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08/07/2007

Papa reduz restrições a um maior uso da missa em latim

The New York Times
Ian Fisher

Em Roma
O papa Bento 16 autorizou no sábado um maior uso da antiga missa em latim, afastando os temores de que sua retomada poderia dividir a Igreja ou diluir as reformas do Conselho Vaticano Segundo, que tornou padrão a celebração nas línguas dos católicos ao redor do mundo.

Em linguagem firme mas gentil, o papa reconheceu em uma carta acompanhante aos bispos a profundidade da oposição à mudança, manifestada nos últimos meses pelos bispos europeus e grupos judeus. Ele propôs, na verdade, uma revisão após três meses para determinar "se dificuldades realmente sérias vieram à luz".

Ele enfatizou que a missa atual que foi aprovada nos anos 70 continuará sendo padrão -e que não espera um amplo retorno à velha liturgia, conhecida como Missa Tridentina. Nela, os padres ficam de costas para a congregação e oram, às vezes sussurrando, em latim, uma língua desconhecida para a maioria dos 1 bilhão de católicos romanos do mundo.

Mas o papa disse que a mudança poderá tanto curar os rachas com os grupos tradicionalistas que defendem a missa em latim quanto religar a Igreja a uma forma de ritual de 1.500 anos que desapareceu desde o Conselho Vaticano Segundo, que foi encerrado em 1965.

"O que gerações anteriores consideravam sagrado, também continua sagrado e de grande uso para nós, e não pode ser, repentinamente, totalmente proibido ou mesmo considerado prejudicial", ele escreveu.

Em meio à oposição de outros grupos judeus, a Liga Antidifamação condenou a mudança no sábado, a chamando de "um duro golpe às relações entre católicos e judeus". Apesar de uma antiga referência aos "judeus perfídios" ter sido removida oficialmente da Missa Tridentina pouco antes do conselho, que abriu o caminho para relações progressivamente melhores entre judeus e católicos, o grupo condenou uma oração remanescente da Sexta-Feira Santa que pede a conversão dos judeus.

Por vários meses, as autoridades da Igreja sinalizaram a decisão do papa, de forma que o anúncio de sábado era esperado, mas foi mais importante pelos detalhes específicos.

O cardeal Jean-Pierre Ricard, presidente da conferência dos bispos da França, onde a oposição ao maior uso da missa em latim era mais forte, disse aos repórteres que não espera muitos pedidos para a missa em latim. "Eu não vejo a ocorrência de um maremoto", ele disse segundo a agência de notícias France-Presse. George El Khouri Andolfato

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