UOL Notícias Internacional
 

28/07/2007

Após casos de abuso de álcool, Nasa desenvolverá código de conduta

The New York Times
Warren E. Leary*

Em Washington
A Nasa está investigando relatos de que alguns astronautas podem ter voado bêbados e desenvolverá um código formal de conduta para vôos espaciais, disseram representantes da agência na sexta-feira.

Com comitês no Congresso já prometendo audiências sobre o consumo de álcool e outras questões de saúde, os diretores da agência disseram que pediram ao chefe de segurança da Nasa, Bryan D. O'Connor, para entrevistar astronautas, médicos de bordo e outros para determinar se a agência enfrenta um problema com álcool.

A Nasa está sob observação embaraçosa desde que as alegações se tornaram públicas na quinta-feira, em uma reportagem da revista "Aviation Week & Space Technology" sobre as conclusões de uma comissão independente de oito membros que avaliou questões de saúde envolvendo astronautas. A comissão de peritos legais, médicos e psiquiátricos entrevistou 14 astronautas, cinco membros de suas famílias e oito médicos de bordo.

Na sexta-feira, a comissão divulgou alguns detalhes das alegações de abuso de álcool, mas enfatizou que elas foram relatadas mas não corroboradas.

Em um incidente, um astronauta teria ficado incapacitado pelo álcool antes do lançamento planejado de um ônibus espacial, que foi adiado por problemas mecânicos.

Depois, quando tripulantes quiseram pilotar seus jatos T-38 de treinamento da Flórida até Houston, um colega questionou a capacidade do mesmo astronauta de pilotar, disse o presidente da comissão, o coronel Richard E. Bachmann Jr., um médico que comanda a Escola de Medicina Aeroespacial da Força Aérea.

Outro relato disse que um astronauta que voava para a Estação Espacial Internacional a bordo da espaçonave russa Soyuz ficou bêbado antes da viagem. Nenhum nome ou data foi mencionado para qualquer um dos incidentes.

O'Connor, ele próprio um ex-astronauta, esteve no Centro Espacial Johnson em Houston na sexta-feira, onde discutiu questões de segurança, incluindo álcool, com o comandante e médico de bordo da próxima missão de ônibus espacial, marcada para começar em 7 de agosto.

A revisão de questões de saúde físicas e psicológicas que afetam os astronautas foi conseqüência da prisão de uma astronauta, a capitã Lisa M. Nowak da Marinha, após seu confronto com uma rival romântica em fevereiro passado, no estacionamento do Aeroporto Internacional de Orlando. Nowak foi dispensada da Nasa e enfrenta acusações de agressão e tentativa de seqüestro.

Bachmann, o presidente da comissão, disse em uma coletiva de imprensa realizada aqui por teleconferência que os relatos de incidentes com álcool foram incluídos não para sugerir que a Nasa necessariamente enfrenta um problema com álcool, mas para enfatizar a importância de se prestar atenção aos médicos de bordo.

A comissão não pediu detalhes dos relatos, incluindo o de abuso de álcool por astronautas imediatamente antes dos vôos, e não sabe como foram resolvidos, ele disse.

"Em nenhum destes casos nós podemos confirmar se ocorreram ou não", ele prosseguiu, acrescentando que a missão da comissão não era investigar as alegações, mas apontar preocupações de saúde e segurança que podem estar sendo ignoradas. O dr. Jonathan Clark, um ex-médico de bordo da Nasa e das forças armadas cuja esposa, Laurel Salton Clark, morreu na perda do ônibus espacial Columbia, em 2003, disse ter ficado surpreso com a falta de comprovação factual no relatório.

"Se você pretende expor algo assim", ele disse, se referindo às alegações de abuso de álcool antes dos vôos, "é preciso assegurar que os fatos estejam corretos".

Mas se um astronauta realmente embarcou e pilotou um jato T-38 enquanto estava embriagado, "isto é grave", ele disse. O problema não é tanto o incidente em si, mas o "enorme desprezo pela segurança", que remonta as conclusões da Comissão de Investigação do Acidente do Columbia e da comissão presidencial que investigou a explosão anterior do Challenger, que concluíram que o fato de não ter sido dada a devida importância a questões de segurança teve uma participação em ambos os desastres.

A dra. Sandra A. Yerkes, uma capitã aposentada da Marinha e médica de bordo que foi membro da comissão de saúde dos astronautas, disse que ela e seus colegas temiam que as alegações de abuso de álcool poderiam ser transformadas em algo sensacionalista.

"Nós achamos que as tínhamos apresentado de forma apropriada", ela disse sobre as referências de consumo de álcool, presentes em cinco parágrafos do relatório de 12 páginas. "Talvez tenha sido ingenuidade do comitê tê-las colocado lá."

Em resposta ao relatório, os diretores da Nasa disseram que será pedido aos astronautas que elaborassem um código de conduta que detalhe qual comportamento é esperado dos representantes da agência.

Ellen Ochoa, diretora das operações de equipe de vôo do Centro Espacial Johnson, em Houston, disse que a política da Nasa há muito proíbe o consumo de álcool nas 12 horas que antecedem um astronauta pilotar um jato de treinamento.

Esta política também era aplicada não oficialmente às missões espaciais, ela disse, mas de agora em diante se tornará uma regra formal.

* John Schwartz, em Nova York, contribuiu com reportagem. George El Khouri Andolfato

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