UOL Notícias Internacional
 

11/08/2007

Emissários esperam retomar negociações para a independência de Kosovo

The New York Times
Nicholas Wood

Em Liubliana, Eslovênia
Um mês após as negociações sobre o futuro de Kosovo terem fracassado no Conselho de Segurança da ONU, emissários dos Estados Unidos, União Européia e Rússia iniciaram uma visita de três dias à região na sexta-feira, em uma tentativa de iniciar uma nova rodada de negociações.

Mas políticos e diplomatas na região dizem estar céticos de que um acordo será acertado, deixando os governos ocidentais com o dilema de reconhecer ou não de forma independente a província separatista como Estado - sem o endosso do Conselho de Segurança.

Oficialmente, diplomatas disseram que as novas negociações poderiam levar a um acordo entre a liderança de etnia albanesa de Kosovo, que deseja a independência, e o governo sérvio em Belgrado, superando assim um racha substancial entre a Rússia, a principal aliada da Sérvia, e os governos ocidentais em torno do futuro de Kosovo.

A Rússia rejeitou um plano da ONU que daria independência a Kosovo, sob a supervisão de uma missão européia. A Rússia ameaçou vetar o plano no Conselho de Segurança e insistiu que qualquer acordo deve ser apoiado tanto pelos sérvios quanto pelos albano-kosovares.

A Sérvia insiste de forma inflexível que a província, atualmente administrada pela ONU, permaneça parte de seu território.

Os emissários se reuniram com o presidente sérvio, Boris Tadic, e com o primeiro-ministro do país, Vojislav Kostunica, por mais de uma hora em Belgrado na sexta-feira, mas se recusaram a falar com os repórteres depois. Eles passarão o sábado e domingo em Pristina, a capital de Kosovo.

Ban Ki-moon, o secretário-geral da ONU, estabeleceu prazo até 10 de dezembro para a conclusão das mais recentes negociações entre os sérvios e o albano-kosovares.

Ambos os lados não cedem em suas posições. Os albano-kosovares correspondem a mais de 90% da população de Kosovo, mas a Sérvia, que tem a soberania sobre Kosovo, apesar de apenas nominalmente, diz estar disposta a dar à região uma autonomia substancial, mas não plena independência.

"Qualquer proposta que não seja a independência é inaceitável", disse Agim Ceku, o primeiro-ministro de Kosovo, falando aos repórteres na quarta-feira, em Pristina.

Neste mês, o primeiro-ministro da Sérvia, Vuk Jeremic, pareceu adotar um tom mais conciliatório, dizendo que seu governo estava pronto a fazer uma concessão, oferecendo a Kosovo direitos associados à soberania, como ingresso no Banco Mundial e no Fundo Monetário Internacional.

A ONU administra Kosovo desde 1999, quando forças sérvias, que foram acusadas de cometer atrocidades contra os albano-kosovares, foram forçados a deixar o território após 78 dias de campanha de bombardeio liderada pela Otan. O arranjo colocou um fim a dois anos de conflito entre os rebeldes albano-kosovares e o governo da Iugoslávia, da qual a Sérvia era a parte dominante.

Na quinta-feira, o emissário da União Européia, Wolfgang Ischinger, depositou o fardo sobre os dois lados.

"Nós estamos oferecendo a Belgrado e Pristina outra oportunidade, talvez a última, para chegarem a uma solução negociada", ele disse à "BBC".

Mas alguns diplomatas, que estiveram envolvidos nas negociações desde o seu início em fevereiro de 2006, disseram que no final um acordo terá que ser imposto.

"Não há nada o que negociar", disse um diplomata ocidental em Pristina, falando sob a condição de anonimato segundo as regras diplomáticas habituais. "Não há um meio-termo que possa ser encontrado".

Um obstáculo para um acordo imposto é o número de governos europeus não dispostos a apoiar uma solução não apoiada pela ONU. George El Khouri Andolfato

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