UOL Notícias Internacional
 

08/07/2007

O rugido (e risco) dos mercados emergentes

The New York Times
Neil O'Hara
Por vários anos, fundos mútuos baseados em mercados emergentes derrotaram os fundos que enfatizam os mercados estrangeiros desenvolvidos. Os fundos de ações domésticos não chegaram nem perto.

Tal desempenho superior fez dos fundos de mercados emergentes muito atrativos para os investidores americanos, alguns dos quais não atentos para os riscos envolvidos neles, particularmente agora que anos de retornos espetaculares expandiram suas valorizações a níveis muito próximos aos dos mercados desenvolvidos. Além disso, os mercados emergentes são famosos por serem voláteis, capazes de encolher um portfólio tão rapidamente quanto podem fazer um crescer.

Assim, quanto de um portfólio um investidor deve dedicar a ações de mercados emergentes?

Para começar, a maioria dos investidores ainda não tem muita exposição geral internacional quanto deveria, segundo Arjun Divecha, gerente de portfólio do fundo GMO Emerging Markets. Divecha disse que uma alocação de 20% a 30% aos mercados estrangeiros de todo tipo serviu bem aos investidores nos últimos 20 anos, mas ele reconhece que poucas pessoas farão uma aposta tão grande. "Você deve ter o máximo que pode tolerar", ele disse. Ele então também aplica tal máxima à alocação entre mercados emergentes e desenvolvidos.

Apesar dos investidores freqüentemente limitarem sua exposição aos mercados emergentes a 5% do total de seus portfólios de equity, ele disse que 12% a 13% -em outras palavras, cerca de metade da alocação total internacional- propicia historicamente a melhor razão risco-recompensa.

Para começar, por que colocar dinheiro nos mercados estrangeiros? Apesar da crescente correlação dos mercados globais nos últimos anos, a exposição internacional ajuda a diversificar um portfólio de equity porque os mercados internacionais ainda não andam no mesmo passo que os Estados Unidos. E as economias dos mercados emergentes tendem a apresentar taxas de crescimento maiores do que as dos mercados desenvolvidos, à medida que suas populações passam da agricultura para outras atividades. Mas tal crescimento vem com um preço, que Divecha resume como "alguma probabilidade finita de perda catastrófica a curto prazo".

O histórico de volatilidade o apóia: ele disse que desde 1993, o padrão anual de desvio de retornos, uma medida habitual de volatilidade, tem sido de 22% a 23% nos mercados emergentes, contra 13% a 14% do índice de ações Standard & Poor's 500. É preciso uma constituição de ferro para tolerar mercados que podem oscilar quase o dobro do que seus pares domésticos familiares.

Este é outro importante motivo para investir no exterior. Em um mundo cada vez mais globalizado, disse Michael J. Hogan, vice-presidente-executivo, diretor chefe de investimento e chefe de investimentos em equity da Delaware Investments, é hora das pessoas abandonarem sua inclinação para os mercados locais de ações, uma preferência que os investidores exibem por todo o mundo.

Ele defende uma alocação de ativos baseada na capitalização de mercado dos mercados de equity globais: 45% doméstico, 45% mercados internacionais desenvolvidos e 10% em mercados emergentes. Para os investidores que não conseguem suportar uma grande alocação no exterior, ele recomenda que dividam sua exposição internacional entre mercados desenvolvidos e emergentes na proporção das capitalizações totais destes mercados. Isto equivale a cerca de 78% nos mercados desenvolvidos e 22% nos mercados emergentes.


Hogan diz que a integração da economia global torna o país de origem da empresa menos importante. Por exemplo, um investidor nos Estados Unidos que esteja considerando investir na Ford Motor ou na General Motors não pode mais olhar para elas de forma isolada. "Os concorrentes não são mais apenas domésticos", disse Hogan. "É melhor você ter uma boa idéia do que está acontecendo na Honda e na Toyota." É a mesma história na maioria dos outros setores.

Apesar de Hogan reconhecer os riscos freqüentemente encontrados nas economias dos mercados emergentes -direitos legais e de propriedade mal definidos; mercados financeiros e regulamentação bancária subdesenvolvidos; e, em alguns casos, grande corrupção- ele diz que os mercados fazem um bom trabalho de descontar tais ricos nos preços das ações. E os mercados emergentes podem adicionar tempero a um portfólio de investimento.


"É como pimenta", disse Hogan. "Eu nunca a comeria sozinha, mas pimenta na dose certa no molho do espaguete é ótimo."

Para James Donald, um diretor administrativo da Lazard Asset Management e gerente de portfólio do fundo Lazard Global Total Return and Income, os mercados emergentes perderam parte do sabor, falando de forma relativa, em comparação a cinco ou seis anos atrás. Naquela época, investidores de longo prazo e razoavelmente agressivos podiam justificar uma exposição internacional de 35% a 40% nos mercados emergentes, mas atualmente ele sugere uma faixa de 10% a 30%, dependendo do prazo previsto e tolerância a volatilidade.

"As taxas de rendimento nos mercados emergentes provavelmente continuarão mais altas do que nos mercados desenvolvidos", disse Donald, "mas não terão uma vantagem tão grande quanto no passado".

Os mercados emergentes podem oferecer mais do que apenas um crescimento maior e diversificação geográfica. Os investidores podem ganhar mais exposição a commodities do que nos mercados desenvolvidos. E os mercados emergentes também oferecem exposição a tecnologia, por meio de empresas sediadas em locais como Coréia do Sul, Taiwan, Índia e até mesmo Israel.

A Lazard não visa exposições específicas a países individuais, porque ela emprega uma abordagem de alta para a escolha de ações, procurando pela melhor combinação de valorização e lucratividade. A abordagem deixa o portfólio de fundo mútuo de Donald com participações no Brasil, Indonésia, Egito, Israel, Turquia, África do Sul e Índia, que estão acima das do índice MSCI de mercados emergentes.

Além dos riscos políticos óbvios -atualmente exemplificados pela nacionalização sob o governo populista de esquerda na Bolívia, a crise constitucional em torno do secularismo oficial na Turquia e o recente golpe militar na Tailândia- Donald disse temer que a antiga disputa entre países ricos e pobres em torno das barreiras comerciais poderá ferver caso a rodada de Doha de negociações de comércio, iniciada há cinco anos pela Organização Mundial do Comércio, finalmente fracasse.

Os países pobres, ele disse, "sentem que seus setores agrícolas não estão recebendo a chance de prosperar por causa da políticas dos países ricos". Os mercados emergentes que dependem de crescimento liderado pelas exportações têm mais a perder com as restrições ao comércio mundial.

Apesar de George Evans, vice-presidente sênior e diretor de equity internacional da OppenheimerFunds, permanecer crente no crescimento a longo prazo dos mercados emergentes, ele também teme sobrevalorizações, especialmente na China.

"No primeiro trimestre de 2003, os mercados emergentes apresentavam baixas valorizações e rendimentos um tanto deprimidos", ele disse. "Eles agora subiram muito, com ganhos mais altos. Nós provavelmente estamos na pausa do sétimo 'inning'* do ciclo dos mercados emergentes." (*Pausa habitual dos torcedores durante o sétimo dos nove "innings" de uma partida de beisebol.)

Como gerente de portfólio do fundo Oppenheimer International Growth, Evans reduziu sua exposição aos mercados emergentes a relativamente baixos 9,6%, concentrados na Índia, Brasil, Coréia do Sul e México, onde ele diz que ainda encontra empresas de alta qualidade a preços razoáveis.

E Evans tem uma exposição indireta adicional aos mercados emergentes por meio de empresas de recursos naturais como a Rio Tinto, a gigante de mineração. Ele também gosta de bens de luxo, incluindo a LVMH Moet Hennessy Louis Vuitton, Richemont e Porsche, que, apesar de estarem baseadas em mercados desenvolvidos, se beneficiam com as compras pelos novos ricos dos mercados emergentes. Nos mercados desenvolvidos, ele vê um melhor valor entre ações de grande capitalização do que nas ações pequenas e médias. E após vários anos em que ações valorizadas propiciaram rendimentos superiores, ele acha que as ações em crescimento também estão baratas.

"O adicional que é preciso pagar por ações em crescimento sobre ações valorizadas está mais baixo do que foi por muito tempo", disse Evans. "É onde vemos uma oportunidade no momento..." George El Khouri Andolfato

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