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16/08/2007

EUA estão preocupados com venda de rifles russos à Venezuela

The New York Times
C.J.Chivers
Em Moscou
Um contrato que poderia transferir milhares de fuzis russos para a Venezuela gerou preocupações nos EUA sobre seu uso potencial e a distribuição regional de armas pelo governo do presidente Hugo Chávez, inspirado no socialismo.

Os fuzis são a mais recente variedade do Dragunov, uma arma semi-automática de cano longo com mira telescópica que deriva em parte do muito mais amplamente conhecido rifle de assalto Kalashnikov.

Primeiramente produzido em 1963 para uso de militares e de agências de inteligência na União Soviética e outras nações do Pacto de Varsóvia, o Dragunov tornou-se, junto com seus clones, uma das armas mais letais e eficazes contra tropas americanas e seus aliados no Iraque.

A Venezuela está negociando um contrato com a Rosoboronexport, agência de exportação de armas controlada pelo Kremlin, para comprar cerca de 5.000 rifles Dragunov modernos, de acordo com funcionários da Izhmash, fabricante do rifle.

O país tem cerca de 34.000 soldados em seu exército e 23.000 em sua guarda nacional, de acordo com estimativas do Grupo de Informação Jane's, que analisa forças militares e riscos regionais.

Como os fuzis são armas de infantaria e não são usados em geral por grandes números de soldados, a compra de milhares de Dragunovs não parece ter uso convencional militar pelas forças armadas venezuelanas, segundo oficiais, diplomatas e analistas.

"Vendas assim e outras, de equipamento militar e armas para a Venezuela, não parecem consistentes com as necessidades do país", disse por telefone o vice-secretário de Estado para assuntos de Europa e Eurásia dos EUA, David J. Kramer. "De fato, levanta questões sobre seu uso", acrescentou. "Não temos certeza de qual seria seu propósito".

Mark Joyce, editor das Américas do Grupo de Informação Jane's, disse que a compra de milhares de rifles seria condizente com a reorganização militar desenvolvida por Chávez na Venezuela.

As mudanças enfatizam as grandes forças civis de reserva, paralelas à hierarquia de comando militar tradicional, que se reportam diretamente a Chávez e poderiam se tornar o centro de uma força guerrilheira doméstica, se a Venezuela fosse invadida.

"O que ele tem em mente é uma espécie de guerrilha urbana contra uma força invasora, e o modelo para isso é o Iraque", disse Joyce.

A Venezuela comprou 100.000 fuzis AK-103, um Kalashnikov moderno que compartilha grande parte do design do AK-47 original. Com a assistência técnica russa, o país também está planejando construir uma fábrica para produzir sua própria linha de Kalashnikovs, e uma segunda planta para produzir munições.

Esses contratos são legais e não violam quaisquer sanções. Mesmo assim atraíram críticas em Washington, que teme que o governo de Chávez esteja comprando mais armas do que precisa e possa distribuí-las a guerrilheiros e terroristas sul-americanos.

Joyce observou que a Venezuela há muito é acusada de fornecer armas para as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, ou Farc, um grupo marxista amplo e altamente equipado, que o Departamento de Estado classifica como organização terrorista estrangeira. A Venezuela nega as alegações.

As preocupações de Washington com Chávez levaram a uma suspensão de vendas de armas americanas para a Venezuela em 2006. Chávez zombou da suspensão e negociou a compra de equipamentos da Rússia, incluindo jatos militares, helicópteros, rifles e, possivelmente, submarinos.

A embaixada venezuelana em Moscou recusou vários pedidos para entrevista sobre a mais recente proposta de contrato, cujos detalhes foram discutidos na semana passada por representantes na Izhmash.

Em uma visita na semana passada à fábrica onde os rifles Kalashnikov e Dragunov estavam sendo montados, Vladimir V. Farafoshin, vice-diretor da Izhmash, disse que a encomenda dos 100.000 AK-103 tinha sido entregue na Venezuela e que a Rússia estava negociando a venda de "cerca de 5.000" Dragunovs como parte de um acordo separado.

Enquanto falava, Dragunovs estavam sendo montados ali perto, mas seu destino não era claro.

Vladimir P. Grodetsky, diretor da Izhmash, expressou satisfação com os contratos com a Venezuela, dizendo que o país era um parceiro confiável que pagava as prestações regularmente e na hora.

As linhas de montagem da Izhmash, que estavam praticamente paradas após o colapso da União Soviética, aumentaram a produção nos últimos anos. Os contratos com a Venezuela são as maiores vendas exteriores publicamente conhecidas. Deborah Weinberg

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