dia e disse que seu pai lhe tinha revelado que sofria de depressão e se deu bem com Prozac, outro, e perguntou se poderia tentar. Em três semanas ela se sentia notadamente melhor e os sintomas de sua depressão começaram a desaparecer.

Em vez da abordagem tentativa e erro que usei com Laura, em breve será possível para um psiquiatra personalizar biologicamente os tratamentos. Com um simples exame de sangue, o médico será capaz de caracterizar o perfil genético singular do paciente, determinar que tipo biológico de depressão ele tem, e que antidepressivo provavelmente funcionará melhor.

Os cientistas identificaram variações genéticas que afetam as funções de neurotransmissores específicos, o que poderia explicar o motivo para alguns pacientes responderem a alguns medicamentos, mas não a outros. Por exemplo, alguns pacientes com depressão que possuem níveis anormalmente baixos de serotonina respondem aos ISRS, que aliviam a depressão, em parte, inundando o cérebro com serotonina. Outros pacientes podem apresentar uma anormalidade em outros neurotransmissores que regulam o humor, como a norepinefrina ou a dopamina, e podem não responder aos ISRS.

Em um estudo publicado em outubro passado na revista "Science", o Dr. Francis Lee, um colega meu do Weill Cornell Medical College, identificou uma mutação genética que poderia potencialmente prever as respostas dos pacientes a uma classe inteira de antidepressivos.

Ele inseriu em um camundongo uma variante defeituosa do gene humano para o fator neurotrófico derivado do cérebro, uma proteína que é aumentada no cérebro com o tratamento com ISRS e é fundamental para a saúde dos neurônios. Então ele sujeitou estes camundongos "humanizados" ao estresse e descobriu que eles não respondiam ao Prozac com diminuição da ansiedade. O que ficou implícito é que pessoas com esta variante não responderão a qualquer ISRS, que exige o funcionamento normal do fator neurotrófico. Um psiquiatra poderia identificar esta variante genética e então indicar ao seu paciente uma classe diferente de antidepressivos. George El Khouri Andolfato

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