UOL Notícias Internacional
 

14/08/2007

Inflação cresce na China

The New York Times
Keith Bradsher

Em Hong Kong
Reuters - 12.mar.2007 

Um aumento acentuado no preço dos alimentos elevou a inflação na China para 5,6% no mês passado, o maior índice em uma década, mostraram números do governo na segunda-feira, provocando preocupação renovada de uma disseminação mais ampla da inflação na China e no exterior.

O aumento nos preços ao consumidor no mês passado elevou a inflação além de seu pico de 5,3% em julho e agosto de 2004, quando as autoridades de Pequim responderam impondo algumas restrições administrativas drásticas para desacelerar o que então parecia ser uma economia superaquecida.

Autoridades locais foram presas na época por permitirem o prosseguimento de grandes projetos sem aprovação do governo central, controles de preços foram introduzidos para uma série de serviços públicos e milhares de trabalhadores foram mobilizados para projetos de emergência para ampliação dos portos sobrecarregados do país.

Mas a resposta de Pequim aos preços mais altos neste ano foi mais contida porque os aumentos até o momento estão em grande parte restritos aos alimentos. O governo tem elevado gradualmente as taxas de juros e o percentual de ativos que os bancos devem manter como reservas no banco central, mas tem evitado tentar desacelerar o crescimento com um choque por meio de aumentos acentuados das taxas de juros ou controles administrativos severos.

Liderados pela carne de porco e outras carnes, os preços dos alimentos ao consumidor subiram 15,4% em relação ao ano passado, afligindo trabalhadores não-qualificados e outros moradores urbanos de baixa renda a ponto de causar alarme às altas autoridades chinesas.

As inundações no sul da China prejudicaram as plantações nesta região. Os preços dos grãos estão subindo mundialmente devido a mais grãos estarem sendo usados para produção de etanol e porque pessoas com renda cada vez maior nos países em desenvolvimento estão comprando mais carne de animais alimentados por grãos. Os porcos na China estão morrendo em números significativos devido a doenças, o que provoca alta do preço da carne de porco.

O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, visitou o mercado atacadista de alimentos de Pequim em 4 de agosto e pediu para que os governos locais de todo o país checassem as linhas de abastecimento de alimentos das fazendas e subsidiassem as famílias pobres para ajudá-las a ter alimentos em suas mesas.

"A oferta das necessidades diárias não deve ser perturbada", disse Wen, segundo a agência oficial de notícias "Xinhua".

O governo chinês está dando maior atenção à segurança dos alimentos, após os escândalos como as rações contaminadas para cães e gatos nos Estados Unidos. Mas especialistas duvidam que a maior ênfase na segurança está causando a inflação agora.

"Novas regras de segurança de alimentos têm um impacto indireto, de longo prazo, sobre os preços dos alimentos, mas pouco impacto nos aumentos de preço que estamos vendo agora", escreveu Jing Ulrich, o presidente de equities na China da J.P. Morgan, em declaração por e-mail.

Os preços mais altos dos alimentos podem representar um raio de esperança para os líderes chineses: quando os preços refletem maior demanda por alimentos, em vez de danos causados pelas inundações ou as mortes de porcos, os aumentos significam uma renda maior para 800 milhões de camponeses da China. O presidente Hu Jintao transformou em prioridade o aumento da renda no campo e redução da desigualdade entre as áreas urbanas e rurais; quando Wen visitou o mercado em Pequim, que recebeu cobertura da imprensa oficial, ele foi cuidadoso em evitar críticas aos produtores rurais e não os acusou de inchar os preços, apesar de ter alertado contra a retenção de produtos e especulação em geral.

O verdadeiro mistério envolve o motivo da inflação estar praticamente restrita aos alimentos. Excluindo os alimentos, os preços ao consumidor subiram 0,9% no mês passado em relação ao ano anterior, praticamente o mesmo aumento de junho.

Os economistas estão divididos e alguns se mostram perplexos em quão bem a inflação foi contida no restante da economia. Alguns prevêem que os preços começarão a subir em breve em uma variedade mais ampla de bens e serviços, alertando que a economia pode ter atingido uma taxa de crescimento insustentável quando cresceu 11,9% no segundo trimestre.

Em comparação, o crescimento de 9,6% no segundo trimestre de 2004 provocou uma ampla aceleração da inflação na época. Os navios tinham que esperar por até um mês para descarregar cargas de commodities industriais críticos como minério de ferro para produção de aço, elevando os custos, que os produtores repassaram aos consumidores. As ferrovias eram incapazes de limpar as docas das cargas que chegavam, que se empilhava em montanhas enormes em portos como o de Qingdao.

Desde então, agências governamentais nacionais, provinciais e locais se mobilizaram em um frenesi de gastos em novos portos, estradas de ferro, rodovias, gasodutos, oleodutos e outras obras de infra-estrutura, enquanto as empresas investiam pesadamente em novas fábricas, prédios de escritórios, torres residenciais e mais. Os economistas argumentam que a simples escala de gastos às vezes representa um desperdício e muitos projetos desnecessários foram concluídos.

Mas a China tem evitado até o momento os gargalos inflacionários que brevemente ameaçaram sufocá-la em 2004, mesmo enquanto o crescimento acelerava para um ritmo consideravelmente maior.

Alguns economistas temem que uma inflação mais ampla atingirá a China, mas ela ainda não chegou. Eles apontam para a expansão da oferta de dinheiro no mês passado e sugerem que dinheiro demais poderá ser gasto em breve em um número menor de bens, levando a aumentos maiores no índice de preços ao consumidor (IPC) na China.

"No nosso entender, as pressões inflacionárias permanecerão altas nos próximos meses e nós veremos riscos significativos às nossas atuais previsões para o IPC", escreveu Liang Hong, uma economista dos escritórios de Hong Kong da Goldman Sachs, em uma nota de pesquisa.

Os investidores em ações se mantiveram basicamente inabalados com os números da inflação divulgados na segunda-feira. O índice Shanghai para mercado A subiu 1,52% enquanto o índice Shenzhen para o mercado A caiu 0,89%. George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    17h00

    0,40
    3,279
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    0,95
    63.257,36
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host