UOL Notícias Internacional
 

17/08/2007

Líderes iraquianos anunciam nova aliança de moderados

The New York Times
Damien Cave*
Em Bagdá
Brigadas de emergência continuavam retirando corpos dos destroços de um ataque realizado com bombas instaladas em quatro caminhões contra duas vilas próximas à fronteira síria na quinta-feira (16/08), enquanto o primeiro-ministro do Iraque, um xiita, e o presidente, um curdo, anunciavam uma nova aliança de moderados no parlamento.

Autoridades da área de segurança da região próxima a Qataniya, onde as explosões mataram pelo menos 250 pessoas na noite da última terça-feira, anunciaram que o governo iraquiano está pretendendo pagar dois milhões de dinares, o equivalente a cerca de US$ 1.600, às famílias de cada uma das pessoas mortas nos atentados.

Thaier al-Sudani/Reuters- 16.ago.2007 
Homem em local onde ocorreu ataque suicida, em Qataniya, na última terça-feira

Tropas curdas chegaram na quinta-feira para garantir a segurança na área, que é dominada pelo grupo religioso curdo yazidi, enquanto a contagem de corpos prosseguia.

Ainda não se sabe qual é o número total de mortos. Dakhil Qassim, o prefeito de Sinjar, uma cidade vizinha, disse aos jornalistas que até 500 pessoas podem ter morrido com as explosões. O general Khorsheed Saleem al-Dosaki, comandante da divisão do exército iraquiano na área, afirmou que 250 continua sendo uma estimativa mais razoável.

Em Bagdá, o general Khorsheed Saleem al-Dosaki, comandante da divisão do exército iraquiano na área, declarou que o acordo recém-firmado poderá reavivar a atividade do governo após semanas de impasse devido a um boicote por parte do principal bloco sunita, a Frente Iraquiana de Concordância.

A medida parece ter como objetivo exibir um exemplo de acordo político que transcende as divisões sectárias e éticas, isolando ao mesmo tempo os partidos mais religiosos, incluindo o partido xiita leal a Muqtada al-Sadr.

Mas o impacto do acordo pareceu limitado. O número total de cadeiras controladas pelos quatro partidos envolvidos no acordo ainda não é suficiente para garantir uma maioria no parlamento iraquiano, composto de 275 membros. Para aprovar a legislação, o grupo precisaria do apoio de pelo menos um dos grupos religiosos, ou dos principais grupos sunitas.

Uma autoridade norte-americana graduada em Bagdá disse que qualquer aliança que deixe os sunitas de fora carecerá da credibilidade necessária para proporcionar uma conciliação real entre as três principais facções do país: xiitas, sunitas e curdos.

"As questões centrais no Iraque, aqueles problemas que os líderes políticos precisam encarar e estão encarando, precisam ser resolvidas por todas as três comunidades", disse a autoridade norte-americana. "Desta forma, é difícil avaliar o que significa hoje esta medida em particular".

Talabani disse que o Partido Islâmico Iraquiano, o maior dos três partidos sunitas que integram a Frente Iraquiana de Concordância, também foi convidado para integrar a aliança, mas declinou a oferta.

"Eles estão recebendo bem este acordo, e esperando que possamos descobrir uma maneira de resolver os problemas políticos. Depois disso, estarão conosco", declarou Talabani, tentando parecer otimista.

Alguns líderes sunitas responderam com um desafio persistente. Omar Abd al-Satar, membro do Partido Islâmico Iraquiano, descartou o acordo, afirmando que ele não passa de uma tentativa de formalizar o status quo. Ele disse que não bastará trazer de volta a Frente de Consenso Iraquiano, o maior grupo sunita no parlamento, que retirou os seus seis ministros do gabinete no início deste mês.

"Esse acordo permanece leal à realidade existente e não salvará o país da sua crise", advertiu al-Satar.

Por ora, os sunitas parecem estar concentrados em construir a unidade dentro das suas próprias fileiras. Adnan al-Dulaimi, o líder da Frente de Consenso Iraquiano passou o dia na província de Anbar, reunindo-se com líderes tribais sunitas que recentemente começaram a trabalhar com os norte-americanos para combater os extremistas sunitas. Os grupos tribais que formam a organização conhecida como Conselho de Salvação de Anbar emergiu como um potencial rival do partido de al-Dulaimi, e a reunião pareceu ser uma tentativa de aplainar as diferenças entre eles e criar uma frente sunita unificada.

Abdul Sattar Buzaigh al-Rishawi, um dos fundadores do conselho, disse após a reunião que as tribos concordaram em não tentar conquistar as cadeiras da Frente de Consenso no gabinete de al-Maliki, mas ele também pediu aos líderes sunitas em Bagdá que modifiquem o curso que vem sendo seguido.

As rivalidades intra-sectárias também vieram à tona na quinta-feira na região sul, dominada pelos xiitas, onde as milícias leais à organização de Sadr e o Conselho Islâmico Supremo Iraquiano, bem como combatentes do Partido Fadhila, tem lutado para obter o controle.

Os seguidores de Fadhila enterraram o líder da sua facção em Diwaniya, a capital da província de Qadisiya, depois que ele foi morto a tiros na quarta-feira por pistoleiros não identificados.

As autoridades impuseram um toque de recolher que tem início às 19h. Nesta sexta-feira, o conselho da província elegerá um novo governador para substituir Khalil Jalil Hamza, que morreu em 11 de agosto em um ataque feito com uma bomba plantada à beira de uma estrada.

Na quinta-feira as forças armadas norte-americanas anunciaram a morte de mais dois soldados dos Estados Unidos. Os dois morreram na quarta-feira em combate, ao norte de Bagdá. Segundo uma declaração das forças armadas, seis soldados norte-americanos também ficaram feridos no ataque.

E surgiram novos detalhes a respeito do seqüestro do vice-ministro do Petróleo e de vários outros chefes de departamentos do ministério. Eles foram seqüestrados na última terça-feira em um complexo residencial vigiado por guardas na zona leste de Bagdá. O ministro do Petróleo, Hussein Sharistani, disse que o ataque foi ainda mais coordenado do que anteriormente se acreditava. Segundo Sharistani, os seqüestradores falavam inglês e convenceram com os seus argumentos os guardas contratados para proteger o complexo a deixá-los entrar.

Nenhuma das autoridades seqüestradas foi ainda encontrada.

*Ali Fahim, Ali Adeeb e Karim Hilmi, em Bagdá, e funcionários iraquianos do "New York Times" em Diwaniya, Mosul e Ramadi contribuíram para esta matéria. UOL

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,12
    3,283
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,05
    63.226,79
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host