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21/08/2007

Renda média da maioria dos americanos cai entre 2000 e 2005

The New York Times
David Cay Johnston
Segundo novos dados do governo dos Estados Unidos, em 2005 os norte-americanos tiveram uma renda média menor do que em 2000, no quinto ano consecutivo no qual tiveram que se virar com menos dinheiro do que tinham no pico do último período de expansão econômica.

A renda média anual em 2005 foi de US$ 55.238, quase 1% menos do que os US$ 55.714 registrados em 2000, após o ajuste relativo à inflação no período, segundo revela uma análise das novas tabelas estatísticas do Serviço de Receita Interna (IRS na sigla em inglês, a receita federal dos Estados Unidos).

A renda combinada de todos os norte-americanos em 2005 foi um pouco maior do que em 2000, mas como à época um número maior de pessoas dividia o produto interno bruto, a média permaneceu pequena. A renda bruta ajustada em 2005 foi de US$ 7,43 bilhões, o que representa um aumento de 3,1% em relação a 2000 e de 5,8% em relação a 2004.

A renda total declarada no imposto de renda aumentou todos os anos após a Segunda Guerra Mundial, com a exceção de um único ano, até 2001, fazendo com que o período de cinco anos de renda média menor e o de quatro anos de renda total mais reduzida se constituam em experiências inéditas para a maioria dos norte-americanos nascidos depois de 1945.

A Casa Branca disse que o fato de as rendas médias serem menores cinco anos após o estouro da bolha da Internet "não deve surpreender ninguém".

O crescimento de renda total ficou concentrado no grupo daqueles que ganham mais de US$ 1 milhão anualmente. O número desses contribuintes aumentou mais de 26%, passando de 239.685 em 2000 para 303.817 em 2005.

Esses indivíduos, que se constituem em menos de 0,25% de todos os contribuintes, beneficiaram-se de quase 47% dos aumentos totais de renda em 2005 em relação a 2000.

As pessoas com rendas superiores a um milhão de dólares também beneficiaram-se de 62% da economia com a redução dos índices de impostos sobre ganhos de capital e dividendos de longo prazo que o presidente Bush transformou em lei em 2003, segundo uma análise distinta feita pelo Citizens for Tax Justice (algo como Cidadãos Pela Justiça Fiscal), um grupo que denuncia políticas que, segundo os seus integrantes, favorecem os ricos.

Os cálculos do grupo demonstram que 28% das reduções de impostos sobre investimentos beneficiaram apenas 11.433 dos 134 milhões de contribuintes, aqueles que ganharam US$ 10 milhões ou mais, o que representou uma economia de quase US$ 1,9 milhão para cada um deles. De maneira geral, esse pequeno número de norte-americanos ricos economizaram US$ 21,7 bilhões em impostos sobre as suas rendas com investimentos como resultado da lei de redução de impostos.

Cada um dos quase 90% de norte-americanos que ganham menos de US$ 100 mil por ano economizaram em média US$ 318 nos seus investimentos. Eles obtiveram 5,3% das suas economias totais com a redução da taxa de impostos sobre rendas com investimentos.

Os dados do IRS revelam que o número de norte-americanos que ganham menos de US$ 25 mil por ano diminuiu em 3,2 milhões de indivíduos, ou 5,5%.

Quase a metade dos norte-americanos declarou rendas de menos de US$ 30 mil, e dois terços de menos de US$ 50 mil.

O número de contribuintes ganhando mais de US$ 100 mil aumentou em quase 3,4 milhões de indivíduos, e respondeu por mais de dois terços do crescimento do número de declarações à receita em 2005 em relação a 2000.

O fato de as rendas médias terem sido menores em 2005 do que nos cinco anos anteriores ajuda a explicar por que tantos norte-americanos afirmam sentir estresse econômico apesar do crescimento geral da economia. Muitos norte-americanos estão também pagando uma fatia maior dos seus custos com saúde e tiveram reduzidos os seus benefícios de aposentadoria, o que fez aumentar as suas despesas extras.

A Casa Branca observou que durante os mesmos cinco anos, os índices de imposto de renda foram reduzidos por meio de uma série de leis patrocinadas por Bush.

Bush fez uma série de discursos carregados de avaliações otimistas sobre a economia. No outono passado, por exemplo, ele disse: "Estou satisfeito com o progresso econômico que estamos fazendo".

"Atribuo a queda das rendas médias aos golpes violentos e significantes que a nossa economia sofreu em 2001 e 2002. Assim, ninguém deve se surpreender com o fato de demorar algum tempo para nos recuperarmos de problemas criados por uma economia de bolhas, no final da década de 1990 e em 2000, quando os dados econômicos eram distorcidos", afirmou Tony Fratto, um porta-voz da Casa Branca.

Fratto disse que o fato de quase todo o crescimento de renda ter ocorrido entre os mais ricos e a maioria das reduções de impostos sobre investimentos ter beneficiado aqueles que ganham mais de US$ 1 milhão anuais "não é uma história muito interessante".

"Não há dúvida de que sempre haverá preocupações quanto à distribuição dos índices de impostos - um índice de base muito ampla - no topo da pirâmide de renda", afirmou Fratto.

Ele diz que a questão mais significante foi a redução dos impostos para a classe média norte-americana, uma vitória que Bush obteve no Congresso.

Para os contribuintes que compõem a porção intermediária da pirâmide, a fatia de rendimento abocanhada pelo imposto de renda federal foi reduzida pela metade devido às reduções de impostos implementadas por Bush, de acordo com cálculos do Centro de Políticas Fiscais, uma joint-venture de duas organizações de pesquisas de Washington, o Urban Institute e a Brookings Institution.

O Departamento do Tesouro afirmou repetidas vezes que respeita as estimativas do centro.

Em 2000 os impostos de renda levaram 5,6% da renda declarada pelo contribuinte situado na porção intermediária da pirâmide salarial, mas neste ano os impostos captarão apenas a metade disso, ou 2,8%, segundo calcula o centro. No entanto, os impostos retidos na fonte sobre os salários desse grupo de contribuintes aumentou, cancelando a metade das economias obtidas com a redução do imposto de renda.

Robert S. McIntyre, diretor da Citizens for Tax Justice, disse que ainda que espere que um número muito reduzido de ricos se beneficie da maior parte da economia obtida com impostos gerada pela redução dos índices sobre ganhos com dividendos e capital, a dimensão dessa economia "ainda é de tirar o fôlego".

Ele afirmou que as economias com impostos pelos indivíduos do topo da pirâmide, conjugadas aos salários médios mais baixos após cinco anos, "revelam que o processo de distribuição de renda de cima para baixo não funciona". UOL

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