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22/08/2007

Bradbury antigo em nova embalagem (com extras)

The New York Times
David Shaftel
Em Los Angeles
Apesar de mais lento com a idade, Ray Bradbury ainda fala com exuberância. Prejudicado por um derrame em 1999, atualmente ele dita seu trabalho por telefone para uma filha no Arizona, que grava e transcreve-o antes de enviar as edições de volta por fax. Bradbury trabalha em uma cadeira de couro ampla, em um escritório coberto de estantes de textos de história e fitas de vídeo de filmes clássicos. O quarto está lotado com modelos de dinossauros, foguetes e o submarino de Jules Verne, Nautilus, seu próprio Emmy empoeirado, o Oscar de um amigo e uma televisão de tela plana de 52 polegadas em nada diferente das pressagiadas em "Fahrenheit 451".

"Estou cercado de metáforas", disse Bradbury, que admite que a ciência em seus livros freqüentemente é falha e serve apenas como veículo para sua ficção. Ele fornece a inspiração, diz ele, e deixa os cientistas se preocuparem com os detalhes. "As artes e as ciências estão conectadas", continuou. "Cientistas têm que ter uma metáfora. Todos os cientistas começam com a imaginação".

Marissa Roth/The New York Times 
Em sua casa, Ray Bradbury diz que "Fahrenheit 451" não era um romance sobre censura

Ray Bradbury faz 87 anos no dia 22 de agosto. Enquanto isso, o autor celebrado de ficção científica e fantasia está fazendo uma espécie de volta da vitória, minando seus extensos arquivos em busca de trabalhos raros e não terminados. Ele vai publicar várias obras há muito esquecidas neste verão, inclusive versões experimentais e escritos antigos.

Em setembro, William Morrow vai lançar "Now and Forever", uma coleção com os contos nunca lançados "Leviathan '99" e "Somewhere a Band Is Playing". Uma edição limitada desse último será lançada simultaneamente por uma editora independente. Isso fecha um ano no qual Bradbury foi premiado com uma citação especial de carreira do Pulitzer.

Bradbury começou a escrever "Leviathan 99", que descreve como "Moby-Dick no espaço", nos anos 50; apesar de tê-lo revisitado esporadicamente durante os anos, foi planejado originalmente como roteiro de rádio para Norman Corwin. A história é sobre Ishmael Jones, que acompanha um capitão cego e maníaco da "maior espaçonave jamais construída", atrás de um grande cometa branco.

Bradbury começou a escrever "Somewhere a Band Is Playing" para Katharine Hepburn em 1956. Nesse conto, um repórter salta de um trem em movimento, caindo em uma cidade bucólica onde ninguém morre ou envelhece e onde não mora nenhuma criança. "Somewhere a Band Is Playing" é Bradbury antigo, diz Barry Hoffman, editor da Gauntlet Press, que está lançando o conto acompanhado das primeiras versões e fragmentos de um roteiro para televisão e cinema.

"Bradbury vem trabalhando nisso há mais de 50 anos, então temos muitas variações com as quais brincou", disse Hoffman. Algumas versões são "mais pessimistas" do que o documento final, disse ele.

Neste verão, a Gauntlet lançou "Match to Flame: The Fictional Paths to 'Fahrenheit 451'" contendo as histórias, rascunhos e correspondência que culminaram no que talvez seja o trabalho mais duradouro de Bradbury.

Bradbury diz que começou "Somewhere a Band Is Playing" depois de ver Hepburn em "Summertime". "Com os anos, continuei trabalhando nele porque conhecia Katharine Hepburn e esperava poder terminar o livro e dá-lo a ela, para que pudesse fazer um filme com ele", disse ele durante recente entrevista em sua casa no bairro de Cheviot Hills, em Los Angeles. "Mas os anos se passaram".

A jornada literária de Bradbury começou com a revista Futuria Fantasia, que ele auto-publicou quando tinha 18 anos, em 1939. As quatro edições da revista foram reunidas em uma antologia e reeditadas no mês passado, pela Graham Press. A revista foi patrocinada por Forrest J. Ackerman, um dos maiores fãs de ficção científica, que teria cunhado o termo sci-fi; somente 100 cópias originais foram impressas. Elas continham os primeiros trabalhos de luminares da ficção científica como Hannes Bok e Robert Heinlein.

Bradbury admite que suas próprias histórias em Futuria Fantasia -muitas delas publicadas sob pseudônimos, para fazer sua gama de autores parecer maior -eram primárias. "Eu ainda estava a anos de escrever minha primeira boa história", disse ele, "mas podia ver meu futuro. Sabia onde queria ir".

O biógrafo autorizado de Bradbury, Sam Weller, disse: "Futuria Fantasia sempre pareceu fora do alcance de todos. Exceto pelos fãs muito ricos, que podiam pagar por cópias em casas de leilão e coleções, ninguém jamais as viu, muito menos as teve."

Apesar de os críticos de Bradbury irritarem-se com seus comentários que "Fahrenheit 451" não era um romance sobre censura -uma declaração que "Match to Flame" parece desaprovar -ou que "As Crônicas Marcianas", um dos romances mais lidos de ficção científica, não é ficção científica porque seu embasamento científico é fraco, concordam com sua contribuição ao gênero.

A citação especial do Pulitzer foi "um aceno enorme de respeito da mídia", disse Lou Anders, diretor de ficção científica e fantasia da Pyr.

No entanto, os primeiros trabalhos de Bradbury devem ser compreendidos em seu contexto histórico, disse Anders, não como representativos do campo hoje. "Espero que qualquer um que chegue à ficção científica ou à fantasia -leitores de "O Homem Ilustrado" ou "I Sing the Body Electric"- seja inspirado a ir além desses trabalhos clássicos para novos mestres".

Bradbury, que interrompeu a leitura regular de ficção científica há décadas, está confortável em sua posição de outsider, apesar de um pouco rabugento. "Não preciso ser comprovado, e não quero atenção", disse ele. "Nunca questiono. Nunca peço a opinião de ninguém. Eles não contam". Deborah Weinberg

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