UOL Notícias Internacional
 

10/07/2007

Gafe nos Jogos Pan-Americanos acirra sentimento anti-americano

The New York Times
Larry Rohter

No Rio de Janeiro
Os Jogos Pan-Americanos só começam na sexta-feira, mas a delegação dos Estados Unidos já se vê metida em uma controvérsia depois que uma frase que os brasileiros consideraram preconceituosa e humilhante apareceu em um quadro de mensagens no centro de imprensa norte-americano daqui.

"Welcome to the Congo!" ("Bem-vindos ao Congo!") foram as palavras ofensivas escritas em um quadro branco, fotografadas por um jornalista brasileiro e publicadas no principal jornal diário do Rio de Janeiro, "O Globo", na semana passada. A publicação do fato gerou uma onda de sentimento anti-americano que não foi aliviada pela explicação de um assessor de imprensa norte-americano, segundo o qual o comentário seria apenas uma referência à onda de calor no Rio.

"É realmente inacreditável", disse em uma entrevista por telefone, na
segunda-feira, o prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia. "Ele marcou um gol para a oposição, exatamente em um momento no qual a imagem dos Estados Unidos e do seu governo, por razões que bem conhecemos, é altamente impopular, e quando os Estados Unidos procuram melhorar essa imagem por meio dos esportes. Os Estados Unidos querem demonstrar que não são um país imperialista, e aí surge esse cara para reforçar essa imagem".

Mais de 5.500 atletas de 42 países e dependências deverão competir em mais de 30 esportes durante os 15° Jogos Pan-Americanos, que serão encerrados em 29 de julho e que são tidos como um dos últimos eventos internacionais significativos antes das Olimpíadas de 2008, que ocorrerão no verão (do Hemisfério Norte) que vem, em Pequim.

A delegação dos Estados Unidos consiste de mais de 600 atletas e 300 indivíduos encarregados de fornecer apoio. Porto Rico está enviando uma
delegação separada de mais de 200 competidores.

O Brasil gastou mais de US$ 1,5 bilhão com os preparativos e a construção de novas instalações - incluindo novos estádios, arenas e uma vila para os atletas - e se mostra sensível a qualquer insinuação de que o seu desempenho deixe a desejar. O governo brasileiro e autoridades municipais esperam que com um sucesso dos jogos aumentem as chances de o país sediar as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro e a Copa do Mundo de Futebol, em estádios de todo o Brasil, em 2014.

Além disso, os brasileiros sempre reagiram veementemente a tudo que enxergam como ataques à sua dignidade e ao seu respeito próprio, especialmente quando os norte-americanos estão envolvidos. Ronald Reagan foi altamente criticado quando visitou Brasília em 1982 e ofereceu um brinde ao "povo da Bolívia".

Quando os produtores da série de televisão "Os Simpsons" lançaram um
episódio satírico em 2002 mostrando o Rio de Janeiro como uma cidade repleta de animais selvagens, criminosos de rua e moradores sexualmente vorazes, o fato gerou uma campanha formal de protestos.

"Com relação à sua frase, típica dos norte-americanos que têm sérios
problemas com a geografia mundial, vai aqui um pequeno conselho: VOLTE PARA CASA!", escreveu um furioso morador do Rio de Janeiro em uma coluna de cartas em "O Globo". "Você não é bem-vindo aqui, e tampouco no Congo".

O Comitê Olímpico dos Estados Unidos respondeu ao incidente com a divulgação de um pedido de desculpas formal "ao povo do Brasil e do Rio de Janeiro por essas ações lamentáveis".

Cópias da declaração, traduzidas para o português pela Embaixada dos Estados Unidos, foram enviadas ao Comitê Olímpico Brasileiro, para o comitê organizador dos jogos, para a Organização Desportiva Pan-americana e para o prefeito da cidade.

"Estamos honrados em sermos visitantes no Brasil e aguardamos ansiosamente aqueles que sabemos que serão Jogos Pan-Americanos espetaculares", disse a declaração da embaixada. "As ações reveladas em "O Globo" são completamente inconsistentes com as expectativas que temos com relação a cada membro da nossa delegação, e não serão toleradas".

Além disso, Kevin Neuendorf, o funcionário que foi fotografado trabalhando na mesa em frente ao quadro de mensagens, "foi excluído da delegação e mandado de volta para casa", disse Darryl Seibel, um porta-voz do Comitê Olímpico dos Estados Unidos. Mas quando perguntaram a ele se era acurada a versão de "O Globo", segundo a qual Neuendorf foi o autor da frase ofensiva, Seibel se recusou a tecer comentários, dizendo: "Nada temos a acrescentar além desta declaração".

Maia, o prefeito, disse que os atletas norte-americanos provavelmente
poderão esperar vaias adicionais como resultado da gafe, especialmente
naqueles esportes nos quais existe rivalidade entre os dois países, como o basquete. Mas ele afirmou que os diplomatas dos Estados Unidos e os líderes da delegação norte-americana agiram de forma rápida e decisiva para corrigir a situação ao emitirem o pedido de desculpas. Ele disse que não será necessária e nem fornecida nenhuma segurança adicional para a delegação dos Estados Unidos.

"Me reuni com agentes do FBI para falar sobre isso, e percebi que o que os preocupa são atos simbólicos de terrorismo, como a tentativa de jogar um avião contra o complexo ou o arremesso de uma bomba por um fanático", disse o prefeito. "Eles não estão preocupados com este fato, nem deveriam estar". UOL

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