UOL Notícias Internacional
 

30/06/2007

Polícia desarma bombas encontradas em dois carros em Londres

The New York Times
Alan Cowell*

Em Londres
Londres se viu diante de uma ameaça terrorista nesta sexta-feira (29/6), quando a polícia encontrou dois sedãs Mercedes cheios de gasolina, pregos e latas de gás estacionados perto de Piccadilly Circus, no movimentado distrito de lazer de West End.

A polícia desarmou ambas as bombas, mas se tivessem explodido "poderia ter ocorrido um número significativo de feridos e perda de vidas", disse Peter Clarke, um alto oficial da polícia antiterrorismo do Reino Unido, aos repórteres.

Horas depois, Clarke disse em outra coletiva de imprensa, na New Scotland Yard, que o segundo carro, estacionado ilegalmente na Cockspur Street, a poucas centenas de metros do primeiro em Haymarket, foi armado como o primeiro, acrescentando: "Os veículos claramente estão ligados".

Especialistas em segurança disseram que nenhum dos materiais de bomba nem os detonadores por celular eram particularmente sofisticados. Sajjan M. Gohel, um especialista em contraterrorismo da Asia-Pacific Foundation, disse que nem o ataque "parece ter sido bem planejado".

Mas a idéia de um múltiplo ataque usando carros-bomba - um distanciamento dos ataques suicidas com mochilas como nos atentados em Londres de julho de 2005 - aumentou a preocupação entre os especialistas em segurança de que os grupos jihadistas ligados à Al Qaeda podem ter importado táticas mais familiares ao Iraque.

Ambas as bombas parecem ter sido descobertas por acaso.

No primeiro caso, uma equipe de ambulância alertou a polícia após ter visto o que achou ser uma fumaça dentro de um Mercedes prata-esverdeado, estacionado em frente ao clube noturno Tiger Tiger, em Haymarket. A polícia desarmou manualmente um artefato explosivo nas primeiras horas da madrugada, mas só revelou o episódio na manhã de sexta-feira.

Então, após um dia de crescente tensão e relatos de uma segunda bomba, a polícia confirmou na noite de sexta-feira que encontrou um Mercedes azul preparado para explodir em um estacionamento em Park Lane, para onde foi levado após ser multado e guinchado. Agentes de trânsito disseram que sentiram o cheiro de gasolina vindo do veículo. O carro foi guinchado por volta das 3h30 da manhã, cerca de duas horas e meia depois da descoberta do primeiro veículo, disse a polícia.

Se a intenção era que os carros explodissem de forma espetacular, o plano claramente deu errado. A "ABC News" noticiou que as autoridades de segurança britânicas disseram ter visto uma imagem "clara como cristal" em um vídeo de segurança do motorista saindo do Mercedes verde, e que ele tinha "muita semelhança" com um homem preso em um plano de atentado anterior, mas solto por falta de evidência.

Uma autoridade de segurança britânica confirmou em uma entrevista na sexta-feira que as autoridades estavam preocupadas com o fato do suposto responsável poder ser uma pessoa já conhecida das autoridades e que escapou de vista após "cruzar o radar" em uma conspiração diferente.

Nas últimas semanas, vários suspeitos de terrorismo que supostamente deveriam ter seus movimentos restringidos pelas chamadas ordens de controle desapareceram, mas é provável que tenham fugido para o exterior, disse a autoridade.

As tentativas de atentado a bomba, assim como o potencial de nova violência, representam um desafio imediato para o novo primeiro-ministro, Gordon Brown, que convocou uma reunião do alto comitê de segurança do Reino Unido - chamado Cobra, de Cabinet Office Briefing Room A - para avaliar a gravidade da situação.

Ao longo de um dia nervoso em Londres, a polícia barrou pessoas e veículos de Park Lane e pediu a outras que deixassem o vizinho Hyde Park, porque as autoridades tinham suspeitas, posteriormente confirmadas, sobre o carro no estacionamento subterrâneo.

Fleet Street, que leva do centro de Londres ao tradicional distrito financeiro no leste, também foi isolada, mas posteriormente reaberta. Os fechamentos deixaram trechos do centro de Londres congestionados, em uma tarde movimentada de sexta-feira, quando as ruas estão normalmente lotadas.

Alguns londrinos pareciam inalterados com a notícia dos ataques fracassados. "É algo com que você se acostuma vivendo em Londres", disse Andrew Fowler, um advogado de 39 anos que bebia café em um café ao ar livre perto de Piccadilly. "E dada a posição adotada por nosso governo em relação à guerra no Iraque e em outras partes, eu acho que estamos nos acostumando a sermos um alvo."

O alerta, que fechou ruas ao redor de Haymarket, fez algumas pessoas dos escritórios próximos irem para as ruas para descobrir o que estava acontecendo.

"Só quando sai para trabalhar eu percebi o que estava acontecendo", disse Renee Anderson, 32 anos, uma neozelandesa da missão diplomática de seu país na vizinhança. "Eu me senti surpreendentemente inalterada com aquilo. Nós todos meio que pensamos: 'Bem, você podia ter sido atropelada por um ônibus'."

As notícias do caso vieram à tona durante o café da manhã dos britânicos, quando um porta-voz da polícia disse que peritos em explosivos tinham descoberto um "artefato explosivo potencialmente viável" em um veículo. As organizações de notícias britânicas citaram testemunhas que disseram ter visto policiais removendo o que pareciam ser cilindros de gás propano e um grande número de pregos do carro.

A "Sky News" citou uma testemunha que disse que o carro estava sendo conduzido erraticamente antes de colidir com latas de lixo, e que o motorista fugiu correndo. Clarke, a autoridade de contraterrorismo, não confirmou tal versão dos fatos.

O clube noturno Tiger Tiger estava lotado com centenas de pessoas no momento em que a primeira bomba foi descoberta. Uma mulher no clube, Rajeshree Patel, disse para a "BBC" que o Mercedes estava com todas as suas portas abertas e faróis acesos. "Eu acho que teria ocorrido muitas mortes" se o carro tivesse explodido, ela disse. "Havia aproximadamente 500 pessoas dentro do Tiger Tiger no momento."

Haymarket é uma área de bares, lojas e teatros que atrai dezenas de milhares de visitantes e farristas. Dois teatros de Haymarket cancelaram as apresentações da noite de sexta-feira.

A descoberta ocorreu um dia depois do novo primeiro-ministro, Brown, ter formado seu primeiro governo e perto do segundo aniversário dos atentados de 7 de julho de 2005, nos quais homens-bomba suicidas mataram 52 pessoas no metrô de Londres.

Jack Straw, que foi nomeado ministro da Justiça por Brown, disse que os membros do governo foram informados sobre a descoberta várias horas antes da divulgação pela polícia, que foi feita em meio à hora do rush matinal.

Não houve alteração imediata do nível de ameaça declarado pelas autoridades britânicas. Segundo o site do MI5, o serviço de segurança doméstico britânico, o atual nível permanece em severo, o que significa que um ataque é "altamente provável", como tem se mantido desde agosto de 2006.

Alguns londrinos disseram que o alerta de sexta-feira aumentou a sensação de suspeita em torno de pessoas de origens diferentes. Após o mais recente susto, disse Sanjay Karsan, 22 anos, um inglês descendente de indianos, "eu temo que se andar por aquela rua eles vão suspeitar de mim".

Mas em geral, ele disse que a postura das outras pessoas nas ruas de Londres não o incomoda. "As pessoas dão alguns olhares, é desconfortável, mas não vou fazer nada", ele disse. "Se elas querem se preocupar, que se preocupem."

*Pamela Kent, Beth Gardiner e Raymond Bonner, em Londres, e David Johnston e Mark Mazzetti, em Washington, contribuíram com reportagem George El Khouri Andolfato

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