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18/08/2007

Rostos pintados, cerveja, prisões e guitarras: o Ozzfest está de volta

The New York Times
Kelefa Sanneh

Em Holmdel, Nova Jersey
Parecia um dia comum no festival anual Ozzfest de Ozzy Osbourne, realizado neste ano no PNC Arts Center.

Sujeitos musculosos e truculentos misturados a sujeitos pálidos de andar furtivo, casais afetuosos e fãs obcecados de mais idade. Dependendo de sua preferência, este festival itinerante de heavy metal pode fornecer horas de caos e decadência, ou horas de diversão familiar. (Ou ambos: pelo menos um chefe de família de aspecto firme foi visto bebendo cerveja até encher a bexiga e, então - oh-oh - bebendo um pouco mais.) Guitarras foram tocadas, chifres de diabo foram gesticulados, convites para tornar o estacionamento em uma pista de dança de alto contato foram feitos do palco. O habitual, em outras palavras.

Rahav Segev/The New York Times
Randy Blythe, do Lamb of God, uma das atrações do Ozzfest deste ano
Infelizmente, o show de quinta-feira não foi tão comum quanto parecia. Na sexta-feira, a Polícia Estadual de Nova Jersey confirmou que dois homens que desmaiaram no concerto morreram, ambos de ataque cardíaco; a polícia disse acreditar que ambos consumiram álcool, maconha e cocaína. Também ocorreram 83 prisões no concerto, muitas envolvendo consumo de álcool por menores. Com números como este, é difícil contestar que o concerto foi um desastre, independente da música.

Mas seria absurdo tentar encontrar uma ligação entre a tragédia e a música em si. É claro, o Ozzfest atrai um publico jovem ruidoso (a que tipo de concerto você esperaria que jovens ruidosos iriam?), mas os problemas neste ano provavelmente tiveram menos a ver com o conteúdo e mais com o controle do público. Na verdade, a polícia vem combatendo o consumo de álcool por menores no centro durante todo o verão; houve mais prisões - 90 - em um recente concerto realizado aqui pela pacífica banda O.A.R.

Mesmo antes do concerto de quinta-feira, este foi um ano delicado para o Ozzfest. A turnê é gratuita neste ano, pela primeira vez, apesar de gratuito não significar fácil. Os fãs podiam obter um par de ingressos visitando sites de patrocinadores corporativos ou comprando o novo álbum de Ozzy Osbourne, "Black Rain" (Sony BMG). As melhores cadeiras estavam - e em algumas cidades ainda estão - disponíveis como parte de pacotes VIP, com preços a partir de US$ 300. E em Nova Jersey, o estacionamento custava US$ 25.

Em fevereiro, durante o anúncio do Ozzfest, a esposa de Ozzy, Sharon, disse que nenhuma das bandas receberiam cachê. Talvez isto explique o magro programa. Enquanto edições anteriores incluíam grandes atrações que variavam de System of a Down ao Iron Maiden, neste ano a segunda atração principal era o Lamb of God, uma banda popular e altamente respeitada, mas longe de lotar estádios.

Mas as pessoas vieram assim mesmo, atraídas pela marca Ozzfest e pela chance de assistir Ozzy cantar músicas novas e velhas. Ele tem 58 anos e sua voz soa péssima, mas ele trabalha duro, espirrando espuma no público, batendo palmas desajeitadamente junto com ele (no 1 e 3, não no 2 e 4) e dando ao guitarrista Zakk Wylde bastante espaço para disparar harmônicos gritantes. Os fãs até mesmo aplaudiam quando Ozzy interpretava baladas românticas: no Ozzfest, ele é o único artista autorizado a cantar uma balada ao piano.

Muitas das demais atrações se dividem de acordo com as fronteiras nacionais. Algumas americanas parecem trabalhar à sombra do Pantera, a banda que aperfeiçoou o metal rítmico, gutural, no início dos anos 90. O Lamb of God (que tocou com uma faixa que dizia "Puro Metal Americano") disparou um ataque corrosivo atrás do outro, o set do Hatebreed foi cheio de partes que misturavam velocidade média e batida forte, assim como discursos motivacionais do cantor principal, Jamey Jasta (ele disse que o álbum de 2006 da banda, "Supremacy", estava prestes a "ganhar a supremacia sobre a pessoa dentro de você, porque podemos ser nossos piores inimigos"); o Static-X apresentou um riff pouco inspirado atrás do outro.

E havia o contingente internacional, promovendo uma visão mais bizarra do metal. Os membros da banda finlandesa Lordi, famosa por (de alguma forma) ter vencido a competição musical Eurovision de 2006, têm uma forma agradavelmente estúpida de se tornarem monstros do rock: eles se vestem como monstros e cantam canções ridículas como "Hard Rock Hallelujah". Eles também descobriram a chave para conquistar os fãs do Ozzfest: pirotecnia constante.

Os fãs que perderam duas das melhores e mais estranhas atrações do programa, a banda de black metal taiwanesa Chthonic e a Nilo, obcecada pelo Egito, terão uma segunda chance: ambas se apresentarão no B.B. King Blues Club & Grill, em Nova York, na noite de terça-feira. Mas não terão a mesma sorte os fãs que perderam o Behemoth, o grupo polonês que ganhou uma reação respeitosa mas ligeiramente atônita. Os membros encontraram uma forma de combinar a clareza brutal do death metal com o clima sombrio do black metal. Em um dia improvável (por mais de um motivo) de ser lembrado pela música, o Behemoth soou excelente e forneceu um espetáculo bizarro e profundamente satisfatório: quatro poloneses de rosto pintado prestando tributo aos deuses antigos em um estacionamento de Nova Jersey. George El Khouri Andolfato

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