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26/06/2007

A glória da França restaurada para o ideal deslumbrante de Luís 14

The New York Times
Alan Riding

Em Versailles, França
Por grande parte dos três últimos anos, os visitantes do Palácio de Versalhes tinham razão para se sentirem desapontados: o Salão dos Espelhos, a mais deslumbrante jóia do palácio, passava por extensa restauração, com apenas metade de sua galeria de 67m aberta.

Michael Kamber/The New York Times 

Nesta semana, após uma reforma de US$ 16 milhões (cerca de R$ 32 milhões), o espetáculo voltou à sua plenitude, e o salão está o mais perto do que foi para Luís 14 em 1684. Com seus 357 espelhos, 17 portas de vidro, paredes de mármore, candelabros e pinturas no teto, ele continua sendo uma visão de tirar o fôlego, tamanha a majestade - como era a intenção do Rei Sol.

Ainda assim, não está como novo. O tempo deixou suas marcas, e apesar de não serem evidentes para a maior parte dos visitantes, os especialistas sabem onde se escondem. Descrevendo a galeria como "uma senhora impressionante", Frederic Didier, arquiteto que supervisiona os monumentos históricos da França, disse: "Todas as rugas em seu rosto contam uma história".

Apesar de o salão ter sofrido reparos apenas 15 anos após sua inauguração, esta é a primeira vez em mais de três séculos que foi limpo e restaurado de cima abaixo: dos 30 quadros de Charles Le Brun que decoram a extensão do teto abobadado até os 7.800 metros quadrados de piso de parquê.

O projeto foi financiado e administrado pela empresa de construção francesa BTP Vinci, no que é descrito como o maior exemplo de patrocínio cultural corporativo na França até hoje.

Também foi uma empreitada complexa, que exigiu a coordenação de trabalhos de restauração de especialistas em muitos campos diferentes, desde a lustração e reparo de esculturas até o preenchimento de falhas no mármore. Até eletricistas, cujo ofício era definitivamente desconhecido no século 17, foram contratados para fiar os candelabros.

Vincent Guerre, artesão do Sul da França, foi chamado para restaurar os espelhos que cobrem uma parede da galeria e refletem os esplêndidos jardins do palácio. Ele se orgulha de ter substituído apenas 48 dos 357 espelhos, em muitos casos usando os chamados espelhos de mercúrio encontrados no Senado francês.

"Alguns espelhos foram substituídos no início do século 19, mas 60% são os que estavam lá sob Luís 14", disse na reinauguração do salão, na segunda-feira (25/6). "Este é um lugar mágico, um testemunho de uma era."

A maior parte dos espelhos reflete sua idade com sua aparência enfumaçada e distorções ocasionais. Dois foram arranhados com nomes: "René" e "Emma 1842". "São espelhos antigos, então tivemos que escolher entre substituí-los e preservar o passado", disse Guerre. "Decidimos mantê-los, esperando não dar idéias a ninguém."

A restauração mais difícil envolveu as pinturas que representam uma homenagem monumental às vitórias militares de Luís 14 nas Guerras Holandesas das décadas de 1660 e 1670 e pela primeira vez o retratam como uma pessoa, em vez de uma figura mitológica. Estão dispostos como narrativa, passando da guerra à paz.

"Todos foram projetados por Le Brun usando centenas de desenhos", disse Veronique Sorano, da equipe de restauração. "Depois, foram pintados sobre telas e presos ao teto. Le Brun trabalhou com um time, mas não sabemos se ele mesmo pintou algum."

Cada pintura a óleo é acompanhada de uma descrição, que tradicionalmente estaria em latim. Mas neste caso, também pela primeira vez, foram escritas em francês por ninguém outro que Jean Racine e o poeta Nicolas Boileau. Cada óleo é acompanhado da data do evento retratado, como "Cruzando o Reno na presença dos inimigos 1672".

O quadro central, "O Rei governa por si mesmo 1661" registra o momento em que, após ter assumido o trono em 1643, aos quatro anos, Luís finalmente assumiu o poder direto. Ele morreu em 1715, quatro dias antes de seu 77º aniversário.

Esta tela, como muitas outras, exigiu a remoção do verniz e da tinta de restaurações anteriores, retoque das áreas permanentemente danificadas e aplicação de camada protetora e nova fixação no teto.

"A idéia era remover tudo que escondia o original", disse Sorano. "Mas quando o original estava perdido, então deixamos as restaurações posteriores como parte da história da tela. Com algumas pinturas, tivemos que dar retoques extensivos, mas outras estavam em boas condições. A idéia era preservar o estado atual de envelhecimento das obras."

Isso feito, o Salão dos Espelhos está novamente pronto para receber os 3 milhões de visitantes anuais do palácio. Mas a restauração continuará até 2020, quando o projeto de US$ 455 milhões (em torno de R$ 910 milhões) da Grande Versalhes deve terminar. Algumas fachadas já foram limpas e novos telhados foram instalados.

É seguro dizer que o trabalho de manutenção nunca termina quando uma propriedade tem 700 quartos, 2.153 janelas, 352 chaminés e 113.000 metros quadrados de telhado. Mas este evidentemente não era um problema que preocupava Luís 14 quando decidiu impressionar o mundo com Versalhes. Deborah Weinberg

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