UOL Notícias Internacional
 

15/08/2007

Ausência da primeira-dama da França em almoço dos Bush é criticada

The New York Times
Doreen Carvajal

Em Paris
Há três semanas, Cécilia Sarkozy, a glamourosa esposa do presidente francês, provocou críticas aqui por seu papel de destaque na libertação do médico e enfermeiras presos na Líbia, um trabalho que supostamente deveria ficar aos cuidados de diplomatas. Agora a primeira-dama, uma ex-modelo de 49 anos, se vê novamente sob críticas, desta vez por evitar aparições públicas onde é esperada a presença da esposa do presidente.

Sua mais recente violação da etiqueta de primeira-dama: não comparecer ao piquenique com a família Bush na Nova Inglaterra.

Após aceitar um raro convite pessoal para almoçar com o presidente Bush e sua família em Kennebunkport, Maine, Cécilia Sarkozy ficou com seus filhos em uma casa de luxo alugada em New Hampshire. Ela deixou a cargo de seu marido, o presidente Nicolas Sarkozy, o encontro com o clã Bush e apresentar suas desculpas.

Toshifumi Kitamura/AFP - 6.jun.2007
Nicolas Sarkozy e Cécilia durante encontro do G8, em Heiligendamm, este ano
MAIS CÉCILIA SARKOZY

Em uma coletiva de imprensa, o presidente francês explicou que sua esposa apresentava uma forte dor de garganta. Mas um dia depois, os jornais na França começaram os ataques, se maravilhando com a recuperação milagrosa da primeira-dama.

O jornal francês "Le Parisien" apontou que Cécilia Sarkozy foi vista no dia seguinte fazendo compras após o almoço com duas amigas em Wolfeboro, New Hampshire. Com ajuda de um médico, o jornal calculou quanto tempo uma forte dor de garganta normalmente duraria. A conclusão: seu mal não foi sério, certamente não sério o bastante para dar o bolo em um líder mundial.

Mesmo o "Le Figaro", o jornal de inclinação direitista que costuma apoiar o presidente conservador, notou o rápido reaparecimento de Cécilia Sarkozy no domingo, quando a primeira-dama foi caminhar de shorts e camiseta na companhia de duas amigas.

Seu fracasso em comparecer no sábado inevitavelmente evocou as lembranças de outras ausências notáveis. Ela não participou de muitos dos maiores eventos da campanha presidencial de seu marido, incluindo o momento em que declarou sua vitória como novo presidente da França.

Ela também esteve ausente na cabine de votação, algo que os jornalistas franceses descobriram checando os registros de votação do segundo turno decisivo da eleição. E a relutante primeira-dama - que já disse que o cargo a entediaria - desapareceu novamente após uma breve aparição do encontro do Grupo dos 8 em junho, deixando seu marido como o único líder desacompanhado no jantar de gala dado pela chanceler alemã.

Desta vez, Cécilia Sarkozy perdeu um almoço de hambúrguer, milho cozido e torta de mirtilo (blueberry) que demonstrou um aquecimento nas relações franco-americanas, enquanto seu marido se socializava com Bush, sua esposa, pais e seu irmão Jeb.

O jornal regional "Charente Libre" disse em um editorial que a ausência de Cécilia Sarkozy chegou perto de um "incidente diplomático".

"Mas sem dúvida, nós teríamos prestado menos atenção neste episódio americano caso ela não estivesse tão presente em Trípoli sob ordem de seu marido, o presidente", disse o editorial.

Cécilia Sarkozy viajou para a Líbia no mês passado como emissária presidencial, chegando em um momento crítico dos esforços da União Européia para obter a libertação de cinco enfermeiras búlgaras e um médico palestinos condenados - erroneamente segundo especialistas - de infectar crianças líbias com HIV.

Em duas viagens para a Líbia, ela se encontrou com os prisioneiros e com as famílias das crianças, assim como com o líder líbio, Muammar Gaddafi. Durante sua segunda viagem, as enfermeiras e médico foram libertados, mas os críticos acusaram que o acordo para libertação deles incluiu a promessa de um contrato de armas no valor de US$ 405 milhões.

Cécilia Sarkozy também suportou ataques pessoais de diplomatas europeus anônimos, que se queixaram de que ela chegou a tempo apenas de roubar a glória na conclusão das negociações, que transcorriam há muito tempo.

O estilo imprevisível da nova primeira-dama representa uma ruptura com o passado. As esposas presidenciais tradicionais costumam ser "premières dames" discretas, evitando serem muito altivas ou politicamente influentes demais. Claude Pompidou, por exemplo, nunca expressou um ponto de vista político, mas teve um importante papel na criação do Centro Pompidou, um museu, e no apoio à arte moderna.

Cécilia Sarkozy não revelou seus planos como primeira-dama, mas assessores prometeram que ela o fará nos próximos meses. Ela também não se mudou para o palácio presidencial, permanecendo no apartamento da família em Neuilly-sur-Seine, uma rica cidade próxima de Paris.

Mas enquanto ela decide o que fará a seguir, outros já a estão definindo. Uma charge no "Le Monde" mostra Nicolas Sarkozy se apresentando a Gaddafi. "Eu sei", diz o líder líbio, a quem a primeira-dama francesa teria encantado, "você é o marido de Cécilia". George El Khouri Andolfato

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