UOL Mídia GlobalUOL Mídia Global
UOL BUSCA

RECEBA O BOLETIM
UOL MÍDIA GLOBAL


11/08/2007
Ela trabalha duro pelo dinheiro, e precisa de uma "esposa"

Shira Boss

Agora que as mulheres conquistaram solidamente seu lugar no mercado de trabalho, muitas se vêem ainda desejando algo que os homens muitas vezes têm: esposas.

"A coisa que mais quero na vida é uma esposa. Não estou brincando", disse Joyce Lustbader, pesquisadora da Universidade de Columbia que está casada há 29 anos. "Trabalho o dia todo, algumas vezes sete dias por semana, e ainda tenho que chegar em casa e fazer o jantar e todas aquelas outras coisas de casa".

O turno extra em casa não é única reclamação comum. Mulheres trabalhadoras, casadas ou solteiras, também vêem a falta de apoio marital dedicado como uma dificuldade para subir na carreira, especialmente quando estão competindo contra homens que têm mulheres por trás deles, trabalhando fora ou não. E as pesquisas comprovam seu argumento: parece que o casamento, ao menos o casamento com filhos, promove a carreira de um homem, mas prejudica a da mulher.

Librado Romero/The New York Times 
Dawn Santana, seu marido e as crianças Ian, 10, e Mina, 4, passeiam no Central Park, NY

Um especialista em estudos da mulher disse que essa "inveja da esposa" é apenas algo que as mulheres "costumam fazer piada"; outro disse que é simplesmente "uma necessidade de um segundo conjunto de mãos, independentemente do sexo". Terapeutas que trabalham com questões de igualdade entre casais, entretanto, dizem que não é brincadeira.

"Ouço isso o tempo todo", disse Robin Stern, psicoterapeuta em Manhattan e autor de "The Gaslight Effect". "É uma verdadeira preocupação. As coisas que costumavam ser rotineiramente resolvidas durante a semana não são mais."

A norma atualmente são famílias com duas fontes de renda, e homens e mulheres trabalhando um número recorde de horas. A questão, portanto, tornou-se como realizar o trabalho que costumava ser da mulher, mesmo com o relaxamento dos padrões antigos de administração do lar e do entretenimento. Muitos homens compartilham com suas esposas as tarefas domésticas e o cuidado das crianças, e alguns o fazem como pais solteiros, mas as mulheres ainda geralmente carregam uma carga maior do cuidado da casa (ou assumem as preocupações de como realizar o que não está sendo feito).

De acordo com dados de uma pesquisa de 2006 do Escritório de Estatísticas do Trabalho, um em cada cinco homens se envolve em algum tipo de trabalho doméstico por dia, enquanto mais da metade das mulheres o fazem.

"O verdadeiro desafio é que as empresas esperam que você tenha o desempenho de uma pessoa que tem tudo pronto em casa", disse Kim Gandy, presidente da Organização Nacional para Mulheres. "Alguns homens estão em melhor posição para lidar com essas exigências corporativas, porque eles têm alguém em casa. A maior parte das mulheres não".

As mulheres que trabalham observaram, corretamente, que seus colegas homens que têm o apoio de uma mulher - quer trabalhe fora ou não - vão mais longe na carreira do que mulheres que são presas pelo casamento e filhos. As mulheres ocupam 50,6% das posições profissionais e de gerenciamento, de acordo com a organização de pesquisa Catalyst, mas perfazem apenas 15,6% da lista de diretores corporativos da Fortune 500.

Homens e mulheres casados, em média, ganham mais dos que os não casados. Parte disso poderia ser atribuída ao avanço na carreira e no salário que vem com a maturidade (e em geral pessoas casadas são mais velhas). Mas o vão é significativamente maior para homens do que para mulheres. Mulheres casadas ganham em média 17% mais do que as mulheres descasadas, de acordo com dados de 2005 do BLS sobre a renda média de trabalhadores em tempo integral, enquanto homens casados fazem 42% mais do que os homens não casados.

Uma análise estatística mais rigorosa, publicada em 2004, usando o Registro de Gêmeos de Minnesota, tentou isolar o efeito do casamento na renda. Concluiu que gêmeos casados fazem 26% mais do que seus irmãos não casados, que têm a educação e genética igual.

Não está claro qual efeito o casamento tem nas carreiras e rendas das mulheres, mas ter filhos é, em geral, um obstáculo. "Há uma penalidade bem documentada para a maternidade: as mulheres com filhos recebem menos do que as mulheres sem filhos", disse Mary Blair-Loy, socióloga e autora de "Competing Devotions", um estudo de executivas que mantiveram o trabalho contra as que interromperam suas carreiras.

Para os homens, entretanto, esta não é necessariamente uma desvantagem e o fato de serem pais pode até beneficiar seu trabalho, de acordo com mais de um estudo, inclusive um publicado em março no American Journal of Sociology.

Em 1972, a primeira edição de Ms. Magazine incluiu um ensaio que hoje é um clássico de Judy Syfers: "Quero uma esposa". Suas fantasias incluíam uma esposa que levasse as crianças para o parque e para a casa dos amigos, organizasse a vida social, servisse canapés aos convidados, planejasse as refeições, cozinhasse, limpasse. O sentimento parece persistir entre as mulheres trabalhadoras de hoje.

"Em todos os níveis, me ressinto", disse Lustbader. "Não do meu marido, mas de outras mulheres que não trabalham, ou que têm um marido que fica em casa". Ela chama seu casamento de bom e também tem o benefício de uma diarista uma vez por semana. Além disso, quando os filhos eram pequenos, contratou uma babá. Entretanto, não perseguiu uma posição permanente de professora universitária porque queria estar mais disponível para os filhos quando pequenos.

Enquanto a terceirização do trabalho doméstico é uma solução potencial para famílias que podem pagar, não resolve todas as questões. As mulheres ainda são predominantemente as que contratam e administram a ajuda, de acordo com Blair-Loy e outros especialistas. Especialmente no que concerne o cuidado das crianças, sentem que não há um substituto para um cônjuge.

"A situação é que você tem que ter alguém fazendo para você, senão você faz", disse Dawn Santana, advogada em Manhattan, que trabalha meio período. "Eu gosto de fazer eu mesma, e não confio em muitas outras pessoas. Mas confiaria em um marido".

Mesmo que a carga de trabalho seja dividida, as mulheres reclamam que, em geral, são elas que organizam, administram e enchem suas cabeças com as demandas diárias da vida doméstica. Isso deixa menos tempo e energia para se concentrarem no trabalho.

"Os homens trancam a porta e vão embora. As coisas podem estar uma bagunça, mas isso não afeta o mundo deles", disse Santana. "Eu saio de casa e me preocupo com a arrumação da casa, porque as crianças trarão amigos para casa, etc. Alguém tem que se preocupar com isso, e em geral não é o pai".

O marido de Santana, Gus Moore, que trabalha em finanças, não vê da mesma forma. "Nós dois fazemos o que podemos enquanto estamos acordados", diz ele. Em relação à vantagem salarial dos homens casados, ele comentou: "Não vejo porque isso seria assim. Não posso pensar no que estariam fazendo para causar isso". Ele observou que alguns colegas casados trazem almoço de casa, provavelmente embrulhado pela mulher, mas duvida que isso altere as estatísticas.

Algumas pessoas, inclusive feministas, argumentam que um homem não casado talvez tenha os mesmos desafios e "inveja da esposa" que as mulheres. Mas uma resposta comum é que as situações não são as mesmas, por causa de expectativas que tendem a pressionar desproporcionalmente as mulheres.

"Existem expectativas desproporcionalmente altas para mulheres, e elas têm padrões mais altos", disse Sumru Erkut, diretora dos Centros Wellesley para Mulheres. Ou, como disse Moore: "imagino que a maior parte dos homens solteiros não se preocupa com a limpeza de suas casas." As mulheres tendem a sentir que deveriam fazer mais, mesmo com um trabalho em horário integral. "No trabalho, ou em qualquer lugar em que homens e mulheres competem, os homens casados têm uma vantagem sobre as mulheres, casadas ou não", disse Erkut.

Lustbader diz que os homens em seu local de trabalho convidavam colegas para churrascos organizados por suas mulheres. "Ouvi falar que foram adoráveis", disse ela. "Não faço isso." Colegas homens também fazem coquetéis em suas casas para os outros membros do corpo docente. "Nunca fiz isso. Seria mais uma obrigação que não quero fazer."

Entreter e sociabilizar fora do trabalho podem ou não ajudar a carreira com a promoção de amizades, da visibilidade e da imagem, mas Lustbader observa que o tempo e energia envolvidos em ser anfitrião são obstáculos.

Especialistas dizem que para mudar a situação são necessárias mudanças contínuas de atitude e política dos indivíduos, parceiros e locais de trabalho para favorecer o equilíbrio do trabalho e da vida doméstica e a igualdade entre os sexos.

Moore ajuda muito com a casa, concorda sua mulher. Ele também gostaria de ter um ajudante dedicado, confiável. "Ele sente da mesma forma", disse Santana, "mas ele chama (esse ajudante imaginário) de mãe. Agora apenas dizemos mamãe".

Tradução: Deborah Weinberg

ÍNDICE DE NOTÍCIAS  IMPRIMIR  ENVIE POR E-MAIL

Folha Online
Reforma visual da Folha facilita a leitura; conheça as mudanças
UOL Esporte
Após fiasco de público, CBF reduz preços de ingressos para partida
UOL Economia
Bovespa reduz ritmo de perdas
perto do fim dos negócios

UOL Tecnologia
Fãs do iPhone promovem encontro no Brasil; veja mais
UOL Notícias
Chuvas deixam quatro mortos e afetam mais de 4 mil no Paraná
UOL Vestibular
Cotista tem nota parecida com de não-cotista aponta Unifesp
UOL Televisão
Nova novela da Record terá máfia e Gabriel Braga Nunes como protagonista
UOL Música
Radiohead entra em estúdio para trabalhar em disco novo
UOL Diversão & Arte
Escritor indiano Aravind Adiga ganha o Booker Prize
UOL Cinema
Novo filme dos irmãos
Coen tem maior bilheteria nos EUA





Shopping UOL

Gravadores Externosde DVD a partir
de R$ 255,00
Câmera Sony6MP a partir
de R$ 498,00
TVs 29 polegadas:Encontre modelos
a partir de R$ 699