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17/07/2007

Saúde pessoal: evitando os perigos das plantas de jardim

The New York Times
Jane E. Brody
"As folhas de três partes devem ser deixadas em paz". Sem dúvida todos já ouviram essa advertência sobre a hera-do-canadá ("poison ivy"), uma erva daninha que a cada ano causa mais de 350.000 casos de dermatite por contato e provavelmente muitos outros milhares de casos não registrados.

O que tem se ouvido nos consultórios médicos indica que este ano está pintando particularmente ruim para a hera-do-canadá, ou Toxicodendron radicans, e as evidências sugerem que concentrações maiores de dióxido de carbono no ar contribuíram para uma forte safra com uma toxina mais potente.

O risco crescente de se deparar com uma erupção causada pela de hera-do-canadá é, entretanto, apenas uma das recentes mudanças na exposição humana a plantas tóxicas ou danosas.

Muitas casas e jardins abrigam um número crescente de plantas perigosas, e as crianças, em geral, correm mais riscos. Em 2003, de acordo com um novo livro de autoridades no assunto, centros de controle de envenenamento no país receberam mais de 57.000 ligações em relação à exposição a plantas potencialmente nocivas; 85% delas envolveram crianças com menos de 6 anos. A maior parte, entretanto, foi considerada simplesmente exposição, ou seja, nenhuma toxina foi ingerida ou a quantidade consumida foi pequena demais para ser danosa.

O livro, "Handbook of Poisonous and Injurious Plants" (Guia de Plantas Venenosas ou Nocivas), por Dr. Lewis S. Nelson, Dr. Richard D. Shih e Michael J. Balick, foi produzido sob os auspícios do Jardim Botânico de Nova York, onde Balick é diretor do Instituto de Botânica Econômica. Apesar de sua principal missão ser a de ajudar os profissionais de jardinagem a identificar e tratar males causados por plantas, esse livro luxuosamente ilustrado pode servir de guia para pessoas comuns. Ele descreve centenas de plantas problemáticas, com fotografias e descrições, nomes populares, distribuição geográfica, partes tóxicas e toxinas, efeitos no corpo e informações sobre o tratamento médico.

Fiquei chocada ao ver quantas dessas plantas potencialmente perigosas eu tinha em minha própria casa e jardim, inclusive babosa, orelha de elefante, jade, Stathiphyllum, filodendro e Dieffenbacchia, assim como dedaleira (Digitalis purpúrea), hellebore, vinca, rododendro e crisântemo. É uma bênção que nenhum de meus filhos ou netos tenha tentado morder uma delas.

É claro que o veneno das plantas tem um importante papel, especialmente de desestimular os predadores. E, em todos os tempos, muitas tiveram papéis medicinais importantes. A vinca, por exemplo, foi a fonte original da droga de combate ao câncer vincristine, e a dedaleira deu-nos o estimulante cardíaco valioso digitalis.

Os veados, que se tornaram um problema para a horticultura no Noroeste, de alguma forma sabem evitar jantar várias das plantas tóxicas, como a vinca e a dedaleira, o que permite seu plantio em áreas não cercadas. Se ao menos nossos filhos fossem igualmente sábios.

Nelson, da Escola de Medicina da Universidade de Nova York e do Centro de Controle de Envenenamento da Cidade de Nova York, disse que o problema freqüentemente começa com o fato de muitas plantas tóxicas serem belas e coloridas, levando as pessoas a escolhê-las para adornar suas casas. É justamente sua beleza, entretanto, que cria o perigo para crianças pequenas, que podem ser tentadas a colocar frutinhas vermelhas, flores e folhas tóxicas na boca.

Um segundo risco envolve adultos, que colhem o que pensam ser plantas medicinais comestíveis, mas são similares tóxicas. Em um incidente recente citado por Nelson, um grupo de pessoas catou alho-poró selvagem para cozinhar e comer. O que realmente consumiram foi a toxina cardíaca de uma falsa jovem Helleborus orientalis. Felizmente, sobreviveram ao distúrbio cardíaco resultante.

Outros casos envolveram pessoas que colheram folhas de dedaleira antes de florir, achando que era uma erva que poderia ser tomada como chá medicinal. Algumas vezes, chás medicinais que seriam seguros acidentalmente contaminam-se com plantas tóxicas. Assim, é melhor ater-se a marcas comerciais conhecidas e empacotadas nos EUA.

Apesar da ingestão de plantas venenosas ser um perigo mais comum para crianças pequenas, adultos e crianças mais velhas têm como fontes de sofrimento as plantas que criam problemas ao contato físico, como a hera-do-canadá. Perguntei a Nelson o que as pessoas fazem de errado depois de entrarem em contato com ela, e a resposta foi simples: "Não lavam as mãos rápida e cuidadosamente. Se você tirar a toxina com água e sabão em um prazo de 10 a 15 minutos, dificilmente terá uma reação."

Isso pode ser um problema particular para entusiastas dos passeios ao ar livre, profissionais de jardinagem e outros que trabalham nas matas e que podem não notar o contato com a planta ou talvez não tenham meios de rapidamente lavar a toxina com água. Mesmo os que se lavam, às vezes não tiram bem a toxina, chamada urushiol, que fica sob as unhas e depois espalha-se para outras partes do corpo, disse Nelson.

No curso de horas ou dias, o urushiol causa uma erupção de desenvolvimento lento caracterizada por dor, coceira, vermelhidão, inchaço e bolhas. Contrariamente ao que muitos pensam, a irritação não se espalha. São as pessoas que espalham a toxina pelo corpo ao se coçarem ou tocarem na roupa contaminada.

A hera-do-canadá não é a única fonte de urushiol, uma classe de toxinas com potências variadas. É também encontrada na casca das mangas, como descobri tristemente depois de descascar uma manga com os dentes. Era ainda inverno quando chamei meu dermatologista e disse: "Parece que tenho hera-do-canadá na boca." Sua resposta foi imediata: "Você andou comendo manga."

Por que isso não aconteceu anos atrás? Ele disse que, após exposições repetidas ao urushiol, fiquei sensibilizada ao alergênico e, depois disso, qualquer contato causaria a mesma reação tenebrosa. Nelson disse que 85% da população tem o potencial de desenvolver sensibilidade ao urushiol. Então, se você pensa que pode passear tranqüilamente em meio à hera-do-canadá, pense novamente. Cedo ou tarde, provavelmente sofrerá como eu.

O tratamento de uma irritação por hera-do-canadá, em geral, envolve aliviar a coceira com loção de calamina e tomar um anti-histamínico oral, ou, em casos mais sérios, um corticosteróide.

Outra fonte comum de dermatite por contato é a urtiga, uma planta que também parece estar prosperando em nosso ambiente enriquecido de dióxido de carbono, disse Balick. Essas plantas são uma fonte de irritantes mecânicos. Elas têm túbulos hipodérmicos frágeis, contendo uma mistura de substâncias irritantes que são injetadas quando a pele roça contra a planta. Diferentemente da hera-do-canadá, a erupção que queima e coça causada pela urtiga tem vida curta.

Outras plantas contêm substâncias químicas irritantes, como a capsaicina dos pimentões. Essa substância é irritante para a membrana mucosa e estimula a dor e a inflamação. Isso é especialmente doloroso quando os dedos contaminados transferem a substância para os olhos ou para a genitália. Para aliviar o desconforto, é necessária lavagem repetida e cuidadosa, um analgésico para aliviar a dor e, em alguns casos, medicação antiinflamatória.

Algumas plantas, inclusive agave, Euphorbia marginata, coroa de cristo, calêndula do pântano e erva-ciática, contêm uma seiva irritante que pode causar queimadura na pele.

Finalmente, há plantas que contêm fototoxinas - substâncias que aumentam a sensibilidade da pele à luz ultravioleta que pode resultar em queimaduras solares sérias. Entre essas estão a mil-folhas, a arruda e a cenoura selvagem. Deborah Weinberg

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