UOL Notícias Internacional
 

24/07/2007

Saúde pessoal: desfazendo os mitos da gravidez

The New York Times
Jane E. Brody
Stuart Bradford/The New York Times)

Ivy vinha comendo sushi de atum quase todos os dias. Antes de engravidar, sabiamente fez um checkup, que revelou altos níveis de mercúrio no sangue, o que poderia prejudicar o feto. Chocada, ela parou de comer atum e adiou a gravidez até o mercúrio sair de seu sistema.

No mês passado, deu à luz a um menino saudável.

O excesso de mercúrio pela ingestão de certos tipos de frutos do mar é apenas um dos muitos perigos relacionados à nutrição que confrontam uma mulher grávida ou que queira engravidar. Por outro lado, algumas grávidas temem desnecessariamente riscos nutricionais que não existem.

O March of Dimes, que trabalha para que toda gravidez seja tão bem planejada e bem-sucedida quanto a de Ivy, está fazendo um movimento para esclarecer os enganos na área nutricional e substituí-los com conselhos baseados em evidências científicas sólidas. Alguns dos conselhos podem surpreender e preocupar as mulheres, que talvez apreciem comidas ou bebidas perigosas na gravidez.

Por exemplo, grávidas devem evitar frios, inclusive peru fatiado, a não ser que sejam novamente cozidos antes da ingestão. Por outro lado, o March of Dimes, entre outros especialistas, sugere que é seguro beber uma ou duas xícaras de café por dia durante a gravidez, enquanto consumir chá de ervas demais (ou mais do que duas xícaras de café por dia) pode ser arriscado e resultar em aborto.

A organização também se preocupa com a atual noção entre algumas mulheres que não há problema em ganhar 18 kg ou mais quando grávidas de um bebê. O ganho de peso excessivo na gravidez não só torna mais difícil perder o excedente após o nascimento, mas também aumenta os riscos da mãe desenvolver diabetes gestacional, ter aumentos perigosos na pressão sangüínea (pré-eclampsia), precisar fazer uma cesariana e sofrer infecção pós-parto. Para o bebê, o excesso de ganho de peso da mãe aumenta o risco de defeitos de tubo neural, trauma no nascimento e morte fetal.

Estudos com dezenas de milhares de gestações mostraram que o número de quilos que a mulher deve ganhar para ter maior chance de resultado saudável tanto para a mãe quanto para o bebê depende de quanto ela pesava antes de engravidar.

De acordo com o March of Dimes, mulheres com peso normal devem ganhar entre 11 e 16 kg; mulheres acima do peso, de 7 a 11 kg; mulheres abaixo do peso, entre 12 e 18 kg. Uma grávida de gêmeos deve ganhar mais peso, dependendo do número de bebês que está levando.

Quando a mulher está comendo para dois, ou melhor, quando está contemplando engravidar, é a hora ideal para aprender os princípios da boa nutrição e colocá-los em prática. O básico da dieta saudável durante a gravidez é o mesmo que todo mundo deve ter em qualquer época da vida:

- Grãos integrais, como arroz integral, pão integral ou aveia integral: seis a 11 porções por dia.

- Laticínios, como leite desnatado, iogurte ou queijo: três a quatro porções por dia.

- Proteína, como carne, peixe, feijão, nozes ou ovos: três a quatro porções por dia.

- Vegetais, como brócolis, cenoura, vagem, tomate ou beterraba: três a cinco porções por dia.

- Frutas, como laranja, banana ou maçã: duas a quatro por dia.

O importante é saber quanto é uma porção, porque "comer para dois" não significa que a mulher deve dobrar sua ingestão calórica. Somente 300 calorias adicionais por dia são necessárias para sustentar uma gravidez saudável, desde que sejam de alimentos nutritivos.

Aqui vão alguns exemplos de uma porção: uma fatia de pão, meia xícara de arroz ou macarrão, uma xícara de cereais, uma xícara de leite ou iogurte, dois cubos de 3 cm de queijo, 55g de carne cozida, frango ou peixe, meia xícara de feijão seco, duas colheres de sopa de manteiga de amendoim, meia xícara de vegetais cozidos ou picados, uma xícara de salada verde, três quartos de xícara de suco de vegetal; uma maçã, banana ou laranja, meia xícara de frutas picadas, três quartos de xícara de suco de fruta.

Assegure-se, também, de beber bastante água - até 2 litros por dia - e exercitar-se regularmente. Mulheres grávidas podem andar, dançar, nadar e fazer ioga, mas devem evitar atividades de alto risco como mergulho e esqui.

Muitos alimentos populares são potencialmente perigosos durante a gravidez. As mulheres grávidas devem evitar o seguinte:

- Peixe cru e moluscos, possível fonte do parasita Toxoplasma que pode causar cegueira e dano cerebral fetal.

- Peixes predatórios grandes, como peixe-espada, tubarão, cavala e atum branco (fresco ou enlatado), que pode conter níveis arriscados de mercúrio. O Departamento de Alimentos e Drogas diz para limitar o atum (branco) para 200 g por semana, mas é aceitável comer até 400 g de atum light, camarão, salmão, badejo e bagre.

- Carne crua ou mal passada, frango e frutos do mar. Use um termômetro de carne e cozinhe o porco e a carne moída a 160 graus; bife, vitela e carneiro a 145; frango inteiro a 180 graus e peito de frango a 170.

- Leite não pasteurizado e queijos pastosos - feta, brie, Camembert, Roquefort, queijo branco e queijo fresco, a não ser que o rótulo diga "feito com leite pasteurizado". Eles podem estar contaminados com a bactéria Listeria, que pode provocar aborto, parto prematuro, bebê natimorto ou doença fatal ao recém-nascido.

- Salsichas e frios, a não ser que sejam cozidos antes da ingestão, pois podem ter sido contaminados por Listeria depois do processamento.

- Patês, pastinhas de carne e frutos do mar defumados (a não ser cozidos antes da ingestão). Versões enlatadas são seguras.

- Ovos mexidos moles e alimentos como molhos feitos de ovos crus ou pouco cozidos. Cozinhe os ovos até que a clara e a gema estejam firmes, para evitar contaminação por salmonella.

- Brotos crus, inclusive alfafa, trevo, rabanete e feijão-mungo.

- Chás de ervas e suplementos, pois sua segurança na gravidez não foi estudada. Alguns, como o remidamim ou grandes quantidades de camomila, podem aumentar o risco de aborto ou de parto prematuro.

- O álcool pode causar dano fetal, inclusive retardo mental e comportamento anormal. Apesar de um drinque ocasional talvez não impor risco, nenhuma quantidade segura foi estabelecida.

As mulheres pensando em engravidar e as que já estão grávidas são aconselhadas a tomar vitamina pré-natal diária que contenha entre 400 e 600 microgramas de ácido fólico, para ajudar a prevenir defeitos de tubo neural, assim como 18 a 27 miligramas de ferro para prevenir a anemia, que foi ligada ao nascimento prematuro e bebês com baixo peso.

Os suplementos pré-natais, entretanto, não contêm cálcio suficiente; 1.000 miligramas por dia são necessários para proteger os ossos da mulher grávida e dar ossos e dentes fortes ao bebê. Garanta a ingestão suficiente de alimentos ricos em cálcio como leite, queijo e folhas verdes, ou tomar um suplemento diário de cálcio. Deborah Weinberg

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,95
    3,157
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h28

    -1,26
    74.443,48
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host