UOL Notícias Internacional
 

21/06/2007

Um líder do Hamas adverte do perigo da Cisjordânia para o Fatah

The New York Times
Steven Erlanger

Na Cidade de Gaza
Mahmoud Zahar, talvez o mais influente líder do Hamas em Gaza, advertiu na quarta-feira (20/6) que o esforço da Fatah em reprimir o Hamas na Cisjordânia poderia levar à queda da Fatah também nesta região.

Em uma entrevista, Zahar, ex-ministro de relações exteriores palestino, disse que o Hamas não ia ficar quieto se seu rival político, Fatah, dominante na Cisjordânia e patrocinado pelos EUA e Israel, continuasse atacando as instituições e os políticos do Hamas.

"Se eles continuarem a desmantelar as eleições locais e punir o Hamas na Cisjordânia, os EUA e Israel terão outra surpresa na região", disse Zahar. Perguntado como, ele disse: "A forma como nos defendemos contra Israel e contra esta ocupação". Pressionado a dizer se isso significava ataques e explosões suicidas, ele sorriu e replicou: "O senhor disse isso." Depois, acrescentou: "Estamos pondo fim ao reino dos espiões e colaboradores da Fatah."

Nos últimos dias, atiradores da Fatah vêm atacando e queimando instituições do Hamas na Cisjordânia, e suas forças prenderam uma série de agentes do Hamas. Zahar, médico que foi alvo no passado de forças israelenses que mataram um de seus filhos e seu genro, falou no dia em que Mahmoud Abbas, presidente palestino da Fatah, disse que não ia negociar com o Hamas. Em um discurso na televisão, Abbas disse que "não há diálogo com esses terroristas assassinos", e acrescentou: "Nosso principal objetivo é impedir que a sedição se espalhe para a Cisjordânia."

Também na quarta-feira, ao menos seis militantes palestinos foram mortos em combates com soldados israelenses em Gaza e na Cisjordânia, e as forças aéreas israelenses atacaram dois lançadores de foguetes no Norte de Gaza, após o lançamento de foguetes contra Israel. Foi a primeira vez que militares israelenses reagiram a fogo de foguete ou confrontaram palestinos em Gaza desde que o Hamas assumiu o poder na semana passada.

Cerca de nove foguetes Qassam foram lançados de Gaza contra Israel, e um israelense ficou levemente ferido. A Jihad Islâmica e as Brigadas de Mártires al Aqsa, ligadas à Fatah, assumiram a responsabilidade.

Em sua entrevista, Zahar fez uma forte defesa da capacidade do Hamas de derrotar o que ele chamou de planos americanos de destruir o Hamas e seu governo.

A primeira surpresa para eles, disse Zahar, foi quando Israel não conseguiu interromper o levante palestino, ou intifada; a segunda foi quando "a resistência conseguiu expulsar Israel de Gaza", a terceira, quando "o Hamas venceu as eleições legislativas de janeiro de 2006"; a quarta, quando "eles pensaram que o Hamas ia colapsar como governo em três meses, devido às suas sanções", e por fim, a recente expulsão da Fatah, destruindo o que ele chamou de plano americano-israelense de "acabar com o Hamas militarmente".

Zahar disse que não havia alternativa, senão reiniciar as negociações políticas para obter um consenso entre o Hamas e a Fatah. Abbas, com o apoio americano, demitiu o governo de união liderado pelo Hamas e nomeou um novo ministério de emergência, que atualmente governa apenas a Cisjordânia. Sob a lei palestina, seus poderes devem ser renovados por um ato legislativo. Mas o Hamas domina a legislatura, que não tem quorum em nenhum evento desde que Israel deteve até um terço de seus membros porque eram do Hamas.

O Hamas fez um comício aqui na noite de quarta-feira, para protestar contra o discurso de Abbas. "O que ele disse foi revoltante e não foi apropriado para o presidente palestino", disse um porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri.

Mustafá Sawaf, editor-chefe de um jornal do Hamas, Felesteen, inaugurado há quatro meses, disse que o Hamas agora se sentia forçado a um confronto. O Hamas tem seu próprio serviço de inteligência, que estava plenamente ciente do que ele chamou e planos da Fatah. "A Fatah estava se preparando para se livrar do Hamas", disse ele.

O general Keith W. Dayton, coordenador de segurança americano para os palestinos, estava promovendo uma ajuda de US$ 80 milhões (em torno de R$ 160 milhões) para treinar e equipar a Guarda Presidencial de Abbas, observou Sawaf.

"O governo americano opôs-se ao governo de união e trabalhou duro com palestinos próximos a Abbas para derrotar o governo de todas as formas, mesmo que levasse à guerra civil", disse ele.

"Então, com tudo isso, seria lógico o Hamas esperar até ser esmagado?", perguntou Sawaf. "Se você encurrala um gato e fica batendo nele, ele vai reagir."

Os americanos dizem que seu esforço para ajudar, treinar e equipar as forças de elite da Fatah era para proteger os cruzamentos israelenses e deter o Hamas, não para iniciar uma guerra civil.

Sawaf admitiu que o Hamas vinha desenvolvendo um planejamento militar por algum tempo, mas ele mesmo ficou surpreso com a baixa moral das forças da Fatah e como desintegraram-se rapidamente. Houve relatos que o Hamas vinha se preparando cuidadosamente, cavando túneis para explosivos sob a sede da Segurança Preventiva em Khan Yunis, por exemplo, mas isso foi negado por Sawaf. "Só cavamos túneis para tentar nos proteger dos aviões israelenses", disse ele. "Cavamos para tentar atingir forças israelenses" no evento de outra incursão, da mesma forma que a Hezbollah combateu as tropas israelenses no Sul do Líbano, disse ele.

Em seu discurso, Abbas, conhecido como Abu Mazen, novamente acusou o Hamas de cavar um túnel sob a estrada para matá-lo, mas "os israelenses passariam pela mesma estrada", disse Sawaf. "Se o Hamas quisesse matar Abu Mazen, seria fácil. Não seria preciso um túnel."

O escritório de Sawaf em Ramallah, na Cisjordânia, foi destruído, e o jornal palestino Al Ayyam recusou-se a continuar imprimindo seu jornal na Cisjordânia. Deborah Weinberg

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