UOL Notícias Internacional
 

24/08/2007

Analistas vêem pouca perspectiva de crescimento

The New York Times
Edmund L. Andrews

Em Washington
A turbulência financeira que teve início com o colapso aparentemente restrito nas hipotecas de risco agora está forçando autores de política e analistas de Wall Street a reduzirem suas expectativas de crescimento para a economia em geral.

A maioria dos economistas ainda prevê a continuidade do crescimento econômico para o restante do ano e 2008 adentro, mas muitos estão reduzindo suas previsões e alertando que mesmo suas posições um tanto mais sombrias poderão se mostrar róseas demais.

A Global Insight, uma firma de previsão de Lexington, Massachusetts, previu na quinta-feira que o crescimento será acentuadamente menor no terceiro trimestre deste ano, e reduziu sua previsão para todo o ano de 2007 de 2,1% para 1,9%.

"A perspectiva econômica está mais obscura", escreveu Nigel Gault, diretor administrativo de pesquisa econômica norte-americana da Global Insight. Citando um aperto no crédito e um "fluxo constante de más notícias no setor imobiliário", assim como aos altos preços do petróleo e um menor crescimento da produtividade, ele também reduziu sua previsão de crescimento para 2008.

Em Washington, o não-partidário Escritório de Orçamento do Congresso emitiu uma previsão comparativamente otimista na quinta-feira, prevendo cautelosamente que a turbulência nos mercados não impedirá o crescimento econômico. Mesmo assim, a agência do Congresso reduziu sua previsão anterior de crescimento para este ano de 2,3% para 2,1%, alertando que as incertezas estão maiores que o normal.

"Eu não diria que somos otimistas", disse Peter R. Orszag, diretor da agência, em uma entrevista. "A situação é muito nebulosa e incerta. Mas o cenário econômico mais provável é a continuidade de um crescimento sólido".

Quanto ao orçamento federal, a agência previu que o déficit diminuirá neste ano para US$ 158 bilhões, o nível mais baixo desde 2002. Mas ele reiterou alertas anteriores de que o caminho do orçamento a longo prazo é "insustentável".

Se as reduções de impostos do presidente Bush forem prorrogadas indefinidamente além da expiração prevista para 2010, e o Congresso continuar protegendo a maioria dos contribuintes contra aumentos do imposto mínimo alternativo, estimou o escritório de orçamento, ao longo dos próximos 10 anos a receita do governo ficará US$ 3,4 bilhões abaixo da previsão mínima e os déficits voltariam a ser de mais de US$ 200 bilhões por ano.

A Casa Branca emitiu uma declaração, após a divulgação das novas estimativas do escritório de orçamento, celebrando a redução do déficit orçamentário. "Ele mostra que nosso governo está no caminho para atingir a meta que eu estabeleci para deixar o orçamento com superávit até 2012", disse Bush. "Equilibrar o orçamento exige manter a economia forte, manter os impostos baixos e manter os gastos sob controle".

A previsão do Escritório de Orçamento do Congresso foi notadamente mais positiva que as demais.

"Este é um dos maiores pânicos que vi em 55 anos nos serviços financeiros", disse Angelo R. Mozilo, executivo-chefe da Countrywide Financial, a maior empresa de financiamento imobiliário do país, disse em uma entrevista na "CNBC".

Ele previu que a crise imobiliária levará a uma recessão. "Eu simplesmente não vejo uma luz aqui no momento", ele disse para a "CNBC". "Eu não acredito quando você tem tamanho nível de delinqüências que isto não terá um efeito na psique do povo americano e no final em seus bolsos".

Grande parte dos previsões de Wall Street não está nem perto de tal pessimismo, além de alertarem contra pânico. Mas estão menos otimistas do que os analistas do Congresso.

Na quarta-feira, o Citigroup emitiu uma nova previsão sugerindo que o crescimento ficará aquém de suas estimativas anteriores. E economistas da Goldman Sachs, que já reduziram sua previsão para 1,9% há duas semanas, alertaram na quinta-feira que o mercado imobiliário provavelmente apresenta uma sobrevalorização de mais de 15%.

Enquanto o escritório de orçamento previu na quinta-feira que a economia acelerará no início do próximo ano e expandirá em 2,9% em 2008, muitos analistas do setor privado disseram ver um crescimento de menos de 2,5% no próximo ano, com alguns esperando algo ainda mais baixo.

"Eu reduziria minha previsão para 2% no máximo para o próximo ano, talvez 1,9%", disse Stuart Hoffman, economista-chefe da PNC Financial, em Pittsburgh. "Eu ainda assim chamaria isto de um pouso suave, mas mal estamos acima da copa das árvores".

Antes da reversão financeira, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) vinha tentando cuidadosamente orquestrar um chamado pouso suave para a economia, no qual o crescimento desaceleraria o suficiente para reduzir as pressões inflacionárias sem aumentar muito o desemprego.

O crescimento econômico realmente desacelerou neste ano, com o desemprego ainda abaixo de 4,6%.

Ben S. Bernanke, o presidente do Fed, disse ao Congresso em julho que a economia parecia caminhar para um crescimento "moderado" de cerca de 2,5% neste ano e uma expansão ligeiramente maior em 2008. Apesar da queda acentuada na construção de imóveis residenciais, previu Bernanke, o aumento da oferta de empregos e dos salários levaria a um crescimento contínuo no consumo e um aumento das exportações estimularia mais investimento por parte das empresas.

Lewis Alexander, economista-chefe do Citigroup, alertou contra "exagerar" esta queda no mercado imobiliário, notando que as corporações ainda contam com bastante fluxo de caixa e possuem fortes balancetes que devem lhes permitir continuar investindo.

Mas ao reduzir sua previsão de crescimento para os Estados Unidos assim como para a Europa e Japão, o Citigroup alertou que a turbulência nos mercados de crédito aumentou bastante a incerteza de quaisquer previsões. "O deslocamento contínuo nos mercados de dinheiro tem o potencial de prejudicar a atividade econômica, e qualquer previsão de expansão sólida depende da restauração oportuna das condições normais do mercado de dinheiro", disseram economistas do Citigroup.

E mesmo após a estabilização dos mercados, eles disseram, os investidores exigirão retornos maiores para assumir os riscos adicionais de empréstimos e hipotecas comerciais. George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,45
    3,141
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,39
    64.684,18
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host