UOL Notícias Internacional
 

06/07/2007

Deixando o cargo, o enviado americano à Venezuela ouve: "Por que a pressa?"

The New York Times
Simon Romero

Em Caracas
Funcionários do Departamento de Estado norte-americano que estão de olho no cargo de principal enviado de Washington na Venezuela, tomem nota: o embaixador William Brownfield está de partida após passar três anos no posto. Durante esse período conturbado ele enfrentou diversos problemas. Por exemplo, o seu carro foi alvo de ovos lançados por manifestantes, e ele recebeu ameaças de expulsão por parte do presidente Hugo Chávez.

Brownfield ofereceu "duas regras para quem quer que ocupe este cargo no futuro" durante uma entrevista na quinta-feira (5/7), antes de partir para Bogotá, onde ele será o embaixador dos Estados Unidos na vizinha Colômbia.

"É absolutamente necessário que se tenha uma paciência de Jó; se você não for um homem ou uma mulher extremamente paciente, este emprego o deixará louco", disse Brownfield, um nativo do oeste do Texas que era chamado de "O Texano" pela mídia venezuelana devido à sua abordagem arrogante marcada por trocas de farpas verbais com o governo Chávez.

"A segunda regra é que é melhor que a pessoa tenha senso de humor, porque quem não tiver senso de humor neste país específico e neste período específico, logo se tornará suicida", acrescentou Brownfield.

O gosto do embaixador pela ironia foi manifestado na comemoração do Dia da Independência dos Estados Unidos na embaixada norte-americana nesta semana. Na ocasião ele usou uma camiseta com os dizeres, "Uh! Ah! Brownfield ESTÁ partindo!", em uma alusão ao slogan pró-Chávez, "Chávez NÃO ESTÁ partindo", entoado durante manifestações. A camiseta do embaixador era de um vermelho vivo, a mesma cor adotada pelo governo Chávez.

Patrick Duddy, um funcionário graduado do Departamento de Estado com passagens pelo Brasil e pela Bolívia, substituirá Brownfield como embaixador em um momento no qual as crescentes nacionalizações promovidas por Chávez estão mostrando a porta de saída para companhias norte-americanas como a Exxon Mobil, a ConocoPhillips, a Verizon Communications e a AES Corporation.

Nicolas Maduro, o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, avaliou o período de Brownfield na Venezuela como sendo "um fracasso". "Nós aconselhamos os nossos irmãos colombianos a terem muito cuidado", disse Maduro aos jornalistas na quinta-feira. "William Brownfield veio à Venezuela com uma única missão: desestabilizar o governo do presidente Chávez e ajudar a derrubá-lo".

De fato, a desconfiança em relação a Washington persiste no governo Chávez desde que o governo Bush ofereceu indiretamente apoio a um golpe em 2002 que removeu Chávez brevemente da presidência. Desde então Chávez alega freqüentemente que os Estados Unidos montam complôs para derrubá-lo ou invadir a Venezuela, afirmações que Brownfield sempre negou.

Neste momento em que Chávez retorna de uma viagem de uma semana ao Irã, onde estreitou uma aliança com o presidente Mahmoud Ahmadinejad, e à Rússia, onde discutiu a compra de até cinco submarinos movidos a diesel, Brownfield afirma que a relação entre Estados Unidos e Venezuela ainda não chegou ao nível mais baixo.

"Esta relação ainda piorará antes de melhorar", afirmou Brownfield, que procurou reduzir a tensão bilateral durante o período passado aqui doando luvas e tacos em campos de beisebol de todo o país. "Precisamos aceitar esta realidade". UOL

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,13
    3,270
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,51
    63.760,94
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host