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13/07/2007

Democratas saem na frente na arrecadação de fundos online

The New York Times
Michael Luo
Os democratas estabeleceram um domínio imponente e crescente sobre os republicanos na obtenção de contribuições online, redesenhando o cenário de arrecadação de fundos às vésperas das eleições de 2008.

As doações online estão despontando como uma pedra fundamental dos esforços de arrecadação de fundos do senador Barack Obama e do ex-senador John Edwards, que levantaram cerca de um terço de seu dinheiro por meio de contribuições pela Internet, a maioria valores pequenos. A senadora Hillary Rodham Clinton também está agressiva online. Seus esforços deram frutos com um rápido crescimento de um exército de pequenos doadores, muitos demonstrando disposição para contribuir repetidas vezes.

Dados recém-divulgados mostram que nos primeiros seis meses do ano, os três principais candidatos para a indicação presidencial democrata de 2008, Obama, de Illinois; Edwards, da Carolina do Norte; e Hillary Clinton, de Nova York, arrecadaram mais de US$ 28 milhões online, um número que não inclui os resultados do segundo trimestre de Hillary, cuja campanha se recusou a divulgá-los. Em comparação, os três principais pré-candidatos republicanos, Rudolph W. Giuliani, o senador John McCain e Mitt Romney, arrecadaram cerca de US$ 14 milhões pela Internet.

Stephanie Kuykendal/The New York Times 
Senador Obama (esq.) obteve cerca de um terço de seu dinheiro de campanha na Internet

Edwards tem uma presença em extraordinários 23 sites de rede social. Hillary Clinton, que tem se mostrado agressiva em vídeos online, atraiu recentemente um milhão de pessoas ao seu site em dois dias, após sua famosa sátira dos "Sopranos" com seu marido, o ex-presidente Bill Clinton.

Mas Obama tem atraído a maior atenção pelo uso da Internet tanto como ferramenta de organização quanto de arrecadação de fundos. Sua página no MySpace.com, um site popular de rede social, conta com mais de 136 mil amigos, tornando diminutos os de quaisquer outros candidatos; no Facebook.com, ele tem mais de 102 mil. Em comparação, Giuliani, o ex-prefeito de Nova York que está na dianteira entre os republicanos nas pesquisas nacionais, tem apenas uma página privada no MySpace, cujo acesso só é possível para aqueles que recebem aprovação, e nem mesmo conta com um perfil no Facebook.

Howard Dean, o ex-governador de Vermont, mostrou aos seus colegas democratas o poder da arrecadação de fundos online em 2004, quando obteve o apoio de blogueiros liberais e de doadores da base para montar uma campanha insurgente. Agora, os principais candidatos do partido estão tornando a Internet cada vez mais central em suas campanhas, explorando o interesse antecipado na disputa desenvolvendo esforços para atrair os eleitores e suas doações por meio de sites.

O domínio democrata na arrecadação de fundos online parece ter ampliado nos últimos três meses. A disparidade online, em uma razão de dois para um, é ainda mais pronunciada do que na diferença de arrecadação geral de fundos nos primeiros dois trimestres do ano, no qual os democratas na dianteira arrecadaram quase 50% a mais do que os republicanos na dianteira. US$ 144,3 milhões a US$ 101,7 milhões.

David All, um estrategista republicano para Internet, disse que seu partido está levando uma surra online. "Nós precisamos de uma revolução como a dos democratas", ele disse.

Assim como George W. Bush elevou à novas alturas o "bundling" (agrupamento), a prática de usar os doadores ricos para chegar às redes destes de ricos e poderosos em busca de grandes contribuições, nas eleições de 2000 e 2004, os democratas estão transformando o ambiente de arrecadação de fundos para 2008 ao obter em grande parte pequenas contribuições de dezenas de milhares de pessoas online. O sucesso deles na Internet é ainda mais significativo pelo fato de que doadores de pequenos valores por muito tempo foram a força dos republicanos, que realizavam operações sofisticadas de mala direta.

O próprio site de Obama já gerou mais de 10 mil eventos populares e 5.500 grupos de voluntários. Ele obteve US$ 10 milhões em doações online no segundo trimestre; US$ 17 milhões ao todo; 90% de seu dinheiro pela Internet veio de contribuições de US$ 100 ou menos.

Tudo isto caracteriza os doadores de pequenos valores como parte da "long tail" (cauda longa) do Partido Democrata, uma lista formidável de simpatizantes potenciais que podem fazer contribuições adicionais mais adiante, nas primárias e depois na eleição geral.

"São estas pessoas que nunca doaram dinheiro antes, que não podem arcar com US$ 2.300 ou US$ 200 de uma só vez", ele disse. "O que podem fazer é contribuir com US$ 10 por mês, ou US$ 15."

Camille Rey, 38 anos, uma escritora free-lancer de ciência que vive nos arredores de San Jose, Califórnia, é típica. Quando Obama anunciou sua candidatura em fevereiro, Rey entrou online e contribuiu com US$ 50. De lá para cá, ela já contribuiu outras vezes, geralmente cerca de US$ 25 tirados de uma conta bancária especial que ela separa para pequenos agrados, como livros e jóias. Ela também criou seu próprio site de campanha de Obama, no qual carregou 40 endereços de e-mail de parentes e amigos. "Este sujeito me inspirou tanto que faria qualquer coisa para que vencesse", ela disse.

Atualmente há mais de 9 mil "microbundlers" (microagrupadores) como Rey no site de Obama.

Os republicanos lideravam na arrecadação pela Internet até recentemente. McCain, do Arizona, foi o pioneiro da arrecadação online durante sua pré-candidatura presidencial em 2000. Mas nos últimos anos os democratas os superaram e a maioria concorda que a base democrata é mais organizada online.

Não são apenas os esforços dos candidatos democratas que estão dando frutos. Sites populares liberais, como ActBlue.com, que permitem que indivíduos arrecadem dinheiro para seus candidatos favoritos, também estão canalizando dinheiro e simpatizantes para eles. Os usuários do ActBlue deram mais de US$ 3 milhões para Edwards.

Entretanto, alguns especialistas alertaram contra um exagero das ramificações potenciais da divisão na Internet. Afinal, a candidatura de Dean, que empacou após a primária de Iowa, mostrou que o sucesso online não basta. O senador John Kerry, de Massachusetts, também superou com grande vantagem o presidente Bush pela Internet em 2004.

As diferenças online no final serão niveladas quando os republicanos se unirem em apoio a um candidato, disseram vários estrategistas republicanos.

"É apenas um ambiente ruim para os republicanos no momento", disse Patrick Ruffini, que serviu como diretor de campanha eletrônica para o Comitê Nacional Republicano de 2005 a 2007. "Eu acho que provavelmente mudará à medida que nos aproximarmos da eleição geral."

Várias explicações são dadas para a disparidade.

Alguns especialistas citaram a diferença geral em entusiasmo entre os membros dos dois partidos, motivada pela guerra no Iraque e natureza desordenada do campo republicano. Outros, entretanto, argumentam que os democratas têm buscado mais conscientemente inovações online, deixando os republicanos em risco de ficarem terrivelmente para trás em um mundo de mídia que muda rapidamente.

"No lado democrata, muito mais pessoas já contribuíram para campanhas políticas na Internet", disse Joe Trippi, um alto conselheiro de Edwards, que administrou a candidatura de Dean em 2004. "Enquanto no lado republicano, ninguém contribuiu para George Bush pela Internet. Por quê? Porque nunca foi pedido. Agora eles estão um tanto para trás."

Romney, o ex-governador de Massachusetts, é o mais bem-sucedido entre os republicanos na arrecadação online. Mas cerca da metade de seu total de US$ 10,4 milhões nos primeiros seis meses deste ano não veio de seu site, mas de um sistema sofisticado baseado na Internet chamado ComMitt, utilizado por seus arrecadadores de fundos de campanha tradicionais e que permite que solicitem e monitorem os doadores online. Mesmo contando estes números, a arrecadação de Romney pela Internet caiu no segundo trimestre, de US$ 7,2 milhões para US$ 3,2 milhões.

Um desdobramento surpreendente é a força online de um azarão republicano, o deputado Ron Paul do Texas, que gerou forte devoção online e foi capaz de sustentar sua campanha em grande parte por doações online.

Mas potencialmente preocupante para os republicanos, Giuliani, o atual líder nas pesquisas nacionais, foi aquele que fez menos online entre os principais pré-candidatos, arrecadando anêmicos US$ 1,3 milhão.

"A campanha Giuliani é um mistério para mim", disse Michael Cornfield, professor adjunto de administração política da Universidade George Washington, que é especializado em campanhas políticas. "Ela parece ser a mais atrasada." George El Khouri Andolfato

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