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07/07/2007

Economia e tráfego estão crescendo no Vietnã, mas o ar está mais sujo

The New York Times
Thomas Fuller

Em Hanói, Vietnã
Há uma década, bicicletas e táxis de três rodas a pedal rodam silenciosamente pelas ruas de três faixas da capital do Vietnã. Agora, 1,8 milhões de motos e scooters circulam diariamente por Hanói em uma cacofonia confusa e sem descanso.

Motos se tornaram símbolo de liberdade econômica no Vietnã, à medida que sua economia cresce. Mas também são a principal fonte, juntamente com o crescente número de carros, de níveis preocupantes de poluição do ar, disseram autoridades e especialistas.

Esperando evitar o padrão "cresça primeiro, limpe depois" seguido pela maioria dos países asiáticos, o Vietnã decidiu vários anos atrás endurecer suas leis brandas de emissões de veículos. Mas após vários prazos perdidos e disputas entre os ministérios governamentais, grupos ambientais agora dizem que a poluição do ar no Vietnã poderá piorar antes de melhorar.

O ar em Hanói e Ho Chi Minh contém níveis perigosos de benzeno e dióxido de enxofre, disseram especialistas. Os níveis de um dos poluentes mais perigosos, poeira microscópica conhecida como PM10, são moderados em comparação a outras cidades asiáticas em desenvolvimento, mas podem piorar caso o Vietnã opte por construir usinas a carvão para atender a demanda por eletricidade, que está crescendo a taxas anuais de dois dígitos.

Pham Duy Hien, um especialista em poluição, disse que Hanói e Ho Chi Minh têm níveis de PM10 de cerca de 80 microgramas por metro cúbico, o dobro do nível de Bancoc e bem acima da diretriz de 20 estabelecida pela Organização Mundial de Saúde. Pequim e Nova Déli possuem ar mais sujo, com níveis de 142 e 115, respectivamente.

No coração do problema da poluição do ar no Vietnã está o combustível sujo, segundo Hoang Hai Van, editor administrativo do jornal "Thanh Nien", que publicou recentemente uma série de artigos sobre o assunto.

Van disse que as empresas vietnamitas autorizadas a importar combustível estão resistindo a comprar combustível de melhor qualidade porque é mais caro. "A questão é que eles não querem importar combustível de melhor qualidade porque não querem ver uma queda nos lucros", ele disse em uma mensagem por e-mail.

O governo está dividido no assunto, disseram Van e outros: o Ministério do Comércio vê o negócio de importação de combustível como uma galinha dos ovos de ouro, enquanto a Agência de Inspeção e Registro de Veículos diz que o combustível de baixa qualidade está anulando quaisquer benefícios dos padrões mais altos para as emissões.

Em fevereiro, os fabricantes de carros baseados no país, representados pela Associação dos Fabricantes de Automóveis do Vietnã, enviaram uma carta ao gabinete do primeiro-ministro se queixando de que os motores mais novos seriam danificados pelo combustível de baixa qualidade.

"A questão da qualidade do combustível terá que ser tratada cedo ou tarde, mas não podemos fazer tudo de uma vez", disse Dang Duong Binh, diretor da divisão de meio ambiente do Departamento de Recursos Naturais, Meio Ambiente e Habitação de Hanói.

A partir de 1º de julho, todos os postos de gasolina no Vietnã deveriam vender combustível compatível com os padrões Euro II, que estavam em vigência na União Européia (UE) até 2000 e limitam os níveis de benzeno, enxofre e poeira microscópica, entre outros poluentes. A UE agora impõe uma regulamentação significativamente mais rígida, conhecida como Euro IV.

Mas Van disse que o combustível de baixa qualidade ainda está sendo vendido. "Na verdade, o diesel para uso em veículos não está dentro dos padrões", ele disse.

A ironia no Vietnã é que por vários anos ele extraía do mar óleo cru de qualidade mais alta que podia produzir combustível de queima limpa se refinado apropriadamente, segundo Hoang Viet Cuong, um consultor técnico e ex-funcionário da Petrolimex, a companhia estatal de petróleo vietnamita.

Mas por não dispor de refinarias, o Vietnã envia o óleo cru para o exterior. "Nós temos óleo cru de alta qualidade, mas importamos óleo refinado de baixa qualidade", disse Cuong. O Vietnã está construindo uma refinaria, mas ela só entrará em funcionamento em 2010.

Outro problema é a aplicação frouxa da lei. Os inspetores de veículos têm reputação de aceitarem propina, disseram motoristas e donos de veículos. A taxa para aprovação e de cerca de 200 mil dongs, ou cerca de US$ 12, eles disseram.

Em um posto de inspeção no bairro de Phap Van de Hanói, Do Van Hoa, o chefe do posto, disse que cerca de 30% dos veículos não passam nos atuais testes de emissões, que estão bem abaixo dos padrões Euro II e não se aplicam às motos. Mas Hoa nega que propinas sejam aceitas.

"Nós não aprovamos veículos se alguém nos oferecer dinheiro", disse Hoa. "Nós temos câmeras", ele acrescentou, apontando para os quatro cantos do posto de inspeção de emissão de veículos.

A regulamentação Euro II se aplica apenas aos veículos novos, disse Thanh, da Agência de Inspeção e Registro de Veículos, e não há planos para submeter os carros e motos existentes a inspeções mais rigorosas. "É preciso ser paciente e esperar até que saíam de circulação", ele disse.

Mas também há sinais de crescente conscientização sobre a qualidade do ar, disseram ambientalistas, que ficaram encorajados pelo fato de que em um país onde a informação ainda é rigidamente controlada, as autoridades tenham permitido a publicação de artigos críticos como a série no jornal de Van.

"As pessoas ficaram recentemente ultrajadas após a divulgação de que 17 marcas locais de molho de soja continham uma substância química cancerígena", ele escreveu em um editorial. "Mas elas devem perceber que os combustíveis com altos níveis de poluentes são piores do que o molho de soja, já que independente de quem usa os combustíveis, todos respiram o mesmo ar. George El Khouri Andolfato

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