UOL Notícias Internacional
 

22/07/2007

Campanha chique nos EUA: nem casual, nem elegante demais

The New York Times
De Guy Trebay
Quando a campanha do senador John McCain empacou no meio do caminho, na semana passada, não foram apenas a posição linha-dura do candidato em relação ao Iraque ou os problemas com a ala conservadora de seu partido que fascinaram as hordas digitadoras da blogosfera.

Foram vazamentos de dentro da campanha alegando que McCain, republicano do Arizona, achava que seus assessores o estavam apresentando como um metrossexual.

The New York Times
Campanha do republicano John McCain empaca devido ao uso do 'suéter gay'
The New York Times
O democrata Barack Obama traja um modelo 'bastante elegível' de dois botões
The New York Times
O democrata John Edwards anda 'como se tivesse sido vestido pela mãe"
The New York Times
Como candidata, a democrata Hillary nunca usaria algo que transmita poder feminino
Blogs políticos como o "Stump" e o "Swamp", e de fofocas como o "Radar", fizeram a festa com o chamado 'suéter gay' de McCain, com gola V sobre a camiseta. O pessoal de moda, por sua vez, criticou o traje como mais apropriado para uma 'fila de bufê de spa' do que para as páginas da "Out".

Mas o suéter gay de McCain trouxe à tona um problema perene para os políticos. Quanta atenção os políticos devem dar às suas roupas?

"Há uma ênfase e análise excessiva disto", disse Bill Carrick, um estrategista político democrata que gerenciou a campanha de Dick Gephardt em 1988 e foi consultor para o candidato em 2004. "Há uma linha tênue", acrescentou Carrick, entre os candidatos permanecerem acima da mensagem que suas roupas transmitem e "transformar tudo isto em algum tipo de coisa de Hollywood, televisão, Garry Trudeau, Bob Forehead".

Isto é, há uma linha tênue entre ignorar a 'era Dale Carnegie' de noções de se vestir para o sucesso (um conceito particularmente estranho em uma era de magnatas de Internet trajando bermudas) e a verdade reconhecida instintivamente por figuras públicas astutas e gerações de miss popularidade: as pessoas nos julgam pelas nossas roupas.

"Este é um terno espetacular que você está vestindo", disse David Letterman ao senador Barack Obama, democrata de Illinois, em abril passado quando fez uma aparição no "Late Show". "Este é um terno bastante elegível."

O traje de Obama naquela noite era de certa forma padrão no Capitólio: um terno de dois botões cuja única concessão à moda era a escolha da cor -preto em vez do habitual azul escuro. Sua camisa era branca e engomada. Sua gravata era de um confiante azul e de uma largura (6 cm) que a posicionava no meio da estrada do código de vestuário.

Por toda sua campanha, disseram os especialistas em moda, Obama conseguiu marcar pontos com suas opções de vestuário -paletós apoiados despreocupadamente no ombro, mangas curtas no interior, ternos sob medida impecáveis na televisão- que de alguma forma transmitem conforto pessoal sem sacrifício da autoridade.

"Os eleitores estão à procura de uma nova linguagem e um novo pensamento", disse Dori Molitor, a executiva-chefe da WomanWise, empresa de consultoria especializada em marketing para mulheres. "Obama ajuda a apresentar visualmente tal nova linguagem ao quebrar o código de vestuário do terno azul, camisa engomada e gravata vermelha."

Diferente de alguns candidatos, Obama "passa a imagem de uma pessoa comum e tem uma aura de autenticidade", ela disse.

Os eleitores ouvirão bastante sobre autenticidade nos próximos meses. Carrick, o estrategista democrata, a chamou de "aquilo com que é mais preciso se preocupar".

"Se alguém não passar a imagem de real e crível, esta pessoa não será crível em seu conteúdo", ele disse.

Eles correm o risco de se tornarem 'Al Gore em tons terrosos', em outras palavras, para citar um erro famoso cometido pelo ex-candidato presidencial a conselho de Naomi Wolf, na época sua consultora de imagem. Eles correm o risco de cometer o erro que Nixon cometeu quando usou sapatos de cadarço na praia. Eles correm o risco da decisão prejudicial de John Kerry de aparecer na televisão com um tom alaranjado de bronzeamento artificial.

"Você não quer ser visto como alguém que se preocupa demais com a aparência ou insuficientemente", disse Jay Fielden, editor da "Men's Vogue". A capa da edição de julho-agosto da revista mostra John Edwards, um democrata, com uma aparência elegante de modelo e suficientemente comum. Ele veste, como apontou Fielden, um casaco Carhartt de seu próprio guarda-roupa, presumivelmente em uma tentativa de afastar a atenção de sua riqueza, de sua McMansão na Carolina do Norte e de seus altos gastos com aparência, e voltar a atenção para a agenda antipobreza que ele buscou na semana passada em uma passagem pelo Sul.

"Há um código rígido que é meio que compreendido, mas que você sabe que estas pessoas não podem falar a respeito", disse Fielden, sobre as regras de vestuário cuja própria existência está envolta em um código de silêncio. "Se você se vê em uma situação como a de McCain, isto faz você parecer como se tivesse sido vestido por sua mãe. Não é algo muito macho."

E masculinidade é sempre motivo de discussão, tanto na resposta emocional dos eleitores quanto na análise do "exército de intérpretes profissionais", como D.A. Miller, um crítico político e literário, chama a legião de jornalistas e blogueiros que dissecam as minúcias políticas como ciber-oráculos consultando as entranhas de pássaros.

"Todo mundo lê todo mundo", disse Miller, que leciona na Universidade da Califórnia em Berkeley.

Assim, quando um candidato parece ser vestido por outras pessoas, logo o candidato é interpretado "como gay ou efeminado ou não durão o suficiente para ser presidente", disse Miller.

Isto é, a menos que o candidato seja Hillary Rodham Clinton, democrata de Nova York, que renunciou à personalidade que a colaboradora Myrna Blyth da "National Review" caracterizou recentemente como Hairband (faixa de cabelo) Hillary, a primeira-dama cuja imagem inconstante levou a mudanças freqüentes de penteado e tropeços de guarda-roupa.

A antiga Hillary Rodham Clinton foi substituída por uma candidata que nunca seria pega em um dos terninhos "Dinastia" de Nancy Pelosi, roupas que transmitem poder feminino. A aposta de Hillary em uma aura de autoconfiança de Escritório Oval é orquestrada em torno de um guarda-roupa de terninhos andróginos adorados por estudantes de políticas.

"Para as mulheres é um jogo completamente diferente, uma psicologia separada", disse Juliana Glover, uma lobista e pessoa que conhece Washington há longa data. Uma política não pode se dar ao luxo de se vestir bem demais, disse Glover, ou correrá o risco de ser interpretada como sendo não confiável, uma dominadora, ou pior, uma raposa.

Hillary, é claro, está longe de ser uma sem noção em moda, tendo entre seus amigos o designer Oscar de la Renta, em cuja propriedade à beira-mar na República Dominicana os Clintons já passaram feriados.

E sua principal assistente, Huma Abedin, desfruta de um status semilendário de se manter chique durante as viagens de campanha com um guarda-roupa de Yves Saint Laurent, Prada e Marc Jacobs.

"Este é certamente um fenômeno bipartidário", disse Glover. "Assim como alguém suspeitaria de uma pessoa vestida de forma fabulosa, usando esquis de primeira, mas que mal consegue descer do teleférico de esqui em Aspen, na política há um alto grau de suspeita de alguém arrumado demais."

Cuidado com a aparência é uma coisa, disse Glover. Se empavonar é outra. George El Khouri Andolfato

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