UOL Notícias Internacional
 

21/06/2007

Lembrando da princesa que chamavam de mãe

The New York Times
Craig S. Smith

Em Mônaco
Muito antes da atual safra de celebridades-atores ruins com suas passagens pela cadeia e visitas a clínicas de reabilitação, havia os filhos Grimaldi, as crianças selvagens da Riviera, que mantiveram uma geração de paparazzi e colunistas de fofoca ocupados com seu comportamento escandaloso.

Nora Feller/The New York Times 
O príncipe Albert 2º em frente a um retrato de sua mãe, a ex-atriz Grace Kelly

O príncipe e princesas de Mônaco provocavam o mundo com seu divertimento público e casos não tão privados. A mais jovem, Stephanie, levou para cama uma sucessão de homens - um piloto de provas, seu guarda-costas, o mordomo do pai, um treinador de elefante e um artista de trapézio, apenas para citar alguns - e deu à luz três filhos ao longo do caminho.

Mas agora todos os Grimaldi cresceram e um certo ar de respeitabilidade se estabeleceu em torno deles. O príncipe Albert 2º e seus advogados resolveram os processos de paternidade que o perseguiam, reconhecendo ser pai de um menino e uma menina nascidos de mulheres diferentes. A princesa Caroline se assentou com um príncipe alemão. Até mesmo a princesa Stephanie desapareceu das páginas sociais.

Durante uma recente entrevista em seu palácio, Albert, 49 anos, atualmente encarregado do principado, refletiu sobre o evento que ajudou a lançar ele e suas irmãs em seus anos de dificuldades: a morte trágica e repentina da mãe deles, a ex-atriz Grace Kelly, cujo casamento com o príncipe Rainier 3º de Mônaco ocorreu em uma época anterior à imprensa tornar as indiscrições privadas da realeza alimento de noticiários.

"É óbvio que foi difícil para todos nós", disse o príncipe. "Eu levei algum tempo para superá-la e tentar ajudar minha família, ajudar meu pai o máximo possível." Agora, 25 anos após sua morte, os filhos estão celebrando a vida de sua mãe exibindo alguns de seus pertences mais pessoais. Centenas de objetos - de cartas a vestidos - serão exibidos no principado neste verão europeu. Uma exposição menor, separada, viajará para a Sotheby's em Nova York, em outubro.

A princesa Grace tinha 52 anos quando saiu da pista em uma curva fechada enquanto dirigia para o palácio, vinda do retiro da família, Roc Agel, bem acima de Mônaco. O Rover verde dela rolou mais de 36 metros antes de parar de cabeça para baixo.

"Ela tinha acabado de deixar a propriedade da família e eu ainda estava lá, e a tinha visto porque ela veio ao meu quarto e tentou me tirar da cama", lembrou Albert, erguendo as sobrancelhas em uma expressão de resignação. "Eu estava tomando café da manhã quando meu pai nos deu a notícia."

A morte atingiu mais duramente Stephanie, que estava no carro no momento do acidente. Ela tinha 17 anos na época e estava em uma batalha com sua mãe devido ao seu caso com Paul Belmondo, um piloto de provas e filho do ator francês Jean-Paul Belmondo. Ela sobreviveu com ferimentos leves.

"Lidar com o fato de ter estado no acidente teve grande relevância nos anos difíceis que se seguiram", disse o príncipe. "Nós todos o subestimamos. Muitas pessoas o fizeram. Muitas pessoas de fora da família subestimaram o trauma que ela sofreu."

A imprensa especulou por anos que discussão entre mãe e filha distraiu a princesa Grace e causou o acidente, ou mesmo se era Stephanie quem estava ao volante. A verdade foi bem mais banal: os médicos concluíram que a princesa Grace sofreu um tipo de ataque, provavelmente um pequeno derrame.

Tanto Albert quanto Caroline também pareceram se desorientar após o acidente. Albert esbanjava mulheres, deixando pelo menos duas grávidas. Caroline, após o fracasso de seu primeiro casamento, perdeu seu segundo marido em um acidente de lancha em 1990 e se casou com o príncipe Ernst August de Hanover, que ganhou reputação por seu comportamento bêbado rude.

Hoje, sem seu pai (Rainier morreu em abril de 2005), com Albert no trono e com os escândalos para trás, os filhos decidiram que era hora de olhar para trás para o legado de sua mãe americana, incluindo sua carreira em Hollywood.

"Outras pessoas queriam celebrar a memória dela de maneiras diferentes, achamos que seria o momento mais oportuno para celebrar sua vida", disse o príncipe, sentado na sala do palácio onde foi empossado como soberano.

Albert, juntamente com suas irmãs, selecionou centenas de itens entre os pertences de sua mãe para exibição pública, a partir de 12 de julho no Grimaldi Forum, o centro de conferência moderno à beira mar. "Foi basicamente um processo familiar", disse o príncipe, acrescentando que não via muitas das coisas desde que era criança. "Não foi um processo doloroso. Foi emotivo, mas prazeroso."

Albert disse esperar que a exposição ajude a manter viva a memória de sua mãe para uma nova geração. Há mais do que motivos sentimentais para fazê-lo: o glamour que a princesa Grace trouxe com ela de Hollywood ajudou a reviver a sorte em declínio de Mônaco após a guerra, e a fantasia de conto de fadas é igualmente importante para manter o principado atrativo como destino de convenções e turismo.

Usando uns óculos de aro de metal e um terno azul escuro, Albert falou sobre conciliar a mãe que conheceu com o ícone das telas visto pelas outras pessoas. "Nós assistíamos alguns dos filmes dela na presença dela, e era um tanto estranho vê-la na tela e virar a cabeça e tê-la ao seu lado", ele disse.

Como único filho e herdeiro do trono, Albert tinha um laço particularmente estreito com sua mãe enquanto seu pai era famosamente distante. "Às vezes há um relacionamento muito especial entre mãe e filho", ele disse. "Ela dizia que eu tinha bons instintos e que devia tentar segui-los", ele acrescentou.

Os filhos ilegítimos do príncipe sugerem que ele ignorou tal conselho por anos. Famosamente promíscuo, ele lutava para manter suas amantes fora dos jornais enquanto seus pais estavam vivos. Em conseqüência, por muito tempo ele se sentia frustrado com os rumores de que era gay. "Eu não tenho nada contra pessoas deste tipo, só não sou uma delas", ele disse em uma entrevista em 2005.

Ele reconheceu a paternidade de um filho, Alexandre, e uma filha americana, Jazmin Grace Grimaldi, atualmente com 15 anos. Ela é filha de uma mulher da Califórnia que ele conheceu quando ela estava de férias na Rivierad'Azur. "Eu a vi e ficou tudo bem", o príncipe disse sobre Jazmin.

Nenhum deles será herdeiro do título de Albert porque a Constituição de Mônaco proíbe que filhos ilegítimos assumam o trono. A sucessão passará para os filhos das irmãs de Albert caso ele morra sem um herdeiro. Recentemente ele tem sido visto como Charlene Wittstock, uma nadadora olímpica da África do Sul.

Quando perguntado sobre se tinha algo a dizer sobre um eventual casamento - um tema de infindável especulação no principado - ele diz: "Não. Nada. Nenhum plano no momento". George El Khouri Andolfato

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