UOL Notícias Internacional
 

16/07/2007

Uma indústria busca patrocinar jovens de até 7 anos

The New York Times
De Matt Higgins


Em Ben Lomond, Califórnia
Talvez fosse inevitável que o skate gerasse os gêmeos Puehse, de 9 anos. Com tremendo talento, Nic e Tristan Puehse (pronuncia-se 'Píuza') de Shingle Springs, próximo de Sacramento, Califórnia, se tornaram um fenômeno popular de marketing. A habilidade deles os levou à China e ao programa de TV "The Ellen DeGeneres Show". Eles têm 14 patrocinadores como Nike e Gatorade. E são astros de um dos vídeos de skate mais populares no YouTube, um clipe que já visto mais de 2,5 milhões de vezes desde que foi postado em janeiro.

Max Whittaker/The New York Times 
Tristan (esq.) e Nic Puehse treinam em casa; aos 9 anos, gêmeos têm 14 patrocinadores


Nada disto seria possível sem o apoio de seu pai, Michael, um homem com uma visão, uma câmera de vídeo e um plano de marketing.

"Se eles continuarem progredindo como no momento, não há dúvida de que se transformarão em profissionais", disse Michael Puehse, que ajudou as carreiras dos filhos ao enviar vídeos dos garotos para patrocinadores potenciais desde que tinham 6 anos.

A ascensão dos gêmeos ocorre em uma indústria do skate de US$ 5 bilhões que está cada vez mais se voltando para os skatistas mais jovens, alguns com até 7 anos, para promover seus produtos. Quase metade dos estimados 11 milhões de skatistas dos Estados Unidos -43%- tem entre 6 e 11 anos, segundo a empresa de pesquisa de mercado Board-Trac.

Sonja Catalano, a presidente da Liga Amadora de Skate da Califórnia, teve que criar uma nova divisão para skatistas patrocinados com 10 anos ou menos para acomodar seu número crescente.

"Estes garotos fazem vídeos para o YouTube", ela disse em junho, durante uma competição da liga nas Santa Cruz Mountains. "Eles estão no MySpace.com e têm currículos. Lá no sul é uma loucura. Metade deles tem agentes de Hollywood."

Apesar do valor dos patrocínios ser modesto para os mais jovens -geralmente equipamento gratuito, roupas, acessórios e um pagamento mínimo em dinheiro- as recompensas são grandes para aqueles que continuam a se superar. Ryan Sheckler, 17 anos, ganhou sua primeira medalha de ouro nos X-Games há quatro anos. Hoje, ele ganha na faixa dos baixos seis dígitos apenas em prêmios em dinheiro, com os patrocínios se somando significativamente a isto. Nyjah Huston tinha 11 anos quando competiu no Dew Action Sports Tour e nos X-Games em meados de 2006, ganhando dezenas de milhares de dólares em prêmios em dinheiro. Catalano lembra do skate antes dos X-Games e das grandes expectativas. Ela ajudou a fundar a liga há 28 anos juntamente com Frank Hawk, o pai do astro do skate Tony Hawk.

"Nós não costumávamos ter a presença dos pais", disse Catalano. "Era isso o que atraía muitos garotos ao skatismo, e isto é o que atrai muitos garotos às competições de skatismo em primeiro lugar." Ela acrescentou: "É algo deles".

Mas apesar do skatismo poder ainda ser uma coisa de garotos, os pais agora também o abraçam. Em uma competição da liga em junho, carros descarregavam crianças com capacetes, joelheiras, cotoveleiras e skates em um parque cercado por altas sequóias. Em uma cena que lembrava uma mistura de competição infantil e concerto de punk rock, os pais vibravam enquanto a música alta tocava e um apresentador narrava as manobras realizadas pelos skatistas, alguns mal saídos do jardim de infância.

Um destes competidores, Drake Riddiough, tem 8 anos. Ele nem sabia que existia patrocínio quando Jason Crum o viu em uma competição em meados de
2006. Crum criou a Half Pint Skateboards naquele ano para preencher uma lacuna no crescente mercado infantil.

Crum notou que a maioria dos presentes nos parques de skate tinha menos de 12 anos, mas costumava usar skates freqüentemente grandes demais e com desenhos sanguinolentos.

A Half Pint conta atualmente com uma equipe de oito skatistas sob patrocínio, incluindo Riddiough, de vários partes da Califórnia até Nevada. Recentemente, Crum recebeu dez e-mails e sete telefonemas de skatistas à procura de patrocínio. Mas ele diz ser seletivo, à procura de talento, uma boa atitude e bons pais.

"Grande parte do controle de danos que tenho que realizar como patrocinador de crianças pequenas é evitar alguns dos pais", ele disse. "Sempre que volto de uma viagem, eu encontro alguns e-mails irritados."

Mas nem todos os pais buscam patrocínio. Larry e Shari Midler não planejavam criar um prodígio do skate. Apenas aconteceu quando eles se mudaram para a Califórnia há três anos, vindos de Westport, Connecticut.

Alex Midler mostrou ser promissor ao liderar a divisão de 8 anos ou menos da liga do Sul da Califórnia. (Ele fez 9 anos no sábado.) Isto atraiu a atenção dos patrocinadores e gerentes de lojas de skate, que querem lhe dar produtos de graça.

"Ele mal chega a um parque de skate e faz uma manobra e as pessoas começam a cercá-lo e a perguntar: 'Você é patrocinado?'" disse Shari Midler.

Apesar do desejo de Alex de ser, os Midlers ainda estão estudando o que tudo isto significa.

"Com estas crianças mais novas, especialmente as lojas de roupas e calçados, quando eles vêem alguém, eis um modelo", disse Catalano.

Os Midlers buscaram ajuda de Peter Townend, um ex-campeão mundial de surfe que conheceram por intermédio de um conhecido comum. Tosh, o filho de Townend, começou a praticar em eventos amadores aos 11 anos.
Atualmente ele tem 22 e é um importante skatista de rua.

"Sem uma boa orientação, você é devorado vivo por todos os tubarões que nadam ao redor", disse Peter Townend.

De Ville Nunes tenta fechar um contrato com os gêmeos Puehse. Nunes é o gerente da equipe Powell Skateboards, que bancou Tony Hawk quando ele se tornou profissional em 1982, com 14 anos, surpreendentemente jovem para a época.

Nunes costuma atuar como olheiro nos eventos da liga no Sul da Califórnia. É um ambiente competitivo. Dois skatistas que patrocinava, com 9 e 10 anos, foram contratados por uma empresa rival.

Ele disse que ficou impressionado com a disposição dos gêmeos Puehse de tentar qualquer terreno ou manobra. Mas ele reconheceu que o interesse deles pode se afastar do skate. Em cinco anos eles poderão se tornar ícones do esporte. Ou poderão estar esgotados, entediados e cheios dele.

Por ora, os Puehses têm metas simples. "Minha meta é me tornar um skatista profissional e fazer a MegaRamp antes dos 10 anos", disse Nic sobre uma rampa de nove andares que lança os skatistas a mais de 20 metros.

Depois disso, o céu é o limite. George El Khouri Andolfato

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