UOL Notícias Internacional
 

19/07/2007

Estudo oferece perspectiva sombria de energia para os EUA e o mundo

The New York Times
Jad Mouawad

Em Washington
Começou com uma simples pergunta de Samuel W. Bodman, o secretário de energia: o que o futuro guarda para as reservas de petróleo e gás natural?

A pergunta foi feita em outubro de 2005 em uma carta de uma página para Lee Raymond, o ex-presidente da Exxon Mobil e chefe do Conselho Nacional de Petróleo, um grupo consultivo federal que representa a indústria do petróleo.

Após quase dois anos, Raymond finalmente entregou a resposta: devido ao crescimento da população mundial e a melhora dos padrões de vida em todo mundo, o consumo global de energia deverá aumentar em mais de 50% ao longo dos próximos 25 anos. Mas encontrar reservas para atender a tal aumento será cada vez mais difícil e exigirá investimentos imensos nas próximas décadas.

O apoio para tal conclusão é um estudo de 476 páginas intitulado "Facing the Hard Truths About Energy" (Enfrentando as Duras Verdades sobre Energia) que envolveu 350 participantes, sugestões de mais de 1.000 pessoas, dados fornecidos por 19 governos estrangeiros, da Austrália à Arábia Saudita, e dezenas de subcomitês.

Algumas das recomendações feitas pelo conselho do petróleo provavelmente ultrapassam o que o governo Bush esperava, por exemplo ao pedir por um padrão federal para administração das emissões de carbono e a adoção de medidas para redução do consumo.

O relatório, que foi divulgado em Washington na quarta-feira (18/7), foi rotulado como uma das análises mais abrangentes sobre o desafio global de energia em décadas. Também fornece um quadro sério do problema da energia para os Estados Unidos e o mundo.

O relatório do conselho alerta sobre o "acúmulo de riscos" na produção de energia, incluindo o aumento das barreiras geopolíticas, inflação dos custos, encolhimento do número de engenheiros de petróleo e crescentes restrições às emissões de dióxido de carbono. Apesar de não dizer explicitamente, o estudo do conselho deixa implícito que os altos preços da energia vieram para ficar.

A divulgação do estudo ocorre à medida que crescem as frustrações com os altos custos da energia. O Congresso está debatendo uma proposta para desenvolvimento de combustíveis alternativos e aumento da eficiência no consumo dos veículos.

Diferente da força-tarefa de energia do governo Bush, que foi liderada pelo vice-presidente Dick Cheney em 2001 e combateu os esforços para divulgação dos nomes das pessoas que consultou, o estudo do conselho de petróleo não fez segredo de quem participou em seu esforço.

A lista daqueles que contribuíram para o relatório do conselho de petróleo é uma relação dos principais líderes e consultores do setor, incluindo altos executivos da Exxon e Chevron. Mas o conselho também alistou a ajuda de centros de pesquisa privada, instituições acadêmicas, bancos, agências do governo e grupos ambientais como a Resources for the Future (recursos para o futuro) e Alliance to Save Energy (aliança para economia de energia).

"O estudo realmente reflete o espírito do momento", disse Daniel Yergin, presidente da Cambridge Energy Research Associates e um consultor de energia que participou do estudo.

Ainda assim, algumas das conclusões do relatório dificilmente causariam surpresa, dados os autores. Por exemplo, ele rejeita as previsões das chamadas teorias do "pico do petróleo", de que os depósitos mundiais de petróleo estão em declínio; pelo contrário, a posição do setor é de que os recursos mundiais permanecem abundantes.

"Felizmente, o mundo não está ficando esgotado de recursos de energia", diz o relatório em um sumário de 40 páginas. "Carvão, petróleo e gás natural permanecerão indispensáveis para atender o crescimento total projetado para a demanda de energia."

Mas apesar do conselho pedir pela ampliação e diversificação das ofertas tradicionais de energia - petróleo e gás, carvão e energia nuclear - ele também apóia o desenvolvimento de combustíveis alternativos, incluindo os biocombustíveis.

"Não há solução rápida", disse Raymond em uma coletiva de imprensa na quarta-feira. "Presumir que temos a opção de não buscar uma fonte de energia é uma opção falsa."

Notavelmente, a primeira recomendação do relatório pede que o governo americano modere o consumo de energia aumentando os padrões de economia de combustíveis para os veículos e melhorando a eficiência de energia em prédios e lares.

"O mundo precisa de uma melhor eficiência de energia e todas as fontes de energia econômica e ambientalmente responsáveis disponíveis para apoiar e sustentar o futuro crescimento", disse o relatório.

Kateri Callahan, presidente da Alliance to Save Energy, que ajudou a redigir o relatório, disse: "Não é a voz esperada pedindo pela moderação do consumo e aumento da eficiência de energia. Eles estão sendo honestos sobre a situação. Mas todos reconhecem que será necessário mais do que apenas moderar o consumo, ou aumentar a eficiência, ou melhorar as fontes alternativas, mas sim todas estas coisas. E não podemos esperar mais".

Mas talvez a maior surpresa tenha sido a de que Raymond, que era conhecido pelo seu ceticismo em relação ao aquecimento global quando era presidente da Exxon Mobil, tenha dado seu apoio a um estudo que diz que as companhias de petróleo e governos precisam tratar das emissões de carbono e oferece algumas sugestões sobre como o dióxido de carbono pode ser capturado em reservatórios subterrâneos.

O relatório diz que o governo deve "fornecer uma estrutura eficaz, global, para a administração do carbono, incluindo o estabelecimento de um custo transparente, previsível e para toda a economia para o dióxido de carbono".

Bodman, que participou da apresentação de quarta-feira, disse: "Estes são os fatos difíceis e eles exigem um planejamento para escolhas difíceis, agora e no futuro".

Clay Sell, o subsecretário de energia, disse que o governo considerará as recomendações do relatório mas não se compromete a seguir quaisquer uma delas. O governo tem resistido a lidar com as emissões de carbono, dizendo que qualquer mecanismo que crie um custo para as emissões de carbono seriam onerosas demais para a economia.

Os preços do petróleo aumentaram acentuadamente nos últimos anos devido ao aumento da demanda, principalmente na China e nos Estados Unidos, ter ultrapassado o crescimento da produção de petróleo. O resultado é um mercado global apertado, com pouca capacidade ociosa para ser empregada. George El Khouri Andolfato

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