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23/08/2007
Paixão pelo cinema gera novos festivais, mas mantê-los exige trabalho árduo

S.T. Vanairsdale

Horário de almoço foi a primeira baixa causada pela ambição de Tom O'Malley. Ele sacrificou seus intervalos vespertinos por volta de novembro passado ao seguir em frente com seus planos para o lançamento do American Cinematic Experience Film Festival. Sua sala de estar sucumbiu em seguida, tomada por pilhas de papeladas e tubos de plástico repletos de DVDs submetidos para o evento. Então sua conta bancária sofreu um baque.

Este é o preço de iniciar um festival de cinema em Nova York. Apesar de centenas de novos festivais independentes serem criados todo ano nos Estados Unidos - alguns como bênçãos econômicas para suas comunidades, outros servindo como substitutos de salas de arte em mercados pequenos - Nova York está saturada, com eventos de nicho de mercado freqüentemente inseridos dentro de outros nichos de mercado.

Christian Hansen/The New York Times 
Szczygielski (esq.) e O'Malley, criadores do American Cinematic Experience Film Festival

"Nós sabíamos que éramos o garoto novo na cidade", disse O'Malley, 23 anos, sobre seu festival, que terá início na sexta-feira na Baixa Manhattan. "Nós esperamos apanhar bastante no primeiro ano e ganhar respeito à medida que prosseguirmos".

"Mas temos confiança suficiente no festival para pensarmos: 'Nós vamos mostrar para eles'", acrescentou.

Se o American Cinematic Experience sobreviver, as recompensas para curadores de festival aspirantes como O'Malley e seu parceiro no festival, Luke Szczygielski, serão anos de dívidas e meses com dias de 18 horas de trabalho. Mas isto não impede a procissão de cinéfilos, movidos pelo desejo de cultivar o desconhecido.

"Nós nunca quisemos ser incentivadores apenas pelo incentivo", disse Prerana Reddy, curadora do Festival de Cinema Árabe e Sul-Asiático de Nova York. "Se trata de criar algo único. É quase uma obra de arte por si só - uma escultura social que você está criando. Uma reunião de pessoas, idéias e mídia que nunca será reunida de novo".

O'Malley, um designer de Internet e cineasta aspirante, e Szczygielski, seu colega de escola de cinema, conceberam o evento em parte como resposta à ambivalência que o trabalho deles enfrentava no establishment de festivais. Eles decidiram que Nova York precisava de um lar para independentes americanos modestos ignorados por monolitos como Tribeca e festivais menores com interesses temáticos ou internacionais. Eles realizaram uma convocação nacional, de apelo popular, de filmes que confirmam o apelo corajoso do evento; eles completarão a programação com vídeos curtos oriundos do YouTube e MySpace.

Isto foi há um ano. Hoje, estima O'Malley, a mostra de três dias e 28 filmes lhes custará US$ 15 mil. Isto descontado a doação do local, o Broad Street Ballroom (funcionários não incluídos) por um fim de semana geralmente de pouca atividade de agosto, e após descontadas as taxas de inscrição de US$ 20 a US$ 50 recebidas dos cerca de 200 candidatos submetidos. Ele imaginava pelo menos três vezes mais. Os ingressos custam US$ 40 para um passe para o dia inteiro, US$ 100 para um passe para os três dias. (Informação: acefest.com.)

Para organizadores de primeira viagem, a realidade pode ser desanimadora. A experiência exige mais do que ser um fã de cinema, disse Jon Fitzgerald, um consultor. "Ela começa com o conhecimento de seu público", disse Fitzgerald, um co-fundador do Slamdance Film Festival, que presta consultoria para até 10 festivais iniciantes por ano por meio de sua empresa, a Right Angle Studios. "Eu já conversei com várias pessoas que decidiram lançar um festival por serem fãs de cinema. Mas é necessário mais do que uma idéia nova. É preciso que se tenha certeza de que existe um público que apóie o tipo de programação".

Determinar um público é particularmente difícil em Nova York, um mercado cheio de opções, do circuito de arte aos multiplex. Sem contar outros festivais; o número exato é difícil de determinar, apesar de haver mais de 100. Mas o site de marketing de cinema Withoutabox.com funciona como ponto de entrada de cineastas para 40 festivais locais, um aumento de 50% desde 2002, segundo David Straus, seu executivo-chefe. O sucesso deles depende da data, geografia e singularidade de sua programação. O Festival Internacional de Cinema do Queens, por exemplo, começou como uma afirmação da diversidade do burgo, exibindo cinema estrangeiro e pratos e música das culturas dos filmes.

Para cineastas de baixo orçamento os festivais de Nova York permitem que exibam seus projetos para aficionados por cinema, tudo a um custo médio de US$ 40 de inscrição. Diretores de gênero, antes banidos aos guetos das sessões de meia-noite dos festivais maiores, contam com espaços crescentes como o Festival de Cinema de Horror de Nova York e o CineKink de temática sexual. Obras de língua estrangeira chegam aos espectadores em festivais poloneses, cubanos, coreanos, brasileiros e outros especializados.

"Os festivais de cinema substituíram o circuito de arte como distribuição para cineastas independentes", disse Chris Gore, autor de "The Ultimate Film Festival Survival Guide" (Guia Definitivo de Sobrevivência em Festivais de Cinema). "Se seu filme funcionar em Nova York, é um passo imenso".

Os novos festivais devem atrair o público com a perspectiva de pré-estréias importantes e aparições de diretores, ao mesmo tempo em que prometem aos cineastas uma platéia sofisticada de Nova York. Tal equilibrismo cansou Josh Koury, que neste ano colocou um fim ao seu Festival de Cinema Underground do Brooklyn, que já tinha cinco anos, para se concentrar na realização de documentários e cuidar da programação do Festival de Cinema de Hamptons.

"Se eu soubesse na época o que sei agora, talvez eu tivesse feito as coisas de forma diferente, é claro", disse Koury, notando o conflito competitivo em meados da primavera com o Festival Internacional de Cinema do Brooklyn. "Mas eu acho que esta é a beleza de festivais de cinema como esses. O verdadeiro cinema experimental, underground, é uma idéia da cultura do faça você mesmo e de dispor de bastante energia e iniciativa para se atirar em algo".

Mas mesmo os mais divulgados e melhor financiados festivais perdem dinheiro. O Festival de Cinema de Tribeca, apesar de contar com patrocinadores como a American Express e ingressos no valor de US$ 18, alega apresentar um déficit operacional de US$ 1 milhão por ano. Enquanto isso, festivais novatos geralmente subestimam os custos de seguro, aluguel e viagem. E o Festival Internacional de Cinema do Queens, mesmo com patrocinadores como Starbucks e JetBlue, e a expansão de uma sala em 2003 para oito em 2006, exige que sua fundadora, Marie Castaldo, cubra muitas despesas de seu próprio bolso.

Tais fatos não diminuem o otimismo de O'Malley quanto às chances de seu festival. "Nós queremos mostrar às pessoas quão dedicados estamos a este evento e eu acho que isto transparece", ele disse, acrescentando: "As pessoas nem mesmo questionam se ainda estaremos aqui daqui cinco anos".

Tradução: George El Khouri Andolfato

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