UOL Notícias Internacional
 

14/08/2007

Análise: Um legado cheio de protegidos

The New York Times
Adam Nagourney
Independente do que a história dirá do papel de Karl Rove na Casa Branca, seu legado como estrategista político pode ser medido em uma campanha presidencial que começou sem ele. Uma olhar pelas equipes de todos os candidatos presidenciais republicanos revela pessoas que trabalharam com ele, que trouxeram alguns de seus métodos à atual corrida.

Mas Rove deixa a Casa Branca longe de vitorioso. Sua reputação lendária, forjada pela condução de Bush a duas vitórias supostamente improváveis, foi seriamente arranhada pela derrota republicana de 2006. Ele é responsabilizado nos círculos republicanos por muitos dos problemas políticos que o presidente Bush sofreu em um difícil segundo mandato - problemas que ocorreram enquanto Rove expandia seu mandado e arriscava sua mão na política.

Tais reveses contribuíram para um mau presságio em todo o partido sobre a manutenção da Casa Branca em mãos republicanas.

Doug Mills/The New York Times 
Karl Rove foi o estrategista político das duas campanhas presidenciais de Gerge W. Bush

"Ele recebe mais crédito e mais culpa do que merece", disse John Weaver, um ex-alto assessor do senador John McCain, republicano do Arizona, que tem um longo histórico de briga e trabalho com Rove. "No final do dia, ele era o técnico da equipe política que venceu o equivalente a dois Super Bowls consecutivos. Mas outras coisas que fez são mais subjetivas: as campanhas que foram adotadas e seu impacto sobre o governo".

Certamente, Rove mudou consideravelmente a forma como a política presidencial é realizada. Baseado em seu exemplo, as campanhas se tornaram mais disciplinadas no envio de mensagens simples, freqüentemente negativas. Elas começam tentando identificar as vulnerabilidades dos adversários potenciais e realizam extensa pesquisa negativa enquanto se preparam para explorar tais vulnerabilidades desde cedo e com freqüência.

Elas buscam trabalhar planos de ação mês a mês, de longo prazo, e se atêm a eles, mesmo nos momentos difíceis. E empregam metodicamente dados de marketing e outros para identificar eleitores potenciais e para assegurar que votem com uma eficiência nunca vista antes, algo que Rove promoveu em conjunto com seu aliado próximo, Ken Mehlman, o ex-presidente do Comitê Nacional Republicano.

"O modelo de Rove é tão impressionante que a líder nas pesquisas pela indicação presidencial está seguindo o plano", disse Mark McKinnon, que trabalhou com Rove em 2004 e está servindo como consultor da campanha presidencial de McCain. "É quase a doutrina Powell da política: os atinja com tudo o que tem, em toda parte e ao mesmo tempo".

A líder a qual se referiu, disse McKinnon, é uma democrata, a senadora Hillary Rodham Clinton. Mas se Rove seria bem-vindo a integrar qualquer uma das campanhas presidenciais republicanas foi uma pergunta recebida com silêncio quando feita aos assessores de campanha na segunda-feira. Se alguns dos feitos de Rove foram avidamente imitados, outros -incluindo a ênfase em mobilizar a base eleitoral republicano se concentrando em questões polarizantes como casamento de mesmo sexo - foram desacreditados pelas pesquisas, que sugerem que a base encolheu no segundo mandato de Bush.

Não por acaso, Rove também deixa a Casa Branca como uma figura extraordinariamente polarizante, como ficou evidente na segunda-feira, na forma como alguns blogueiros conservadores se juntaram aos democratas na manifestação de prazer com sua partida iminente.

Mesmo alguns republicanos disseram que a decisão de Rove de assumir mais autoridade sobre políticas e legislação após ajudar Bush a conquistar seu segundo mandato pode ter sido um erro.

A proeza que Rove exibiu na condução de uma campanha não ficou evidente quando tentou supervisionar as difíceis relações da Casa Branca com o Congresso, produzindo dois anos de poucos ganhos legislativos. A estratégia de Rove de apelar primeiro para a base republicana, algo que ajudou Bush a vencer em Estados chaves como Ohio, nas eleições de 2000 e 2004, não funcionou em um Congresso que exigia cooperação e negociação com amigos e inimigos.

As habilidades de campanha de Rove são menos contestadas.

"A melhor coisa que ele fez em relação às campanhas é a disciplina da mensagem: se concentrar firmemente em uma coisa e fazer com que seja fixada pelo eleitor", disse Alex Castellanos, um alto conselheiro da campanha presidencial de Mitt Romney, o ex-governador de Massachusetts.

Terry Nelson, um associado de Rove que dirigiu a campanha de McCain até partir em uma reorganização recente, notou que o número de pessoas que saíram da loja Rove-Mehlman e trabalham nas campanhas de 2008 sugere a contínua influência de Rove.

A demanda por veteranos da campanha de 2004 reflete uma fome "por pessoas que são disciplinadas e concentradas em fazer o que é necessário para vencer uma campanha", disse Nelson.

Em uma entrevista na noite de segunda-feira, Rove disse que a lista de eleitores que desenvolveu com Mehlman ajudará o partido a vencer eleições por anos. Assim como previu até o último minuto em 2006 que os republicanos manteriam o controle do Congresso, Rove permanece o otimista de sempre, prevendo que os republicanos manterão a Casa Branca no próximo ano.

Mas ele disse ser uma "impressão equivocada" que "isto tudo se trata de trabalhar a base; que supostamente o sucesso das duas campanhas se deve ao fato do presidente ter explorado a base do Partido Republicano. Completamente errado".
MUDANÇA NA CASA BRANCA
Doug Mills/The New York Times
Rove (ao fundo) e o presidente dos EUA George W. Bush
LEIA MAIS

Até certo ponto, disseram os republicanos, Rove manterá certa influência junto aos principais candidatos presidenciais republicanos simplesmente por ter amizade ou trabalhado com tantas pessoas que estão trabalhando em cargos importantes nas campanhas de Rudolph W. Giuliani, McCain e Romney, só para citar alguns. Ele conversa com eles com freqüência e deixou claro, disseram associados, que está pronto a oferecer conselhos se lhe pedirem.

Rove disse na segunda-feira que não prevê "assumir algum papel formal" em qualquer campanha. Mas é difícil imaginá-lo de fora caso seus serviços sejam requisitados. Esta eleição pode ser a última chance de Rove de salvar uma reputação abalada em 2006. Ele certamente reconhece que estar identificado a um esforço bem-sucedido para retomada do Congresso e manutenção da Casa Branca poderia restaurar pelo menos parte do brilho para um homem que por muito tempo foi descrito em Washington como gênio político.

Mas está cada vez mais claro que os candidatos republicanos para 2008 não estão competindo nem pelo manto de Bush nem pelos serviços de seu principal estrategista.

Provavelmente não houve melhor evidência disto do que em Iowa no fim de semana, onde uma votação informal em Ames serviu como ponto de encontro para alguns dos republicanos mais dedicados do país. Na mesma disputa em 1999, Rove mostrou sua habilidade política ao país, conduzindo Bush a uma vitória em uma votação informal que consolidou sua posição como o favorito incontestável de seu partido.

Neste ano, o nome de Bush mal foi citado, muito menos o de Rove, e o vencedor da disputa, Romney, ofereceu um veredicto bastante sombrio para os últimos sete anos em Washington - e talvez para o próprio Rove.

"Se há um momento em que mudanças são necessárias em Washington, este momento é agora", disse Romney aos republicanos em Iowa. A fala provocou alguns dos aplausos mais fortes do dia. George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,32
    3,157
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    0,56
    63.760,62
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host