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20/08/2007

Hollywood adota o sistema 'video-on-demand'; mas bem devagar

The New York Times
De Randall Stross
Milhões de pessoas que têm instalado novos televisores de alta definição e tela plana em suas casas, neste ano - mais da metade com telas de no mínimo 50 polegadas - podem afirmar, orgulhosamente, que estão fazendo a sua parte para modernizar a experiência de assistir a filmes em casa.

E as operadoras de TV a cabo também têm feito a sua parte, construindo uma estrutura de 'video-on-demand' (VOD, na sigla em inglês, ou vídeo por demanda, na tradução livre, é um sistema que permite que os usuários selecionem e vejam conteúdo de vídeo em uma rede, como parte de um sistema interativo de televisão, no qual os filmes e programas podem ser baixados para um disco rígido, não necessariamente instalado em um computador) capaz de proporcionar aos expectadores uma lista variada de títulos de filmes, disponíveis 24 horas por dia. Nada de deslocamentos até à locadora de vídeos. O fim da espera da chegada dos discos encomendados pelos serviços de assinatura, e que chegam pelo correio. E também o adeus a acessórios extras de informática para transportar os arquivos baixados da Internet para outros locais da casa. Bastam apenas dois cliques no controle remoto da TV a cabo.

James Yang/The New York Times 
TVs de 50 polegadas, redes ligadas... tudo pronto. Exceto a oferta de filmes

Tudo está pronto - exceto uma oferta generosa de filmes. Os estúdios hesitaram.

Segundo Craig Moffett, vice-presidente e analista da Sanford C. Bernstein & Co., o sistema VOD a cabo está bem posicionado, sob o ponto de vista tecnológico, para ser a forma preferida de fazer com que os filmes cheguem até às residências, mas as operadoras de TV a cabo não conseguem ter acesso aos produtos de Hollywood: "Eles construíram uma Ferrari em termos de sistema de envio de filmes, mas os donos do conteúdo não apareceram".

Os estúdios de cinema nutrem uma suspeita extraordinária em relação ao que é novo e desconhecido. O medo deles não tem nada a ver com números, mas sim com a tendência das grandes organizações de perder os seus interesses de vista - isso para não mencionar os interesses dos seus usuários. Graças à eficiência do sistema de envio digital, os estúdios têm de fato uma margem de lucro três vezes maior com cada VOD assistido do que com um aluguel em uma videolocadora, cobrando o mesmo preço médio de US$ 4 por filme.

A Comcast garantiu o direito de oferecer apenas cerca de 300 filmes pelo sistema VOD em qualquer dia, excluindo os canais especiais como o HBO. Cerca de 50 desses filmes estão no formato de alta definição. Falta muito para alcançar a Netflix, com os seus 80 mil títulos, ou a Blockbuster Online, com 75 mil.

Experiências e incertezas
Mas o menu 'on-demand' não precisa atingir um tamanho comparável imediatamente, especialmente ao se considerar que as listas da Netflix e da Blockbuster consistem em sua maioria de títulos antigos pelos quais a demanda é baixa - e as versões em alta definição desses títulos são poucas. A grande maioria dos pedidos dos consumidores poderia ser atendida simplesmente com a disponibilização dos lançamentos mais novos em todos os formatos.

Mas é preciso reconhecer que os grandes estúdios mostraram-se dispostos a reexaminar os limites artificiais que estabeleceram para o VOD. No final do ano passado, seis estúdios deram início a uma experiência com a Comcast em Denver e Pittsburgh, disponibilizando os lançamentos mais novos em VOD no mesmo dia em que o DVD respectivo chegava às prateleiras. A Time Warner Cable está no terceiro mês de uma experiência similar em Austin, no Texas, e em Columbus, em Ohio.

Os estúdios alegam que tais experiências são necessárias de forma que possam ter certeza de que as vendas de DVDs não sejam prejudicadas pela disponibilidade imediata dos VODs. Esta é uma pergunta que vale US$ 16 bilhões, que é o valor do mercado de vendas de DVDs nos Estados Unidos, a a maior fonte de renda dessa indústria. Tal soma eclipsa os US$ 10 bilhões em lucros obtidos nas bilheterias dos cinemas ou os US$ 8 bilhões referentes aos aluguéis de vídeos. Como os potenciais compradores de DVDs sempre contam com a alternativa mais barata de alugar um DVD no dia em que ele for colocado à venda, é difícil enxergar por que o VOD representaria uma ameaça canibalesca diferente.

A Comcast ainda não revelou os detalhes sobre o que descobriu com tais experiências. Neste mês, no entanto, Jeffrey L. Bewkes, presidente e diretor de operações da Time Warner, apresentou alguns sinais tímidos, mas encorajadores. Ele disse que quando um filme é disponibilizado no sistema VOD no mesma dia em que o DVD é lançado no mercado, os lucros obtidos com o sistema aumentam 50% - e as vendas na verdade sobem de 5% a 10%. Para explicar os ganhos, algo surpreendente nas lojas, Bewkes especula que as vendas de um novo filme foram prejudicadas no passado pela disponibilidade quase instantânea de DVDs usados para venda nas videolocadoras, como a Blockbuster.

O estúdio de cinema só recebe um pagamento - quando o DVD é vendido pela primeira vez, e não quando ele é revendido depois de usado. Para os estúdios, a remessa digital de um filme alugado elimina o problema da revenda de um produto fisicamente palpável, o que prejudica as vendas de novas cópias e não gera direitos e dividendos adicionais. E os estúdios são pagos a cada vez que um VOD é assistido.

Para o consumidor, tempo é... diversão
A remessa digital de VODs proporciona também diversas vantagens ao consumidor. A gratificação imediata proporcionada pelo atendimento de um pedido não é pouca coisa. O modelo Netflix assume que o tempo decorrido entre o pedido feito pelo consumidor e a entrega do filme na caixa de correio não importa muito. E que contanto que o consumidor tenha em mãos pelo menos um DVD a qualquer momento e a lista de títulos esteja repleta de bons filmes, o consumidor não se importará com o tempo decorrido para que o filme percorra o caminho do sistema postal até chegar à sua casa.

No entanto, aparentemente os usuários da Netflix dão importância a isso. A companhia expandiu os seus centros de remessa, do primeiro, criado em 1998, aos 44 atuais, em uma tentativa de minimizar os atrasos nas entregas. Mesmo assim, o tempo decorrido entre o pedido do usuário da Netflix e a entrega pode ser contado em dias. Já com o sistema VOD, tal período é medido em segundos.

A Netflix se empenha em contar com um número suficiente de filmes muito procurados sempre à mão. O sucesso de bilheteria '300' (EUA, 2007) foi lançado no último dia de julho e imediatamente tornou-se o filme mais alugado nos Estados Unidos. No entanto, duas semanas após o seu lançamento, os assinantes foram advertidos nas suas listas nas telas que enfrentariam "uma espera muito longa" (a Blockbuster online não se saiu melhor).

O mesmo ocorreu com o segundo mais alugado, 'Hot Fuzz' (Inglaterra/França, 2007). Na verdade, em meados de agosto, a Netflix tinha disponíveis, prontos para remessa, apenas quatro dos dez filmes mais procurados pelos consumidores nas videolocadoras na semana anterior. Com a remessa digital, uma única cópia-fonte pode suprir simultaneamente a demanda de várias residências que desejam assistir a determinado DVD. Os problemas relativos à administração de estoque - e às "esperas muito longas" - desaparecem.

Os norte-americanos nunca deixaram de demonstrar a sua satisfação com os serviços que proporcionam gratificação rápida; a variedade instantânea é a preferida. Tão logo a cooperação dos estúdios fique garantida, o VOD tornar-se-á a forma mais popular de alugar filmes.

Quando a Netflix fez a sua estréia quase dez anos atrás, muitos aficionados do cinema descobriram que sentar-se em frente a uma mesa em casa e usar a Internet para selecionar os títulos a serem alugados era bem mais fácil do que ir até uma loja para escolher um filme. O VOD oferece o próximo passo evolutivo nesse sentido: o consumidor encomenda um filme por controle remoto, confortavelmente deitado no sofá da sala. UOL

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