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04/07/2007

Reação de Brown a atentados terroristas acalma britânicos

The New York Times
Alan Cowell

Em Londres
Antes de Gordon Brown assumir o poder como o novo primeiro-ministro britânico, questionava-se muito se os eleitores receberiam bem esse escocês circunspecto, metódico e detalhista, especialmente após passarem tantos anos ouvindo a oratória altaneira do seu predecessor, Tony Blair.

A resposta veio mais rapidamente do que se pensava, com os ataques terroristas frustrados em Londres, na sexta-feira, e no Aeroporto de Glasgow, no sábado, apenas alguns dias após Brown ter ocupado o cargo.

Para os seus admiradores, ao que parece, foi exatamente a circunspecção de Brown que ofereceu um antídoto contra o teatral Blair.

Em um discurso algo rude à nação no sábado e em uma entrevista à BBC no domingo, Brown minimizou a ameaça, tratando os episódios como um crime, e não como uma ameaça à civilização. Mas a sua abordagem minimalista pareceu acalmar os britânicos, muitos dos quais estavam cansados da visão apocalíptica de Blair com relação ao terrorismo.

"Gordon Brown começou bem como primeiro-ministro", escreveu na terça-feira (3/7) Peter Riddell, um colunista político do jornal "The Times", de Londres, afirmando que o índice de aprovação do novo premiê no que diz respeito a força e liderança estavam "disparando" após os ataques fracassados.

Ele também recebeu boas avaliações de grupos de direitos civis. "Até o momento, pelo menos, Brown passou no primeiro teste do seu governo", afirmou no último domingo Shami Chakrabarti, o diretor do "Liberty". "Ele não fez jogos políticos com a ameaça terrorista, e tratou os acontecimentos deste final de semana de uma forma operacional, e não política".

Talvez seja muito cedo para afirmar se tal abordagem discreta foi fruto da personalidade de Brown, da sua inexperiência com o topo do universo político britânico ou se foi uma questão de cálculo político. Mas o fato é que a sua resposta foi tão bem recebida que ela poderá influenciar o seu pensamento à medida que Brown se confrontar com os desafios provavelmente maiores que tem pela frente.

Como um outrora leal assessor de Blair durante dez anos do governo trabalhista, Brown arca com grande parte da responsabilidade pela situação de um país no qual os políticos são vistos com suspeição e as pessoas sentem-se alienadas dos seus líderes. Mas ele quer oferecer uma nova direção, e na verdade precisa bastante fazer tal coisa, caso queira reverter a popularidade em queda dos trabalhistas.

O seu objetivo é, em parte, escapar das acusações dos seus oponentes de que - conforme Sir Menzies Campbell, o líder do pequeno partido oposicionista liberal-democrata, colocou na terça-feira - "as suas impressões digitais estão espalhadas pela cena dos crimes" cometidos durante os dez anos que Blair chefiou o país.

Na terça-feira, no parlamento, Brown revelou propostas com o objetivo de dividir poder com o centro, de forma favorável ao povo. É verdade que os alertas de segurança em todo o país eclipsaram aquele que seria um grande discurso. Mas Brown, não obstante, apresentou propostas que incluem a criação de um conselho de segurança nacional, maior supervisão parlamentar do processo de coleta de inteligência e aquilo que ele chamou de "uma democracia britânica do século 21 mais aberta".

A criação de um conselho de segurança nacional parece ter como objetivo conter uma ameaça terrorista que ele procurou retratar menos como o resultado de um islamismo pervertido - a visão de Blair - do que como um crime que deveria ser abordado de forma holística.

"Venho dizendo há algum tempo que a longa e continuada obrigação quanto à segurança exige que nós coordenemos as ações militares, policiais, de inteligência e diplomáticas - e também que conquistemos os corações e mentes neste país e em todo o mundo", disse Brown ao parlamento.

Porém, à medida que ele procura se distanciar de Blair, o novo primeiro-ministro não está conseguindo tudo da forma que deseja. Os seus oponentes políticos parecem determinados a vinculá-los às políticas de Blair e, embora a sensação de unidade nacional criada pela ameaça terrorista tenha proporcionado uma pausa para o confronto, a lua-de-mel mostrou ter curta duração.

No parlamento, David Cameron - cujo próprio Partido Conservador está confuso - usou o passado para lembrar aos potenciais eleitores que Brown foi um dos protagonistas principais em um governo maculado por uma imagem de protelador e não confiável no que diz respeito ao Iraque e a outras questões.

Cameron se concentrou, por exemplo, no fato de Brown ter passado dez anos apoiando o seu predecessor, "no cerne de um governo que fez mais do que qualquer outra na memória recente para destruir a confiança". UOL

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