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06/07/2007

Imagem verde de Schwarzenegger é arranhada por mudança em agência

The New York Times
Jesse McKinley*

Em San Francisco
No último ano, o governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger - ele e seu incrível bronzeado permanente - ganhou um tom notadamente verde. Em setembro, Schwarzenegger, um republicano, sancionou uma lei importante de redução de emissões, e depois dirigiu um ônibus verde durante sua tranqüila campanha para reeleição. De lá para cá, ele anunciou que compensaria suas emissões pessoais de carbono, ameaçou processar a Agência de Proteção Ambiental federal pela qualidade do ar e apareceu na capa da revista "Newsweek", girando um globo em seu dedo. "Salve o Planeta", dizia a manchete, "ou Então..."

General Motors/Dan MacMedan via The New York Times 
O 'verde' Schwarzenegger lança veículo movido a hidrogênio em 2004, na Califórnia

Mas a reputação de amigo do meio ambiente do governo pode ter sido arranhada na semana passada, em uma batalha em torno do Conselho de Recursos do Ar da Califórnia, uma agência de enfoque científico que tradicionalmente atua com considerável autonomia, apesar de seus 11 membros serem nomeados politicamente. Sua função mais visível é cuidar dos aspectos básicos da implementação da lei de emissões, conhecida como AB 32.

A disputa, que resultou na saída de dois membros do conselho, gerou algumas dúvidas entre ambientalistas, especialmente aqueles que antes admiravam a abordagem firme de Schwarzenegger. "Nós temos uma esquizofrenia aqui", disse Jim Marston, um lobista da Defesa Ambiental que trabalhou pela aprovação da lei de emissões. "Mesmo enquanto fazíamos a AB 32, o governo Schwarzenegger estava um pouco esquizofrênico."

"Nós temos Schwarzenegger, Maria e alguns poucos que são bastante pró-meio ambiente", disse Marston, se referindo a Maria Shriver, a esposa do governador. "E então temos algumas pessoas que são republicanos mais tradicionais no sentido que se consideram defensores dos interesses empresariais."

V. John White, o diretor executivo do Centro para Eficiência em Energia e Tecnologias Renováveis, concordou com tal confusão. "As medidas da semana passada causaram danos à imagem de Arnold", ele disse.

Alguns democratas em Sacramento, a capital do Estado, também aproveitaram a questão do conselho para criticar o progresso do governo Schwarzenegger na lei de emissões. A Assembléia estadual planeja realizar audiências na sexta-feira para investigar a situação e a saída de duas autoridades do conselho de qualidade do ar.

"Há uma óbvia diferença no que ele vem dizendo e no que seu governo e outros nomeados estão fazendo", disse Don Perata, um democrata que é presidente interino da Assembléia Legislativa. "Há alguns verdadeiros idiotas lá."

Mas Adam Mendlesohn, o diretor de comunicação do governador, negou fortemente qualquer afirmação de que houve um enfraquecimento da vontade ambiental do governo. "Alguns democratas na Califórnia há meses tentam minar as realizações ambientais do governador", disse Mendlesohn. "Não há absolutamente forma alguma do fracasso da AB 32 ser uma opção para o governador Schwarzenegger."

Considerando quão atentamente o projeto de lei está sendo acompanhado na Califórnia e em outros Estados, não causa surpresa as mudanças no conselho do ar terem atraído tanta atenção.

A turbulência começou em 28 de junho, quando o gabinete do governador anunciou que tinha demitido o presidente do conselho, o dr. Robert Sawyer, após dizer que Schwarzenegger estava descontente com a decisão do conselho de adiar um plano anti-smog (uma névoa de poluição) em San Joaquin Valley.

Mas Sawyer contestou tal relato, dizendo que na verdade a autonomia do conselho de 11 membros tinha sido comprometida pela interferência e a pressão política para apoio a certas propostas ambientais agressivas. "Eu senti que houve interferência indevida do pessoal do governador naquele que deveria ser um conselho independente", disse Sawyer na terça-feira. "E fiz objeção às mensagens conflitantes que estávamos recebendo do gabinete do governador. E fui demitido."

Tal opinião foi apoiada dias depois por Catherine Witherspoon, a diretora executiva do conselho, que renunciou ao cargo na segunda-feira, citando a demissão de Sawyer como motivo. "Ele estava rodando o país e o mundo em busca de parceiros e eu estava disposta a acompanhá-lo: eu meio que respirei fundo e estava disposta a ser microgerenciada", disse Witherspoon na quinta-feira, sobre Schwarzenegger. "Mas quando o governador de ação diz: 'Não faça nada, não faça nada, não faça nada', algo está muito errado."

Witherspoon, que começou sua carreira no conselho do ar no início dos anos 80, também citou a saída no ano passado de Terry Tamminen, um influente membro do Gabinete do governador e um proeminente lobista ambiental, como um sinal de um possível enfraquecimento da influência verde.

Mas Mendlesohn disse que Tamminen, atualmente um membro da New America Foundation, um instituto de política pública, continua prestando consultoria ao governador em política ambiental e de energia. "Terry ainda está bastante envolvido no que fazemos", ele disse.

O diretor de comunicação também citou a reputação da sucessora de Sawyer - Mary Nichols, uma advogada ambiental veterana e uma importante autoridade na Agência de Proteção Ambiental durante o governo Clinton - como evidência do compromisso de seu chefe em permanecer verde. "É preciso olhar para quem substituiu Sawyer para julgar se a história tem alguma credibilidade", disse. "O histórico de Mary Nichols em meio ambiente prova que este ataque é apenas uma linha conveniente de crítica partidária."

Lobistas ambientais concordaram que a nomeação de Nichols foi uma boa medida, dizendo que a reputação dela compensaria qualquer dano causado pela demissão de Sawyer. "Colocar Mary Nichols encarregada do conselho do ar representa um grande sinal da intenção de fazer esta coisa funcionar", disse Ann Notthoff, diretora de advocacia da Califórnia do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais. "Ela não é o tipo de pessoa que você pode manipular."

Além disso, mesmo críticos da forma como o governador lidou com o conselho do ar concordam que ele se importa com o meio ambiente, apesar de nem sempre concordarem com seus métodos. "O governador acredita no que está fazendo", disse Perata, o senador estadual. "O que ele não entende é como passar da retórica para a realidade."

*Felicity Barringer contribuiu com reportagem George El Khouri Andolfato

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