UOL Notícias Internacional
 

16/08/2007

Rotulação da Guarda iraniana como terrorista reflete impaciência com a ONU

The New York Times
Helene Cooper, em Washington
Nazila Fathi, em Teerã, Irã
Ao declarar a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã como uma organização terrorista, o governo Bush está adotando uma abordagem de maior confrontação com Teerã, refletindo a frustração com o pacote estagnado de sanções no Conselho de Segurança da ONU, disseram autoridades na quarta-feira.

Autoridades da Casa Branca e do Departamento de Estado estavam debatendo quando formalizar a designação - as autoridades da Casa Branca queriam fazê-lo agora, enquanto o Departamento de Estado deseja esperar o término dos vários recessos de agosto - mas o governo já estava adotando uma fala mais grossa com Teerã.

Behrouz Mehri/AFP - 20.out.2006 
Soldados da Guarda Revolucionária do Irã, um deles com imagem do líder do Hizbollah

"Nós estamos enfrentando o comportamento iraniano em várias frentes diferentes, em uma série de campos de batalha, entre aspas, diferentes, se assim preferirem", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, aos repórteres em Washington. Seu uso das palavras "campos de batalha" foi descrita por alguns diplomatas europeus como outra elevação de tom nas declarações anti-Irã.

McCormack disse que seu uso das palavras não significa que o Departamento de Estado adotou a posição de que os Estados Unidos devem enfrentar o Irã militarmente, uma posição defendida por algumas autoridades como o gabinete do vice-presidente Dick Cheney.

"Eu tentei ilustrar que não se enfrenta o Irã apenas com armas e soldados; às vezes isto é feito com advogados, contadores e diplomatas", disse McCormack.

Mas outros funcionários do governo disseram que os Estados Unidos estão ficando cada vez mais frustrados com as anêmicas sanções do Conselho de Segurança, que deveriam conter as ambições nucleares de Teerã. Além disso, as autoridades do governo estão preocupadas com o fato dos aliados dos Estados Unidos na imposição das sanções - particularmente a Rússia e a China - estarem demorando para concordar em um aumento da pressão e recuando na imposição de medidas mais duras.

Em Teerã, políticos conservadores e reformistas disseram na quarta-feira que se os Estados Unidos prosseguirem com os planos de declarar a Guarda Revolucionária como organização terrorista, a ação não apenas unirá os políticos no Irã, mas também provocará uma escalada na hostilidade entre os dois países.

As autoridades do governo iraniano não estavam disponíveis para comentarem o assunto. Mas a agência de notícias "Fars", que é mais próxima à Guarda Revolucionária, citou uma autoridade do Ministério das Relações Exteriores como desdenhando a notícia como propaganda.

Analistas e ex-autoridades de governo em Teerã, tanto conservadores quanto reformistas, disseram que uma designação da Guarda como organização terrorista visaria a desestabilização do governo.

"Talvez a Guarda Revolucionária tenha feito certas coisas por conta própria em seu quintal dos fundos", disse Saeed Leylaz, um economista e analista político reformista, se referindo ao Afeganistão e Iraque. "Mas também cooperou com os americanos lá", acrescentou Leylaz.

"Agora os Estados Unidos estão pedindo a ajuda do Irã para estabilizar o Iraque, mas ao mesmo tempo sugerem que após a estabilidade no Iraque eles virão atrás do Irã", disse Leylaz, um freqüente crítico do presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Nos últimos meses, o Irã e os Estados Unidos realizaram três rodadas de discussões entre embaixadores em Bagdá sobre como estabilizar o Iraque. As discussões ocorreram ao mesmo tempo que autoridades americanas acusavam o Irã de aumentar seu apoio às milícias xiitas radicais no Iraque.

O Irã tem rebatido as acusações e diz que seus esforços visam estabilizar o governo democrático no Iraque.

"Os americanos querem encobrir seu próprio fracasso no Iraque com este tipo de acusações", disse Akbar Alami, um membro reformista do Parlamento.

Um ex-vice-ministro da Defesa, Alireza Akbari, alertou que a medida poderá causar instabilidade na região. "Se pressionarem o aparato de segurança de um país, eles devem esperar uma reação semelhante", ele disse. "E certamente beneficiaria os verdadeiros terroristas na região um confronto entre Estados Unidos e o Irã". George El Khouri Andolfato

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