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01/08/2007

Estados Unidos pressionam nações árabes para que aumentem apoio ao Iraque

The New York Times
Helene Cooper e David S. Cloud
Em Jidda, na Arábia Saudita
Na terça-feira (31/07) a secretária de Estado norte-americana Condoleezza Rice e o secretário da Defesa Robert M. Gates conjugaram o seu pacote de assistência militar aos aliados árabes com uma solicitação pública para que os líderes árabes se empenhem mais em apoiar o governo iraquiano liderado pelos xiitas.

Mas embora as autoridades árabes tenham conseguido conter a sua atitude geralmente fria em relação ao governo do primeiro-ministro iraquiano Nouri al-Maliki, elas fizeram apenas promessas vagas no sentido de cumprir compromissos anteriores de apoio ao Iraque.

O objetivo norte-americano com esta rara visita ao Oriente Médio por parte de dois dos principais assessores de segurança nacional do presidente Bush se subdivide em três partes: além de pedir ajuda ao Iraque, Rice e Gates também estão buscando um aquecimento das relações entre Arábia Saudita e Israel, e uma rejeição mais pública dos árabes ao Irã, cuja crescente influência na região tem feito com que vários governos árabes sunitas sintam-se desconfortáveis.

Mas em cada um dos casos a equipe de Bush obteve um pouco menos do que desejava, especialmente tendo em vista o tamanho do pacote militar e financeiro anunciado na última segunda-feira. Além dos Estados Unidos, da Arábia Saudita e do Egito, a reunião da terça-feira incluiu a Jordânia, Bahrein, Omã, Qatar e Emirados Árabes Unidos, e o grupo divulgou uma declaração moderada prometendo trabalhar em prol da "paz e da segurança" na região.

A declaração concordou com uma solução composta por dois Estados para o problema entre israelenses e palestinos, mas não incluiu promessas de que a Arábia Saudita, ou qualquer outro país do Golfo Pérsico, participará de uma conferência internacional sobre a paz árabe-israelenses proposta por Bush para o próximo outono. É de se supor que tal fórum exija que as autoridades árabes sentem-se à mesa com os seus congêneres israelenses.

Durante uma entrevista coletiva à imprensa com Gates, no balneário egípcio de Sharm el-Sheik, no Mar Vermelho, antes de rumar para a Arábia Saudita, Rice afirmou que não está preocupada com a falta de compromisso de comparecimento à reunião do outono porque ela ainda não fez convites oficiais.

"Falamos sobre como esperamos que essa reunião conte com a participação de todos de forma que possa haver progressos rumo a uma solução baseada em dois Estados", disse Rice. "Mas este não é um momento para recrutar pessoas. Tal momento virá".

Autoridades norte-americanas e árabes disseram que a aparente cautela de Rice deve-se ao fato da Arábia Saudita ainda não ter decidido se participará ou não, embora Rice e Gates tenham jantado na terça-feira com o rei Abdullah, da Arábia Saudita, juntamente com os seus assessores de segurança nacional.

Esta viagem se constituiu na primeira vez em que Rice e Gates viajaram juntos ao Oriente Médio para promover a política externa norte-americana. Eles criaram um relacionamento melhor do que aquele outro, marcado por problemas, entre Rice e o antecessor de Gates, Donald H. Rumsfeld.

A última vez em que Rice foi ao exterior com a mais alta autoridade do Pentágono foi quando visitou o Iraque com Rumsfeld, uma viagem na qual a relação tensa entre os dois ficou evidente em uma entrevista conjunta à imprensa.

Desta vez, pareceu haver menos atritos. Rice e Gates chegaram a Sharm el-Sheik com dez minutos de diferença e em aviões separados - o dele era muito maior do que o dela, o que gerou piadas entre a delegação do Departamento de Estado quanto à inveja de aviões e ao grande orçamento do Pentágono.

A alegria camuflava um fato sério: está difícil vender a missão do governo Bush no Iraque para o mundo árabe sunita.

O maior progresso que Rice foi capaz de alcançar foi quando os governos árabes disseram a ela que reconhecem a necessidade de honrar os seus compromissos de ajudar o Iraque, compromissos estes feitos em maio último.

"Existe um reconhecimento de que certas obrigações assumidas na conferência em Sharm el-Sheik precisam ser honradas", afirmou Rice. Ela citou um acordo em maio entre os governos árabes para aumentar o controle das fronteiras a fim de conter o fluxo de combatentes para o Iraque.

Gates disse que garantiu aos aliados árabes que, mesmo entre os membros do Congresso que são favoráveis a uma rápida retirada do Iraque, existe a percepção de que isso poderia causar instabilidade na região, a menos que a retirada fosse feita de forma cuidadosa.

"Creio que em Washington cresce a idéia de que, não importa qual seja a posição em relação à retirada, e quanto ao que faremos a seguir, esse processo precisa ser feito de forma muito cuidadosa e ponderada, e com uma visão de longo prazo sobre a estabilidade da região", disse ele.

Em uma tentativa de obter o apoio dos governos sunitas representados na reunião, Rice disse ter relatado a eles que as forças de segurança de al-Maliki, que têm sido dominadas por xiitas e que se envolveram em ataques sectaristas, têm se mostrado mais imparciais nos últimos meses.

No Irã, a declaração do grupo incluiu apenas um parágrafo apoiando "os esforços diplomáticos internacionais" com o objetivo de conter as ambições nucleares de Teerã, e "reiterar os direitos de todos os países" comprometidos com o Tratado de Não Proliferação Nuclear ao "uso da energia nuclear para fins pacíficos".

Autoridades norte-americanas disseram reservadamente que desejam que os países árabes confrontem o Irã de forma mais enérgica. Mas mesmo quando um repórter perguntou ao ministro das Relações Exteriores do Egito, Ahmed Aboul Gheit, sobre o que ele achava das objeções das autoridades iranianas aos US$ 13 bilhões que os Estados Unidos estão prometendo ao Egito durante os próximos dez anos para treinamento militar, Gheit respondeu de forma cautelosa e não criticou diretamente o Irã.

"Li a declaração iraniana nesta manhã e, sinceramente, fiquei surpreso", disse ele. A seguir, Gheit passou a falar sobre o longo relacionamento entre Egito e Estados Unidos.

Separadamente, em Gaza, na terça-feira, um líder influente do grupo militante islâmico Hamas desprezou a presença de Rice, afirmando que as reuniões com ela não atendem aos interesses e objetivos dos palestinos.

"Com estas visitas os Estados Unidos estão interessados em transmitir a impressão de que algo pode ser fornecido aos palestinos", criticou o líder do grupo, Mahmoud Zahar, que classificou tais visitas como "uma perda de tempo". UOL

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