UOL Notícias Internacional
 

22/07/2007

Lula reconhece 'dificuldades' e ordena mudanças no sistema de aviação

The New York Times
De Larry Rohter


Rio de Janeiro
Rompendo três dias de silêncio após o pior desastre aéreo na história do Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi à televisão na noite de sexta-feira para assegurar aos brasileiros preocupados que ordenou mudanças imediatas no falho sistema de aviação civil do país.

O governo brasileiro está "tomando todas as providências ao nosso alcance para diminuir os riscos de novas tragédias", disse Lula. Ele também pediu aos brasileiros, que tiveram que lidar com dois grandes desastres em menos de 10 meses e que pedem para que o governo atue e assuma a responsabilidade pela crise, "serenidade para não cometer injustiças".

Quase 200 pessoas morreram na noite de terça-feira quando um Airbus da TAM Linhas Aéreas derrapou para fora de uma pista curta e escorregadia de um aeroporto de São Paulo e explodiu após se chocar contra um prédio comercial e um posto de gasolina.

Em setembro, 154 pessoas morreram em uma colisão entre dois aviões que voavam sobre a Amazônia. De lá para cá, o Brasil tem experimentado várias greves de controladores de tráfego aéreo, alguns quase acidentes, o colapso do radar e outros sistemas de monitoramento e amplos atrasos e cancelamentos de vôos.

Após o acidente de terça-feira, a Federação Internacional das Associações dos Controladores de Tráfego Aéreo divulgou uma declaração alertando que "a segurança aérea atualmente está comprometida e há um risco aos viajantes" no Brasil devido à negligência do governo.

Rejeições, restrições e promessas
Em seus breves comentários, Lula reconheceu que a aviação brasileira "passa por dificuldades", como ele colocou, e prometeu modernizar o sistema de controle de tráfego aéreo, que era o foco da crise antes do acidente de terça-feira.

Rejeitando implicitamente as críticas da associação internacional, ele também argumentou que o Brasil não está aquém em qualquer aspecto dos padrões internacionais de segurança.

Lula falou brevemente após a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ter anunciado o que chamou de "medidas emergenciais de curto prazo" para reduzir o congestionamento e "aumentar o grau de confiança" dos passageiros no Aeroporto de Congonhas, o local do acidente de terça-feira.

Congonhas é o aeroporto mais movimentado não apenas do Brasil, mas de toda a América do Sul, com mais de 600 pousos e decolagens por dia.

Segundo o novo plano do governo, Congonhas deixará em 60 dias de ser um eixo para as companhias aéreas e no futuro ficará responsável em grande parte apenas pelos passageiros da ponte aérea Rio-São Paulo e outro vôos regionais sem escala. Restrições também foram anunciadas para os vôos fretados ao aeroporto assim como para outros jatos privados e corporativos.

Além disso, o governo prometeu construir um novo aeroporto para a área metropolitana de São Paulo, que conta com quase 20 milhões de habitantes. O Ministério Público também está buscando o fechamento total de Congonhas por motivos de segurança, uma medida que o chefe da agência de aviação civil disse ser "radical e não prática".

Queixas, críticas e gestos obscenos
Lula foi amplamente criticado por demonstrar falta de liderança desde o acidente de terça-feira. Tais queixas aumentaram na sexta-feira, depois que um de seus principais assessores, Marco Aurélio Garcia, foi filmado fazendo gestos impróprios para comemorar uma reportagem de televisão sugerindo que um problema na turbina do avião poderia ter contribuído para o acidente.

Garcia disse que fez o gesto para expressar sua "indignação" diante do que disse serem tentativas de usar o desastre para fins políticos, culpando o governo pela crise.

Mas a explicação apenas gerou mais discórdia no Congresso, cujos membros estão lamentando a morte de um de seus no acidente, o deputado Júlio
Redecker, o líder da minoria na Câmara, que em seu último discurso na semana passada perguntou: "Quem serão as próximas vítimas do caos aéreo brasileiro?" George El Khouri Andolfato

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