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18/07/2007

Mandela, Branson e outros formam grupo de anciãos

The New York Times
Michael Wines

Em Johannesburgo, África do Sul
Misturando habilidade política séria e uma grande dose de audácia, o ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, e um punhado de figuras mundialmente famosas planejam anunciar na quarta-feira (18/07) uma aliança privada para lançar ações diplomáticas a respeito dos problemas mais intratáveis do mundo.

A aliança, que será apresentada na quarta-feira durante os eventos que marcam o 89º aniversário de Mandela, será chamada de "The Elders" (os anciãos). Entre outros, ela inclui o arcebispo anglicano aposentado Desmond Tutu; o ex-presidente americano Jimmy Carter; o aposentado secretário-geral da ONU, Kofi Annan; e Mary Robinson, a ativista de direitos humanos e ex-presidente da Irlanda.

Muitos, incluindo Mandela, são críticos duros do presidente George W. Bush e da política externa americana, particularmente em relação ao Iraque e ao conflito entre israelenses e palestinos. Mas os membros do grupo e aqueles que o apóiam insistem em entrevistas que não são guiados nem por ideologia nem por inclinações geopolíticas.

Mandela declara em comentários preparados para quarta-feira que o fato de nenhum dos Elders ocupar um cargo público lhes permite trabalhar pelo bem comum, não para interesses de fora.

"Este grupo pode falar de forma livre e ousada, trabalhando tanto publicamente quanto nos bastidores em torno de quaisquer ações que julgar necessárias", diz os comentários. "Juntos nós trabalharemos para apoiar a coragem onde houver medo, promover o acordo onde houver conflito, inspirar esperança onde houver desespero."

Ainda não se sabe se os governos que se tornarem objetos da diplomacia free-lance dos Elders concordarão. Um dos fundadores do grupo e um de seus principais patrocinadores, o magnata britânico Richard Branson, disse que os líderes aos quais informou, incluindo o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, e o presidente sul-africano, Thabo Mbeki, "apoiaram a iniciativa".

"Sempre haverá céticos a quaisquer iniciativas positivas, mas estas são pessoas cedendo seu tempo por nada", ele disse sobre os Elders. "A maioria dos indivíduos no mundo apreciaria um grupo de pessoas que estejam acima do ego, que, nos últimos 12 ou 15 anos de suas vidas, estejam acima das políticas partidárias."

Quais problemas os Elders abordarão não está claro; nenhum ainda foi selecionado.

Uma porta-voz disse que o grupo decidirá conjuntamente onde intervir, baseado em parte na seriedade do assunto e em sua capacidade de contribuir para uma solução.

Em entrevistas, Branson e Carter ofereceram duas situações hipotéticas bem diferentes: os Elders poderiam ajudar a resolver uma crise regional como a onda de combates de guerrilha e seqüestros no delta do Rio Níger, na Nigéria rica em petróleo, sugeriu Branson.

Por sua vez, Carter disse que o grupo poderia tratar de problemas como o desperdício e a falta de coordenação entre as organizações de ajuda que fornecem atendimento de saúde aos países em desenvolvimento. "Os Elders não se envolveriam na entrega de mosquiteiros para prevenção da malária", ele disse. "A questão é preencher vácuos - para tratar de questões importantes que não estão sendo tratadas adequadamente."

Se o conceito e o nome parecem um tanto exagerados - uma liga diplomática de super-heróis, alguém poderia dizer - isto pode vir da ligação deles com Branson, que raramente faz qualquer coisa discreta.

Em uma entrevista por telefone, Branson disse que começou a pensar no assunto em 2003, após tentar convencer Mandela e Annan a viajarem para Bagdá para tentarem persuadir Saddam Hussein a deixar o poder no Iraque. Os dois concordaram, mas a guerra estourou antes que os arranjos fossem concluídos.

Posteriormente, após trabalhar em um concerto para uma das caridades de Mandela, Branson voou para casa acompanhado de Peter Gabriel, o roqueiro britânico e ativista de direitos humanos. "Eu estava falando sobre a necessidade de um grupo de anciãos globais em torno dos quais nos agruparmos em momentos de conflito e Peter disse que teve uma idéia semelhante, mas usando a Internet para ajudar os anciãos a se relacionarem com a comunidade mundial", ele disse.

Assim nasceu The Elders, batizados segundo a preeminência dos anciãos nas sociedades tribais africanas. Ao longo do último ano, Branson realizou uma série de encontros em sua base no Caribe, Necker Island, nas quais membros e financiadores potenciais foram recrutados para a causa e convidados a contribuírem com suas próprias idéias.

Carter disse que os encontros foram realizados em segredo. "Antes de irmos eu não sabia do que a reunião se tratava", ele disse. "Eu fui por causa de sir Richard. Nós conversamos anteriormente sobre a possibilidade de uma usina de biocombustíveis em minha cidade, Plains."

Branson e Gabriel contribuíram com fundos para iniciar o projeto. Ao ser perguntado quanto custaria, Branson respondeu: "Obviamente, não é barato". Mas doadores suficientes deram dinheiro para financiar os quatro primeiros anos de trabalho dos Elders, ele disse, e prevê que arrecadar mais não será difícil. George El Khouri Andolfato

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