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03/08/2007

Caso Jean Charles: polícia de Londres criticada por morte após ataque terrorista de 2005

The New York Times
Jane Perlez

Em Londres
A polícia de Londres mentiu ao público britânico sobre a identidade de um homem inocente morto a tiros pela polícia em uma estação de metrô um dia após uma tentativa de ataque terrorista em Londres, em 2005, concluiu a investigação de um grupo de fiscalização da polícia na quinta-feira.

A conclusão do grupo diz que um comissário assistente da polícia sabia que os policiais tinham confundido um eletricista brasileiro com um homem-bomba suicida, mas deixou de informar o comissário de polícia, sir Ian Blair, permitindo assim que informes errados aparecessem na imprensa.

No mês passado, quatro homens muçulmanos de origem do leste da África foram considerados culpados de tramar o ataque ao sistema de transporte de Londres em 21 de julho de 2005.

Felipe Trueba/AFP - 22.jan.2006 
Primas de Jean Charles diante de memorial em homenagem ao brasileiro em Londres

Reportagens de televisão e jornal após a morte do brasileiro, Jean Charles de Menezes, na manhã de 22 de julho de 2005, diziam que o morto estava vestindo uma jaqueta volumosa e parecia ser um dos terroristas que tentaram detonar mochilas cheias de explosivos em três trens de metrô e um ônibus.

Mas uma cronologia da Comissão Independente de Queixas contra a Polícia mostra que três horas após a morte, informação do celular da vítima, que recebeu oito tiros, mostrava nomes de origem latina e não árabes ou asiáticos.

Logo após às 15 horas daquele dia, a equipe de Blair sabia que um brasileiro tinha sido morto e às 16h15 seus membros estavam discutindo qual seria o impacto público caso fosse revelado que o morto era inocente.

Mas às 15h30 daquele dia, Blair disse em uma coletiva de imprensa que o morto tinha sido "ligado diretamente a uma operação antiterrorismo em curso", apontou o relatório.

O relatório atribuiu a informação errada ao segundo em comando de Blair, o comissário assistente Andrew Hayman.

O grupo de fiscalização disse que Hayman não contou a Blair o que se sabia sobre Jean Charles à medida que chegavam as informações, e que ele aprovou pessoalmente o comunicado de imprensa da noite de 22 de julho declarando que "ainda não está claro" se o homem morto era um dos terroristas de 21 de julho.

Mas além da informação falsa divulgada pela polícia, o relatório disse que às 16h30 de 22 de julho, Hayman disse a um grupo de repórteres especializados em assuntos policiais e pertencentes à Associação dos Repórteres Criminais que o morto não era um dos quatro terroristas.

Blair foi mantido no escuro sobre a informação que chegava rapidamente a respeito da identidade de Jean Charles e só foi informado na manhã de 23 de julho, ou 24 horas após a morte, disse o relatório.

A natureza do relatório permitiu que Blair anunciasse na quinta-feira, em uma coletiva de imprensa, que ele não mentiu à população.

"Eu sempre deixei claro que não foi minha intenção enganar e, caso tivesse mentido, eu não estaria apto a manter este cargo. Eu não menti", ele disse.

Ele também disse que mantém a confiança em Hayman. Blair disse que uma ação disciplinar contra Hayman será considerada pela Autoridade da Polícia Metropolitana.

O grupo de fiscalização disse que Hayman optou por "enganar o público com suas ações às 17 horas, na reunião de 22 de julho do conselho administrativo". "Ele foi chave na redação do boletim de imprensa das 18h44, que declarava que não estava claro se o morto era um dos quatro suspeitos procurados do dia anterior".

Assim que a identidade de Jean Charles ficou clara, sua morte causou grande impacto na população britânica, que já estava traumatizada com os atentados suicidas bem-sucedidos ao sistema de transporte londrino em 7 de julho de 2005, que resultaram na morte de 52 pessoas.

A família do brasileiro impetrou a queixa que levou ao relatório de quinta-feira. Eles reagiram com revolta diante do que consideraram um tratamento leniente às autoridades policiais britânicas. Um primo de Jean Charles, Alessandro Pereira, disse que o relatório de quinta-feira mostrou que "as autoridades deveriam ser responsabilizadas".

As conclusões do grupo de fiscalização dificilmente melhorarão a avaliação ruim da polícia entre a comunidade muçulmana britânica. Uma pesquisa por telefone envolvendo 500 adultos muçulmanos entre 2 de abril e 19 de abril, realizada pelo "Channel 4 News" do Reino Unido, revelou que 55% dos entrevistados não confia na polícia. George El Khouri Andolfato

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