UOL Notícias Internacional
 

03/08/2007

Projeto de lei de imigração volta fragmentado ao Congresso

The New York Times
Julia Preston

Em Washington
Quando um amplo projeto de lei de imigração fracassou no Senado em junho, após um acrimonioso debate nacional, muitos legisladores disseram que o assunto estava morto, talvez até o presidente Bush deixar o cargo. Mas alguns pedaços menos contenciosos do projeto de lei já estão retornando à vida.

Na semana passada, o Senado aprovou US$ 3 bilhões para a segurança da fronteira como parte do orçamento da Segurança Interna. Democratas e republicanos também começaram a elaborar um projeto de lei que criaria um programa de trabalhador imigrante temporário para a agricultura.

Outro projeto de lei, também apoiado por senadores de ambos os partidos, abriria o caminho para a cidadania americana para imigrantes ilegais com ensino secundário completo que completarem dois anos de ensino superior ou serviço militar. O senador Richard J. Durbin, um democrata de Illinois que é autor do projeto, o anexou como emenda à legislação de autorização militar que o Senado adiou no mês passado para setembro. Ele disse que tratará do assunto novamente.

O projeto de lei atraiu interesse renovado nesta semana por causa de Juan Sebastian Gomez, um estudante que acabou de se formar com honras no Killian Senior High School em Miami. Em 25 de julho, agentes de imigração detiveram Gomez, 18 anos, seu irmão e seus pais, todos imigrantes ilegais da Colômbia, e se preparavam para deportá-los.

As autoridades de imigração adiaram a deportação na quarta-feira, após um grupo determinado de amigos de Gomez do colégio ter levantado apoio no sul da Flórida e voado para Washington para bater em portas. Eles apontaram o histórico acadêmico de Gomez - uma média de 3,96 pontos quase perfeita - e as notas mais altas em 11 provas de Advanced Placement (entrada em um curso que oferece crédito universitário se for concluído com sucesso). Eles argumentam que ele não deve ser punido por sua condição de ilegal porque seus pais o trouxeram aos Estados Unidos quando ele tinha dois anos.

O projeto de lei de imigração do Senado, que incluía um caminho para a cidadania para os imigrantes ilegais, foi derrotado por opositores que disseram que ele recompensaria pessoas que violaram conscientemente a lei e os empregadores que os contrataram. Mas muitos legisladores, incluindo alguns contrários à lei mais ampla, vêem de forma diferente a medida para estudantes porque beneficiaria adolescentes imigrantes que são ilegais apenas por causa das decisões tomadas por seus pais.

"É injusto fazer estes jovens pagarem pelos pecados de seus pais", disse Durbin.

Segundo o Instituto de Política de Migração, uma organização de pesquisa sem fins lucrativos em Washington, quase um milhão de estudantes imigrantes em todo o país poderiam ganhar status legal segundo a lei, cujos defensores chamam de Lei do Sonho.

Em Phoenix, sete estudantes realizarão um jejum de uma semana em apoio ao projeto de lei. Apesar de suas perspectivas parecerem favoráveis no Senado, o projeto enfrenta uma oposição mais forte na Câmara. "Nós a chamamos de lei do pesadelo", disse o deputado Brian P. Bilbray, republicano da Califórnia que é presidente da Bancada de Reforma da Imigração na Câmara. "Nós estamos dando status aos imigrantes com base no fato de estarem aqui ilegalmente. Isto realmente envia um sinal confuso tanto para imigrantes legais quanto ilegais."

Também ressurgiu o apoio para o projeto de lei agrícola, conhecido como Agjobs, já que a escassez de mão-de-obra no campo atrapalhou as colheitas neste verão de Michigan até a Carolina do Norte e Califórnia. O apoio ao projeto de lei inclui produtores rurais, o sindicato de trabalhadores rurais United Farm Workers, republicanos conservadores como o senador Larry Craig, de Idaho, e a senadora Dianne Feinstein, uma democrata da Califórnia.

O projeto de lei expandiria e aperfeiçoaria o programa de trabalhador rural convidado existente e ofereceria status legal aos imigrantes ilegais que têm experiência no campo. Pelo menos 70% dos trabalhadores rurais são imigrantes ilegais, segundo a Coalizão da Agricultura para a Reforma da Imigração, uma entidade setorial nacional.

Os defensores do projeto de lei dizem que estão buscando formas de colocá-la em votação antes do final do ano. Um destes esforços fracassou na semana passada. Durante o debate do orçamento da Segurança Interna, o senador Edward M. Kennedy, democrata de Massachusetts, buscou a votação de uma emenda que combinaria o projeto agrícola com o de estudante imigrante ilegal. Por razões técnicas o esforço não foi bem-sucedido.

O caso de Gomez fornece um exemplo claro para Washington das questões por trás da medida para o estudante imigrante ilegal.

Um adolescente sociável que conquistou amigos no Killian High School ao ajudar seus colegas em matérias tão diversas quanto história européia e bioquímica, Gomez parecia um candidato excepcional para as universidades. Voluntário em um abrigo para moradores de rua no bairro, ele freqüentemente fazia sua lição de casa nos computadores pessoais de seus amigos porque seus pais não tinham dinheiro para comprar um.

Os pais de Gomez, Liliana e Jose Gomez, o trouxeram e seu irmão, Alejandro, que é um ano mais velho que Juan, da Colômbia para os Estados Unidos com vistos de turista em 1990. Os pais ficaram no país e abriram um pequeno negócio de catering em Miami enquanto os meninos freqüentavam a escola pública.

Barbara Gonzalez, uma porta-voz do Serviço de Imigração e Alfândega, disse que os pais de Gomez buscaram legalizar sua situação, mas seu pedido foi negado pelo tribunal de imigração em 2002 e enfrentavam ordem de deportação desde então.

Gomez, impedido de pedir ajuda financeira devido à sua condição de ilegal, se matriculou na faculdade comunitária de Miami.

"Tudo o que ouço agora é que sou colombiano, mas virtualmente nunca estive lá", disse Gomez em uma entrevista por telefone de Miami. Ele disse que não tem lembranças do país onde nasceu e não fala espanhol de forma articulada.

A família foi presa como parte de uma operação nacional do Serviço de Imigração e Alfândega para rastrear imigrantes com deportação ordenada, disseram autoridades de imigração. Do veículo que levou Gomez para um centro de detenção de imigrantes, ele fez chamadas furtivas por celular para amigos do Killian High School. Eles abriram uma página no Facebook para expor sua situação e contataram a imprensa. Uma semana depois, o site de Gomez contava com mais de 2 mil membros e sete de seus amigos estavam atuando nos corredores do Capitólio.

Em entrevistas aqui, amigos lembraram-se de Gomez os ajudando em uma maratona de três dias sem dormir de estudos para o exame de história do Advanced Placement.

"Eu realmente vejo Juan buscando uma carreira que beneficiará a América", disse Andrew Dubbin, 17 anos, um aluno do Killian. "Ele pode fazer qualquer coisa. Ele é genuinamente inteligente e sociável".

Na segunda-feira, o deputado Lincoln Diaz-Balart, um republicano da Flórida, apresentou um projeto de lei ao Comitê Judiciário da Câmara pedindo o status de residente legal para Gomez e seu irmão. A deputada Ileana Ros-Lehtinen, também republicana da Flórida, fez um apelo pelos irmãos junto à Casa Branca, e o senador Bill Nelson, um democrata da Flórida, telefonou para as autoridades de imigração.

Na quarta-feira, as autoridades adiaram a deportação da família e a liberou por 45 dias para dar ao Congresso tempo para considerar o projeto de lei apresentado, disse Gonzalez, a porta-voz do Serviço de Imigração e Alfândega.

Na sexta-feira, a deputada Zoe Lofgren, a democrata da Califórnia que chefia o subcomitê de imigração do Judiciário da Câmara, realizará uma sessão para considerar os projetos apresentados em prol de três outros estudantes imigrantes ilegais que enfrentam deportação. Seu porta-voz, Pedro Ribeiro, disse que ela espera tratar do projeto de Gomez após o recesso de agosto. George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h16

    -0,05
    3,173
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h23

    1,12
    65.403,25
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host