UOL Notícias Internacional
 

07/08/2007

Em reunião com Olmert, Abbas é o anfitrião

The New York Times
Isabel Kershner*
Em Jericó, na Cisjordânia
O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, reuniu-se na segunda-feira (06/08) com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, pela primeira vez em território palestino, em mais um gesto que tem como objetivo fortalecer a liderança palestina moderada e injetar uma sensação de ímpeto nos esforços pela paz que há muito tempo encontra-se em estado de dormência.

O fato de a reunião ter se passado em Jericó, uma cidade-oásis na Cisjordânia, exigindo uma extrema coordenação de palestinos e israelenses para garantir a segurança, foi por si só um sinal de progresso e da mudança do clima político entre Israel e a Autoridade Palestina, liderada por Abbas.

A última vez em que um primeiro-ministro israelense pisou no território da Autoridade Palestina foi em maio de 2000, quando Ehud Barak confabulou em Ramallah com Iasser Arafat, o antigo líder palestino, que morreu em 2004. Quatro meses após a reunião, irrompeu a segunda intifada, e, devido a determinações militares, os israelenses não puderam mais entrar nas cidades palestinas.

Amos BenGershom/Reuters 
Primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert (esq.), e o presidente palestino Mahmoud Abbas

"A disposição de Olmert de ir a Jericó tem como intenção demonstrar boa vontade e promover boas relações", afirmou David Baker, um porta-voz do governo israelense.

Ambos os lados deram a impressão de que houve algum progresso após a reunião de três horas. Durante a metade deste tempo Olmert e Abbas conversaram reservadamente.

"As conversações se concentraram nas questões fundamentais que são a base para a criação de um Estado palestino", afirmou Olmert. "A nossa intenção é criar dois Estados para que dois povos vivam lado ao lado em segurança, o mais rapidamente possível", disse Olmert, segundo uma declaração divulgada pelo seu gabinete.

Saeb Erekat, o principal negociador palestino e assessor próximo de Abbas, disse mais tarde aos jornalistas em Ramallah que Abbas "não veio à reunião com uma varinha mágica, e Olmert também não". Mas ele disse ainda que os dois lados discutiram "questões fundamentais", e que a reunião "lidou com questões cruciais que levarão à rápida formação de um Estado palestino independente".

Tanto as autoridades palestinas quanto as israelenses falam agora da necessidade de trabalharem simultaneamente em duas frentes: por um lado, lidar com as questões concretas e cotidianas e com medidas para a geração de confiança, como a recente libertação de 250 prisioneiros palestinos de cadeias israelenses, bem como a implementação de projetos econômicos na Cisjordânia; e, por outro lado, acelerar o processo político para que a Palestina alcance a condição de um Estado pleno.

Autoridades de ambos os lados dizem que Abbas e Olmert concordaram em marcar novas reuniões.

Apesar da confluência externa das posições, houve dissonância interna, pelo menos nas declarações públicas, a respeito do resultado dessas reuniões.

Erekat falou da necessidade de que se focalize no "final do jogo" diplomático, da aceleração das negociações e de "um mecanismo para a implementação, um cronograma e monitores".

Mas Israel deixou claro que não está pronto para começar a negociar os detalhes de um acordo verdadeiro. "Se formos colocar os pingos nos is e os traços nos tês muito rapidamente no que diz respeito a um acordo quanto ao status final, não teremos sucesso", advertiu Mark Regev, um porta-voz do governo israelense. "Quem fizer tal coisa fornecerá munição aos extremistas. Não queremos estabelecer prazos para nada".

Jericó foi isolada para as pessoas de fora horas antes da reunião, que teve início às 13h, e uma ampla área de segurança foi criada em volta do Hotel Intercontinental, onde os líderes se reuniram. Os jornalistas ficaram confinados a uma área de terra sombreada, controlada pelo posto de checagem do exército israelense na entrada da cidade. Abbas e Olmert passaram pelo posto em comboios, cada um deles contando com vários automóveis iguais aos dos líderes - como forma de confundir eventuais extremistas - seguidos por ambulâncias.

Jericó foi a primeira cidade da Cisjordânia a ser transferida para o controle palestino em 1994. A localização relativamente remota da cidade a manteve em grande parte isolada da violência que atingiu outras áreas palestinas.

O Hotel Intercontinental, com o seu adjacente Cassino Oásis, presenciou ele próprio os altos e baixos dos esforços pela paz no decorrer dos anos. Como não existem cassinos legalizados em Israel, ônibus lotados de israelenses costumavam seguir para Jericó para que os passageiros jogassem.

Para os israelenses e os palestinos que lucravam com o cassino, este se tornou um símbolo da coexistência pacífica e dos frutos que a paz pode trazer. Porém, para muitos palestinos, ele virou um símbolo da corrupção moral e financeira do antigo regime controlado por Arafat e pela organização de Abbas, o Fatah.

O rival do Fatah, o grupo militante islâmico Hamas, venceu as eleições em 2006 com uma plataforma de mudança, e assumiu violentamente o controle sobre a Faixa de Gaza em junho deste ano. Os seus líderes desprezaram a reunião entre Olmert e Abbas na segunda-feira, afirmando que ela não atende aos interesses palestinos.

Abbas agora lidera uma alternativa, um governo apoiado pelo Ocidente que governa a partir da Cisjordânia. Na segunda-feira Olmert pediu a Abbas que não se reunisse e nem conversasse com o Hamas, que Israel considera uma organização terrorista. Baker disse que Abbas garantiu que não tem a intenção de negociar com o Hamas.

Enquanto isso, tanto o líder israelense quanto o palestino estão enfrentando uma profunda onda de cinismo nos seus respectivos campos. Em Jericó, Emad Abu Sombul, um jornalista local, disse que na segunda-feira o povo da cidade não estava preocupado com o que se passava na reunião.

"Eles não se mostravam interessados, e as suas expectativas não eram altas", disse ele. "O que os preocupava eram as dificuldades enfrentadas para se locomover na cidade devido às fortes medidas de se segurança".

*KhaledAbu Aker, em Ramallah, contribuiu para esta matéria. UOL

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