UOL Notícias Internacional
 

14/08/2007

Karl Rove, o fiel assessor de Bush, deixa a Casa Branca

The New York Times
Jim Rutenberg*
Em Washington
Karl Rove, o assessor político que planejou as duas campanhas presidenciais vitoriosas de George W. Bush e assegurou o seu lugar na história como um estrategista político que exerceu uma influência extraordinária na Casa Branca, está renunciando ao cargo, segundo o próprio assessor anunciou na segunda-feira (13/08).

Em uma declaração emocionada à imprensa no gramado da Casa Branca, ele disse que deixará o cargo no final deste mês para passar mais tempo com a família.

Tendo o presidente ao seu lado, Rove elogiou-o, afirmando que ele é um colega de visão que colocou os Estados Unidos em estado de prontidão para uma guerra e também que Bush é um líder que, entre outras medidas, tomou atitudes decisivas para fortalecer a economia.

Stephen Crowley/The New York Times 
Presidente Bush (dir.) e Karl Rove durante anúncio da saída do assessor na segunda-feira

"Durante todos estes anos pedi à minha família que fizesse muitos sacrifícios", disse Rove. "Agora é correto pensar a respeito do próximo capítulo".

Ele afirmou que a decisão não foi fácil e que sentirá uma saudade profunda do seu trabalho, mas que, fora da Casa Branca, continuará sendo "um forte e comprometido defensor de Bush e das suas políticas". Bush agradeceu ao homem que foi um dos seus assessores mais próximos durante mais de uma década, e disse que ambos continuarão sendo grandes amigos. "Eu diria que Karl Rove é um amigo dedicado", afirmou Bush. Depois os dois se abraçaram e saíram sem aceitar perguntas dos repórteres.

Rove disse que foi obrigado a tomar uma decisão agora, já que o chefe de gabinete da Casa Branca, Joshua B. Bolten, disse recentemente aos seus principais assessores que caso estes permanecessem no cargo após o Dia do Trabalho (primeiro de setembro nos Estados Unidos), deveriam ficar até o final do mandato de Bush.

"Ele vem conversando com o presidente há muito tempo - cerca de um ano, a respeito de qual seria o bom momento para sair", disse Dana Perinno, uma porta-voz da Casa Branca. "Mas há sempre um grande projeto no qual trabalhar, e as suas habilidades estratégicas - e a nossa necessidade de contar com o apoio dele - o mantiveram aqui", disse ela.

Perinno anunciou que Rove deixará a Casa Branca no final de agosto.

A Casa Branca não anunciou no início da segunda-feira se Bolten nomearia um sucessor para Rove, que tem o título de "vice-chefe de gabinete".

Mas mesmo se o fizer, nenhum indivíduo terá a mesma influência junto ao presidente e tampouco o mesmo conhecimento enciclopédico sobre a política norte-americana.

Bush deveria dar uma declaração pública sobre o assunto às 11h35 da segunda-feira, horário de Washington, D.C.

Com a sua partida, Rove será a mais recente figura de peso a deixar o círculo interno do governo Bush. No início deste verão, Bush perdeu o seu conselheiro Dan Bartlett, um colega texano que fazia parte do grupo original de assessores próximos que acompanhou o presidente da mansão do governador do Texas à Casa Branca.

Para ocupar o cargo de Bartlett, Bush nomeou Ed Gillespie, o ex-diretor do Comitê Nacional Republicano que foi uma peça crucial da estratégia da campanha do presidente em 2004. Mas Gillespie não conta com uma história similar à de Rove, e nem com uma amizade tão estreita com o presidente.

MUDANÇA NA CASA BRANCA
Doug Mills/The New York Times
Rove (ao fundo) e o presidente dos EUA George W. Bush
LEIA MAIS

Rove foi não apenas o principal arquiteto das campanhas políticas de Bush, mas também ajudou a moldar a persona política do presidente.

A sua permanência na Casa Branca tornou-se uma fonte de fascínio em Washington enquanto outros, como Bartlett, partiam, e quando os democratas criticavam o seu papel na demissão de vários promotores federais.

Mas, não obstante, acreditava-se tanto dentro quanto fora da Casa Branca que ele sairia pela porta atrás de Bush ao final do mandato do presidente em janeiro de 2009, e que ajudaria Bush a consolidar o seu legado antes da sua saída.

Rove prometeu construir uma maioria republicana duradoura, e algumas figuras próximas ao assessor acreditavam que ele tentaria ajudar o seu partido a manter a Casa Branca. Mas Rove disse em uma entrevista ao "The Wall Street Journal", cujos editoriais são textos apreciados por Bush e seus assessores, que não pretende envolver-se com a disputa presidencial de 2008.

Rove afirmou que a derrota nas eleições parlamentares de 2006 foram apenas um empecilho temporário, e disse na entrevista que acredita que os republicanos serão os vencedores na próxima eleição.

Ele previu que a situação no Iraque melhorará com a continuidade do aumento do número de soldados norte-americanos no país - embora não tenha falado a respeito das especulações de que o presidente enfrentará pressões neste outono, possivelmente até mesmo de colegas republicanos, no sentido de trazer as tropas para casa. E ele previu ainda que os democratas não conseguirão apresentar unidade com relação a questões como o programa de espionagem eletrônica do presidente.

Ele anunciou que pretende escrever um livro, um projeto encorajado pelo "chefe", e que tem a intenção de lecionar em uma universidade.

No decorrer do governo Bush, Rove atacou os democratas, e estes contra-atacaram, reclamando das suas infames táticas políticas baixas nas campanhas e daquilo que consideram uma politização descarada da Casa Branca.

Ele foi o alvo das investigações congressuais sobre as demissões no ano passado de vários promotores federais, e até o ano passado foi também o foco da investigação do caso de vazamento envolvendo a CIA, que levou a acusações de perjúrio contra o presidente Dick Cheney e o seu ex-chefe de gabinete, I. Lewis Libby.

Rove emergiu dessas investigações para tentar impedir as derrotas republicanas do outono passado. O fracasso subseqüente foi a sua maior derrota política durante o período em que esteve na Casa Branca. Depois disso, ele continuou desempenhando um papel central em iniciativas cruciais como a fracassada tentativa de Bush de criar uma nova lei de imigração que teria legalizado milhões de trabalhadores que atualmente vivem nos Estados Unidos ilegalmente.

Um estrategista político que consolidou a sua reputação ao unir a vasta coalizão que conduziu Bush à Casa Branca, uma coalizão que ele acreditava que sustentaria uma prolongada maioria republicana, Rove considerava o eleitorado hispânico uma fonte potencial de novos eleitores republicanos.

Mas Rove esteve no olho da tempestade política mais uma vez neste ano quando o Congresso se mobilizou para determinar qual foi o seu papel na demissão dos promotores federais, que os críticos acusam de terem sido realizadas para impedir ou gerar investigações com fins partidários.

Aquela e outras investigações geraram novas dúvidas quanto ao papel duplo de Rove como conselheiro político e principal assessor de políticas com amplos poderes para manipular as alavancas do governo, tendo chegado a conversar com membros do corpo diplomático a respeito do cenário político e das vulnerabilidades eleitorais dos democratas.

A Casa Branca citou privilégios do Executivo para bloquear o depoimento de Rove perante o Comitê do Senado para o Judiciário.

Na entrevista da segunda-feira no "Wall Street Journal", Rove disse que sabia que algumas pessoas poderiam suspeitar que ele está deixando o cargo para evitar o escrutínio congressual, mas afirmou: "Não permanecerei ou partirei baseado naquilo que agrada à turba".

Ele disse acreditar que o escrutínio continue depois que deixar a Casa Branca devido àquilo que chama de "o mito" da sua influência, algo ao qual ele se refere como sendo "a Marca do Rove".

Mas, a partir do momento que deixar o cargo, Rove não mais contará com a proteção dos advogados da Casa Branca e dependerá mais de si mesmo para enfrentar as investigações do Congresso.

A Casa Branca forneceu cobertura a alguns ex-assessores, e emitiu cartas instruindo-os a não depor a respeito de conversas reservadas com o presidente e a responder a somente um conjunto limitado de potenciais perguntas.

Na sua entrevista na segunda-feira, concedida a Paul Gigot, o editor da página editorial do "Wall Street Journal", Rove disparou contra a sua inimiga política, dizendo a Gigot que acredita que a senadora Hillary Rodham Clinton será a candidata democrata, tendo porém chamado-a de "candidata dura, obstinada e fatalmente defeituosa", e previu uma vitória republicana na eleição presidencial de 2008. Foi esse tipo de irreverência política que tornou-se a marca registrada de Rove.

* Graham Bowley contribui de Nova York para esta matéria. UOL

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    17h00

    0,44
    3,190
    Outras moedas
  • Bovespa

    18h21

    0,14
    76.390,52
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host