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22/08/2007

Número de mortos em ataque no Iraque sobe para mais de 500

The New York Times
Damien Cave e James Glanz*

Em Bagdá, Iraque
Uma semana após uma série de caminhões-bomba ter atingido uma área rural pobre perto da fronteira síria, o número conhecido de vítimas passou para mais de 500 mortos e 1.500 feridos, segundo a Sociedade do Crescente Vermelho iraquiana, o tornando o ataque coordenado mais mortífero desde a invasão liderada pelos americanos em 2003.

O dr. Said Hakki, o diretor da sociedade, disse na terça-feira que os funcionários locais do Crescente Vermelho que registravam as famílias para ajuda após as explosões, perto da cidade de Sinjar, compilaram os novos números, que ofuscam as estimativas anteriores de pelo menos 250 mortos.

O número, disse Hakki, ainda pode subir. Os trabalhadores de emergência continuam retirando pedaços de corpos dos escombros do local. Entre os feridos, um em cinco sofreu ferimentos graves e os representantes dos hospitais informaram que centenas de famílias levaram seus entes queridos feridos para casa, apesar do risco de infecção.

"Nós declaramos as aldeias uma área de desastre", disse Khidhir Khader Rashu, o prefeito de Qahtaniya, uma das aldeias atingidas pelas explosões. "O que recebemos de suprimentos de alimentos e outros itens de ajuda até o momento é insuficiente devido à escala enorme da destruição".

Uma certeza estatística pode ser difícil de obter após os ataques com bomba e alguns funcionários do governo ligados às aldeias estimaram o número de mortos próximo de 360. Mas os números do Crescente Vermelho se encaixam com as estimativas de duas autoridades hospitalares da área e com a relação típica entre mortos e feridos em grandes ataques com bombas.

Com os números mais recentes, o atentado se tornou o ataque coordenado mais mortal desde a invasão de 2003 em um fator de três. Em julho, cerca de 155 pessoas morreram em uma explosão gigante na cidade do norte de Amerli; um número semelhante morreu em uma série de bombas e ataques com morteiros no bairro de Sadr City, em Bagdá, em novembro passado; e cerca de 152 pessoas morreram em Tal Afar no mês passado, em um duplo atentado com caminhão-bomba.

Na área do ataque da semana passada, as aldeias do deserto dominadas pelos yazidis -uma seita de língua curda com aspecto de clã cuja fé combina ensinamentos islâmicos com outras religiões antigas- lutavam com dificuldade para lidar com a situação. Moradores e autoridades disseram que o fluxo constante de enterros lota as ruas em meio ao odor exalado pelos mortos.

Tecken Kuli Saleem, 39 anos, disse que permaneceu viva por 12 horas sob os escombros, mas escapou sem sua família.

"Eu estava no quarto mês de gravidez e perdi meu bebê no ataque", disse. "Eu não consigo falar muito. Os criminosos mataram minha família e eu não sei onde estão meus filhos, se estão vivos ou mortos. Eles estão desaparecidos".

Muitas famílias de feridos estão tão abaladas pelos ataques que se recusaram a deixar seus entes queridos nos hospitais, os levando para as pequenas aldeias onde esperam pela segurança dos números.

No principal hospital em Tal Afar, um funcionário disse que apenas 15 pessoas feridas permaneciam internadas na terça-feira. O dr. Kifah Kattu, o diretor geral do hospital em Sinjar, a poucos quilômetros ao norte de onde as explosões ocorreram, disse que todos os 300 pacientes feridos no hospital foram levados de volta para casa ou para clínicas menores e tendas ambulatoriais perto de seus lares.

Todo dia, ele e outro funcionário do hospital disseram, os médicos e trabalhadores de ajuda humanitária das aldeias visitam o hospital em busca de suprimentos para aqueles que partiriam.

"Os médicos ficam atônitos com a insistência dos parentes em removê-los", ele disse. "Eles consideravam Sinjar perigosa demais".

Duraid Kashmula, o governador de Mosul, disse que vários regimentos de soldados iraquianos foram dispostos para proteger a área. Barreiras de sacos de areia foram construídas ao redor de três aldeias em Qahtaniya "para proteger a área e impedir a entrada de quaisquer estranhos", ele disse.

Ele acrescentou que as explosões destruíram completamente mais de 1.000 casas, a maioria delas feita de pedra e barro, enquanto outras 500 foram danificadas.

Khader Rashu, o prefeito de Qahtaniya, disse que há pouca esperança de encontrar sobreviventes. "Nós estamos enfrentando algumas dificuldades na remoção dos escombros por que há alguns blocos de concreto que precisam ser partidos", ele disse.

As autoridades iraquianas disseram que nenhum suspeito foi preso. Acredita-se que extremistas sunitas, que lutam com os curdos nas cidades do norte de Mosul e Kirkuk, sejam os responsáveis pelo ataque.

Os yazidis podem ter sido alvos devido à sua proximidade com a porosa fronteira síria; por suas crenças (eles adoram um anjo cujo nome às vezes é traduzido como Satã no Alcorão); ou como retribuição por um incidente em abril, quando alguns yazidis apedrejaram até a morte uma jovem yazidi por ter se casado com um sunita.

Por ora, o esforço iraquiano e internacional permanece concentrado em ajudar os enlutados, os feridos e destituídos. Soldados americanos ajudaram a distribuir água e outros suprimentos de emergência. Hakki, da Sociedade do Crescente Vermelho, disse que pelo menos três caminhões cheios de ajuda vieram do governo turco. Pelo menos nove caminhões trouxeram suprimentos da Sociedade do Crescente Vermelho, carregados de equipamento básico.

"Nós fornecemos tendas", ele disse. "Nós fornecemos utensílios de cozinha".

A sociedade também forneceu dinheiro e alimento. Ele disse que as famílias dos 500 que morreram receberam US$ 100 por cada pessoa morta, e seis meses de rações de alimentos. Os parentes dos feridos receberam US$ 50 cada e seis meses de refeições.

Enquanto isso, o governo iraquiano já distribuiu pagamentos de US$ 1.600 para mais de 300 famílias dos mortos, segundo autoridades do governo local.

Mas poucos moradores ou líderes locais pareciam sentir que era o bastante.

Yazidis de todo o norte, onde a minoria é mais concentrada, disseram temer que sua comunidade de várias centenas de milhares poderá não se recuperar.

"Eu perdi 32 pessoas das famílias de meus cinco irmãos e quatro irmãs", disse Rasheed Muhsin Khesru, 59 anos, um yazidi de Kirkuk.

Outros disseram que o ataque apenas aumentará a violência já atordoante do Iraque.

"Em poucos dias, 10 mil de nossos homens estarão prontos para proteger nossas áreas", disse Kheder Aziz, que chorava em uma rua em Kirkuk. "Todas as tribos árabes sunitas que vivem ao nosso redor são responsáveis ou por terem ajudado com o ataque ou por saberem que aconteceria".

*Ali Fahim e Ali Adeeb, em Bagdá, e funcionários iraquianos do "New York Times", em Mosul e Kirkuk, contribuíram com reportagem. George El Khouri Andolfato

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