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17/08/2007

O dia seguinte: número de mortos no terremoto do Peru é de 437 e certamente aumentará

The New York Times
Simon Romero*

Em Lima, Peru
Um dia depois de um terremoto ter devastado cidades ao longo da costa sul do Peru, autoridades do governo disseram que o número de mortos é de 437, com pelos menos 17 mil desabrigados e grandes áreas sem eletricidade, telefone ou acesso por carro na noite de quinta-feira.

Pelo menos 300 das mortes ocorreram em Pisco, uma cidade portuária a cerca de 200 quilômetros ao sul de Lima, e mais pessoas devem estar soterradas sob os escombros, disseram autoridades locais. Dezenas estavam dentro da catedral de San Clemente, que estava cheia para a missa quando ocorreu o terremoto, por volta das 18h40 de quarta-feira. Testemunhas disseram que o sino da torre badalou horrivelmente nos segundos antes do prédio ruir.

"Eu sou um homem de verdade, mas ontem à noite fiquei apavorado", disse Luis Chavez, 31 anos, que estava na praça principal quando a catedral ruiu. "Havia tanto pó que eu só conseguia pensar nas fotos do World Trade Center".

O prefeito de Pisco, Juan Mendoza Uribe, disse que o terremoto destruiu até 70% da cidade. "Tanto esforço e nossa cidade está destruída", disse, em comentários nos quais era possível ouvir seu choro transmitidos pela rádio "RPP" de Lima.

AFP
Habitantes de Lima, capital do Peru, assustam-se após tremores
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Pisco ainda estava sem água e eletricidade na noite de quinta-feira, e muitos moradores disseram que dormiriam ao ar livre de novo, com medo de que tremores secundários possam derrubar mais estruturas. No centro da cidade, os escombros de dezenas de casas antigas se espalhavam pelas ruas. As equipes de resgate, trabalhando madrugada adentro, eram freqüentemente forçadas a se desviar muito de seu caminho enquanto transportavam os corpos, às vezes em caixões apoiados nos ombros, até um necrotério improvisado em um hospital.

Na vizinha Chincha, um muro ruiu no presídio de Tambo de Mora e cerca de 680 presos fugiram, segundo Manuel Aguilar, vice-presidente do Instituto Nacional de Penitenciárias. Cerca de 29 pessoas foram recapturadas e transferidas para outro presídio, ele disse.

Judith Luna Victoria, uma porta-voz do Instituto Nacional de Defesa Civil, disse que o número de mortos confirmados era de 437 e que o número estimado de feridos era de mais de 800, mas que o número certamente aumentará à medida que prosseguirem os esforços de resgate.

Representantes da Pesquisa Geológica dos Estados Unidos elevaram na quinta-feira sua estimativa inicial da força do terremoto para uma magnitude 8,0, o tornando um dos maiores terremotos a atingirem o Peru em décadas. Ao longo de toda a quinta-feira, dezenas de tremores secundários ocorreram na região, com pelos menos 14 apresentando magnitude 5 ou maior.

Por toda a região, governos vizinhos correram para oferecer ajuda ao Peru, em alguns casos deixando de lado disputas territoriais e antigas rivalidades. E os Estados Unidos disseram que uma equipe da Agência para o Desenvolvimento Internacional estava em Lima para avaliar a situação e ajudar o governo peruano.

O presidente Alan Garcia declarou estado de emergência e voou para visitar Pisco e Ica, outra cidade duramente atingida ao sul. "Houve uma boa resposta internacional, mesmo sem o Peru pedi-la, e estão sendo muito generosos", ele disse para a agência de notícias "The Associated Press" em Pisco.

O presidente do Congresso peruano, Luis Gonzales Posada, pediu às grandes empresas para doarem água, alimentos, cobertores e até mesmo caixões para ajudar no resgate e nos esforços de reconstrução. Ele disse para a agência de notícias "DPA" que a emergência era "mais urgente do que se poderia imaginar".

Foi um dos piores terremotos registrados no Peru, que convive com os desastres dada a grande falha que corre além de sua costa. Em 2001, um terremoto de magnitude 8,4 atingiu Arequipa, matando 138 pessoas. Em 1868, um terremoto de magnitude 9 matou um número indeterminado de pessoas imediatamente, mas depois provocou o pior desastre na história do Peru quando o maremoto que se seguiu matou milhares de pessoas ao longo da costa.

Em Lima, a capital, testemunhas descreveram o sismo principal como tendo ocorrido em duas ondas. Algumas casas ruíram no meio da cidade e o tremor derrubou muitas linhas elétricas e quebrou janelas por toda a capital. Uma pessoa morreu na quarta-feira.

Fernando Calderon, um americano em Lima, disse que estava no seu hotel quando ocorreu o terremoto. Em uma entrevista por telefone para a "CNN", ele descreveu ter visto prédios inclinando para a direita e esquerda enquanto o chão tremia. "Finalmente ouvimos vidros quebrando, coisas caindo dos prédios e foi aí que todos começaram a gritar, rezar, crianças começaram a chorar", disse. "Foi terrível".

Em Ica, uma cidade ao sul de Pisco, dezenas de prédios ruíram com o terremoto e com os tremores secundários. O necrotério local tinha recebido 57 corpos na quinta-feira, informou a "Associated Press".

O terremoto despedaçou estradas e provocou deslizamentos de terra e rochas por toda a região. A estrada principal que atravessa a área, a Rodovia Pan-americana, só tinha uma faixa transitável ao longo de mais de 160 quilômetros, com filas de veículos se estendendo por quilômetros enquanto os veículos aguardavam por sua vez de usá-la. Os congestionamentos pioravam perto de Pisco e Ica; muitos motoristas abandonaram a estrada e tentaram usar os campos vizinhos para atravessar.

As autoridades que visitaram as cidades mais atingidas, incluindo Garcia, foram forçadas a usar helicópteros.

Em Pisco, muitos sobreviventes estavam em choque na quinta-feira, perambulando pelas ruas e se aglomerando no sobrecarregado hospital local, desesperados por notícias de entes queridos ou perturbados após receberem as piores notícias.

"Há cadáveres por toda parte; os corpos estão espalhados em todos os lugares e toda família está lamentando a perda de um ente querido, amigo, vizinho ou parente", disse Luis Garcia, um repórter do "El Comercio", de Lima, em uma entrevista por telefone de Pisco. "Não há nenhuma família que não tenha sido atingida por esta tragédia".

Ele acrescentou: "As pessoas precisam ajudar a remover os escombros. Elas precisam de tendas, água e comida, porque não há nada; tudo está bloqueado, destruído".

Reportagem adicional de Ana Cecilia Vigil, em Pisco, Peru; Jenny Carolina Gonzalez, em Bogotá, Colômbia; Laura Puertas, em Lima, Peru; e Alexei Barrionuevo, no Rio de Janeiro, Brasil. George El Khouri Andolfato

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