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02/08/2007

Museu concorda em devolver 40 antiguidades para a Itália

The New York Times
Elisabetta Povoledo*
Em Roma
Após longas negociações, o Museu J. Paul Getty, em Los Angeles, concordou em devolver 40 objetos de sua coleção de antiguidades que a Itália argumenta que foram contrabandeadas para fora do país, os dois lados disseram na quarta-feira.

Uma estátua de culto do século 5 a.C. de uma deidade geralmente identificada como Afrodite, uma das peças de valor do Getty, está entre as obras que devem ser devolvidas à Itália, disseram o Ministério da Cultura italiano e a direção do museu em uma declaração conjunta. Mas as discussões sobre o destino de outra estátua, um bronze do século 4 a.C. de um jovem atleta que foi o motivo do colapso de negociações anteriores, foram temporariamente deixadas de lado para que um tribunal italiano possa conduzir uma investigação sobre como o artefato foi encontrado e como deixou a Itália nos anos 60.

Bruce White/J. Paul Getty Trust/NYT 
Museu irá devolver objetos de sua coleção de antiguidades, como este suporte de mesa

Os detalhes completos do acordo não foram divulgados, mas as 40 peças incluem 26 obras que o Getty concordou unilateralmente em devolver à Itália em novembro passado. Quando as negociações começaram há um ano, a Itália apresentou ao museu uma documentação referente a 52 antiguidades que o Ministério da Cultura disse que foram saqueadas, mas posteriormente removeu seis daquela lista.

Não se sabe que efeito o acordo terá - se é que terá - sobre o destino legal da ex-curadora de antiguidades do Getty, Marion True, que está sendo julgada na Itália desde 2005 sob acusação de tráfico de arte saqueada.

Várias das peças que o Getty concordou em devolver fazem parte do caso da promotoria contra True e Robert Hecht, um marchand de antiguidades americano que está sendo julgado com ela em Roma. Ambos negam ter feito qualquer coisa errada.

Contatado por telefone, Harry Stang, o advogado de True em Los Angeles, disse que não podia especular sobre se o pacto levaria os promotores italianos a retirarem ou reduzirem as acusações contra ela. Mas ele acrescentou: "Nós podemos declarar de forma inequívoca que ela prosseguirá com sua defesa no caso contra ela para estabelecer sua inocência das acusações".

Em uma entrevista por telefone, Michael Brand, diretor do Museu Getty, disse que o novo acordo "não faz referência específica ao julgamento".

Todavia, ele acrescentou, "nós todos esperamos que haja uma grande melhora na situação" de True.

Ele disse esperar que o pacto "permitirá a Marion ter um pouco de paz, um pouco de compaixão". O que acontecerá a seguir "está totalmente nas mãos da Itália", ele disse.

Como curadora de antiguidades do Getty de 1986 a 2005, True supervisionou a aquisição de muitos dos objetos em disputa, entre eles a Afrodite.

Segundo os termos do acordo de quarta-feira, a Afrodite, que o Getty comprou em 1988 por US$ 18 milhões, permanecerá no museu até 2010. Brand disse que o museu espera devolver as demais peças até o final do ano, mas que poderá haver algum atraso devido à fragilidade das peças. "É uma questão de logística e segurança", ele disse.

Os artefatos variam de esculturas gregas heróicas em mármore e vasos com figuras em vermelho e preto a fragmentos de afrescos.

É a maior devolução que a Itália negociou com um museu até o momento em sua campanha para reaver artefatos clássicos e reprimir a pilhagem do que considera sua herança arqueológica.

"Este acordo tem significado histórico", disse o ministro da Cultura da Itália, Francesco Rutelli, aos repórteres daqui. Ele disse que guardaria maiores comentários para uma coletiva de imprensa na quinta-feira.

Em 2006, a Itália fechou acordos semelhantes com o Museu Metropolitano de Arte de Nova York e com o Museu de Belas Artes de Boston, concordando em emprestar obras de arte importantes a estas instituições e em colaborar em projetos de pesquisa e exposições em troca da devolução de tesouros antigos.

Um motivo para o acordo do Getty ter demorado tanto foi o fato de cada lado ter lutado arduamente para apresentar seus argumentos - o Getty ao contratar uma importante firma de advocacia de Los Angeles para questionar algumas das alegações da Itália e representar seus interesses, e os italianos, que ameaçaram um embargo cultural ao Getty caso um acordo não fosse fechado. Tal embargo entraria em vigor na quarta-feira.

Brand disse que a mais recente rodada de negociações teve início em meados de junho e envolveu uma troca constante de cartas, fax, mensagens de e-mail e telefonemas, particularmente entre ele e Rutelli. "Estava bem claro que ambos os lados queriam chegar a um acordo", ele disse.

Um grande obstáculo foi superado quando a Itália concordou em remover a estátua de bronze do jovem de sua lista do que deveria ser devolvido urgentemente. O Getty argumenta que ela foi encontrada em águas internacionais, não em território italiano; a Itália aguardará pelo resultado de um caso judicial envolvendo a estátua em Pesaro, Itália, antes de decidir se manterá ou não sua posição.

"Este foi um passo crítico que nos permitiu recomeçar em boa fé e chegar aos acordos em relação aos outros objetos", disse Brand.

Ele disse que Afrodite "não teve um papel importante nas negociações".

O museu concordou em devolver a estátua em novembro passado e, em um seminário patrocinado pelo Getty em maio, confirmou que ela "provavelmente vem da Itália".

Nenhuma data foi marcada para a assinatura oficial do acordo.

* Randy Kennedy, em Nova York contribuiu com reportagem. George El Khouri Andolfato

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