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15/08/2007

Saída de Rove representa fim da máquina do Texas de Bush

The New York Times
Jim Rutenberg, em Crawford, Texas
Steven Lee Myers, em Washington
O presidente Bush conquistou a Casa Branca em 2001 com bravata texana e logo preencheu os cargos na Ala Oeste com companheiros texanos que compartilhavam sua ideologia e determinação em mudar a forma como a capital funcionava.

Seis anos depois, a saída de Karl Rove do grupo de assessores de Bush colocará um fim a tal abordagem de forasteiros. Com a exceção do vice-presidente Dick Cheney, o círculo interno de Bush está totalmente ocupado pelo tipo de pragmáticos e insiders (funcionários que seguem carreira) de Washington que o presidente costumava criticar abertamente.

Ninguém desta nova geração de assessores conhece Bush tão bem quanto Rove. Eles também são muito diferentes dos outros que deixaram a Casa Branca nos últimos dois anos, deixando Bush sem seu casulo confortável de familiaridade.

Mas os recém-chegados sabem atuar em Washington e no Congresso, habilidades importantes para um fim de mandato no qual Bush, sem a maioria no Congresso e impopular nas pesquisas, deverá jogar principalmente na defesa.
MUDANÇA NA CASA BRANCA
Doug Mills/The New York Times
Rove (ao fundo) e o presidente dos EUA George W. Bush
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O anúncio de Rove de que "agora é o momento" de voltar para sua família está sendo considerado dentro da Casa Branca e além dela como um reconhecimento tácito de que o tempo se esgotou para as amplas iniciativas que ele tentou implementar sem sucesso, incluindo as reformas abrangentes do Seguro Social e da imigração.

Na terça-feira, vários funcionários da Casa Branca reconheceram com franqueza incomum que restando apenas 17 meses para o final do mandato de Bush, resta pouco tempo para novas idéias ou para promover a longa lista de propostas presidenciais não realizadas.

"Não há dúvida de que a janela está se fechando", disse Joel D. Kaplan, vice-chefe de gabinete para políticas. "Mas não está fechada", acrescentou.

Kaplan disse que o presidente buscará usar ordens executivas e outros poderes administrativos para promover agressivamente sua agenda quando o Congresso não agir, assim como fez na semana passada, ao ordenar a várias agências que atuem com vigor contra empregadores de imigrantes ilegais, algo que tentou inicialmente por meio do fracassado projeto de lei de imigração.

Kaplan disse que Bush provavelmente agirá de forma semelhante nas políticas de energia, assim como ordenou a vários de seus secretários de Gabinete que explorem formas de implementar partes de seu plano para reduzir o crescimento projetado no consumo de gasolina ao longo da próxima década, mesmo sem uma ação do Congresso. "Há muitas ferramentas disponíveis para qualquer presidente", disse Kaplan.

Mas os assessores reconheceram que as metas mais ambiciosas de Bush ainda exigirão a aprovação do Congresso. A maioria democrata provavelmente combaterá Bush em assuntos orçamentários e, talvez mais importante para a Casa Branca, desafiá-lo na condução da guerra no Iraque.

"Se houver um confronto, o que eu imagino que ocorrerá, a Casa Branca cada vez mais jogará na defesa independente de qualquer coisa que Karl possa ter sonhado em reforma da imigração, reforma do Seguro Social, reforma tributária ou qualquer outra coisa", disse Kenneth Duberstein, o ex-chefe de Gabinete do presidente Reagan.

Com a saída de Rove no final do mês, Ken Mehlman, o ex-presidente do Comitê Nacional Republicano, disse que outros preencherão o vácuo. Ele apontou que várias "pessoas novas tremendamente talentosas" foram trazidas para a Casa Branca no último ano.

Vários funcionários disseram que Ed Gillespie, outro ex-presidente do Comitê Nacional Republicano, se tornaria um dos membros mais importantes do círculo interno do presidente. Gillespie foi trazido para ocupar o cargo de conselheiro da Casa Branca em junho, no lugar de Dan Bartlett, um alto assessor que estava com Bush desde quando este era governador do Texas.

Gillespie de muitas formas representa um insider de Washington, tendo trabalhado por décadas como assessor do ex-líder da maioria na Câmara, Dick Armey, um republicano do Texas, e sócio-fundador da firma de lobby bipartidária Quinn Gillespie & Associates.

Também se espera dentro da Casa Branca que Kaplan, o vice-chefe de gabinete de 38 anos, assuma maior importância nas decisões envolvendo políticas. Joshua B. Bolten, o chefe de Gabinete da Casa Branca, era tecnicamente superior de Rove, mas ele também deverá assumir responsabilidades adicionais.

A ausência de Rove será sentida mais intensamente no complexo de escritórios da Ala Oeste, onde era uma presença constante, quase definidora. Apesar da tendência de ser mal-humorado, Rove era uma figura gregária que cantava nos corredores, distribuía agrados aos funcionários e regularmente usava o rádio do Serviço Secreto para anunciar brincando a sua presença nas comitivas presidenciais.

Igualmente importante, Rove era um companheiro constante do presidente; eles disputavam quem conseguia ler mais livros em menos tempo, freqüentemente jogavam baralho no Força Aérea Um e contavam histórias sobre seus tempos no Texas.

Apesar de ninguém poder alegar uma ligação semelhante, disseram assessores, Bolten desenvolveu um relacionamento brincalhão com o presidente. Outros, como Joe Hagin, o vice-chefe de Gabinete, e Josh Deckard, seu assessor de imprensa, também são freqüentes parceiros de baralho, disseram assessores, e continuarão assim.

"Nós sentiremos falta de sua sagacidade e inteligência", Hagin disse sobre Rove. Mas, ele acrescentou, "é um momento diferente, um lugar diferente e há muitas pessoas extremamente talentosas na Casa Branca". George El Khouri Andolfato

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