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23/08/2007

Pai do Soul, pai muitas vezes

The New York Times
Brenda Goodman

Em Atlanta
As pessoas que telefonavam para uma certa residência de Houston ultimamente se deparavam com uma mensagem alegremente assertiva: "Você acabou de ligar para a residência de LaRhonda Petitt Brown".

Então, enquanto uma música gospel crescia ao fundo, ela dizia: "O que Deus reserva a você, é para você, que seja abençoado! Tchau".

LaRhonda, uma comissária de bordo aposentada de 45 anos, pode ser perdoada por dar uma ênfase particular ao seu sobrenome, ou por parecer particularmente ávida em proclamar as dádivas de Deus. Exames laboratoriais recentemente confirmaram o que ela diz há anos para sua família: que seu pai era James Brown, o Pai do Soul.

Desde a morte de James Brown em 25 de dezembro, cerca de uma dúzia de pessoas se apresentaram pedindo para que seu DNA fosse comparado ao do cantor, disse Albert H. Dallas, um curador dos bens de James Brown. Até o momento, três exames apresentaram resultado positivo, disse Dallas. Uma mulher da Flórida e outras pessoas se recusaram a vir a público.
OS HERDEIROS DO "SEX MACHINE"
Erin Trieb/The New York Times
LaRhonda Petitt Brown, cujo teste de DNA confirmou que ela é filha do cantor
Angel Franco/The New York Times
James Brown citou seis filhos como herdeiros em seu testamento


LaRhonda, em uma entrevista por telefone na quarta-feira, disse que soube em 1º de maio que o exame de DNA realizado pela Laboratory Corporation of America, a empresa que recebeu a amostra de DNA do artista falecido para análise comparativa, apresentou uma probabilidade de 99,99% de James Brown ser seu pai.

"Eu dizia 'Sim! Sim!' e chorava ao mesmo tempo, porque ninguém nunca acreditou em mim", disse LaRhonda.

LaRhonda contou que sua mãe, Ruby Shannon, que morreu quando ela tinha 13 anos, teve um relacionamento com James Brown no início dos anos 60 em Los Angeles. Ela disse não saber como os dois se conheceram.

Apesar de ter falado com seu pai várias vezes ao longo dos anos, ele nunca a reconheceu como sua filha.

"Ele me dizia: 'Eu e sua mãe éramos amigos', e eu respondia: 'Sim, eu também era amiga do pai dos meus bebês. Isto não me impediu de engravidar'", disse LaRhonda, rindo.

Mas então, mais sobriamente, ela acrescentou: "Ele tinha seus motivos, eu acho. Meu pai não sabia como amar".

Os advogados que disputam a herança de James Brown disseram que a notícia de que o autor de "Sex Machine" (máquina de sexo) a compôs a partir de sua experiência não é uma surpresa.

"Eu não acho que alguém tinha dúvida de que o sr. Brown gerou outros filhos, vamos colocar desta forma", disse Robert N. Rosen, um advogado da Carolina do Sul que representa Tommie Rae Brown, a contestada quarta esposa de James Brown e seu filho, James J. Brown II.

Mas a descoberta de mais herdeiros potenciais complica ainda mais a distribuição do patrimônio do artista e quanto pode valer, se é que vale algo, a confirmação da paternidade de James Brown.

Um testamento, assinado por James Brown em 2000, deixou os pertences de seu lar e itens pessoais para seis filhos citados, disse Rosen.

Tal documento também inclui termos que excluem especificamente quaisquer outros filhos da partilha da herança, disse Louis Levenson, o advogado que representa os seis filhos reconhecidos.

Tommie Rae Brown, que se casou com o cantor em 2001 na casa dele em Beech Island, Carolina do Sul, e James II, 6 anos, não foram citados no testamento. Ela está lutando por metade do patrimônio de James Brown na condição de sua viúva.

Um juiz na Carolina do Sul nomeou dois administradores especiais para monitorarem as ações dos três representantes pessoais encarregados dos dois fundos detentores de grande parte dos ativos de James Brown.

O James Brown "I Feel Good" Trust foi criado com o propósito de educar crianças pobres da Carolina do Sul. Outro fundo, o James Brown Family Education Trust, foi criado para financiar a educação dos netos do cantor.

Mas Tommie Rae Brown e os seis filhos citados no testamento argumentam que os representantes pessoais encarregados do controle dos fundos apresentam conflitos de interesse e abusaram de sua autoridade.

Um dos curadores, David G. Cannon, que foi acusado de preencher um cheque de US$ 350 mil para si mesmo poucos dias antes da morte de James Brown e de descontá-lo um dia depois de sua morte, deixou o cargo e devolveu o dinheiro. O tribunal deverá ouvir a ação para a remoção dos outros dois curadores, Dallas e Alfred A. Bradley. Enquanto isso, o reverendo Larry Fryer, o ex-pastor de James Brown, que teme que o dinheiro destinado às crianças necessitadas esteja sendo desperdiçado em batalhas judiciais, impetrou uma ação para colocar um fim às ações legais.

Nada disto deteve LaRhonda Petitt Brown, que disse estar lutando pelo dinheiro do fundo de educação para suas duas filhas. "Ah, eu receberei parte dele", disse LaRhonda. "O zelo que exibo é totalmente James Brown". George El Khouri Andolfato

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